12/07/2012

Você é a favor da 1ª Semana do Orgulho LGBT em Artur Nogueira?

Nogueirenses opinam sobre o evento

Quézia Amorim

Entre os dias 19 e 22 deste mês, o município de Artur Nogueira sediará a 1ª Semana do Orgulho de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT). O evento terá apresentações teatrais e musicais, palestras, além de debates sobre direitos igualitários, discriminação e homofobia.

Em meio a esses e outros assuntos que trará à população, o evento também gerou controvérsias e polêmicas entre pessoas adeptas de ideias conservadoras e liberais, que aprovam ou contestam sobre o assunto.

Colocando em ênfase a 1ª Semana do Orgulho LGBT de Artur Nogueira, o Portal Nogueirense foi às ruas para saber a opinião das pessoas e importância do evento para o município. Entrevistamos representantes religiosos, moradores e especialista no evento.

Em entrevista exclusiva ao Nogueirense, o Presidente da Parada Gay de São Paulo, Fernando Quaresma, afirma a importância de eventos que busquem a igualdade de direitos dos gays em cidades pequenas, como Artur Nogueira, além de trazer à tona o debate sobre a homofobia. “Algumas coisas já foram alcançadas como pensão por morte, reconhecimento de união civil, dependência de plano de saúde, mas o principal ainda não conseguimos: o respeito da sociedade. A homofobia ainda está presente e não atinge só a comunidade homossexual, ela atinge qualquer forma de afeto entre homens ou mulheres que estejam na rua, podendo ser agredidas, só pelo fato de serem tidas como homossexuais”, diz Quaresma, que ainda comenta que a homofobia em pequenos centros é radical e agride muito mais a comunidade LGBT.

Representando a sociedade, duas pessoas foram entrevistas, uma contra e outra a favor do evento. “Eu acho que o município não precisa de eventos do assunto em questão, corre o risco de virar bagunça, igual à Parada Gay de São Paulo, aonde todo mundo vai porque virou festa. Se eles estão lutando por direitos de não serem xingados, estão perdendo tempo, pois, assim como outros assuntos que possuem argumentos legislativos, a exemplo do racismo, as pessoas continuam sendo discriminadas. Infelizmente, o preconceito sempre existirá. Se eles querem casar e adotar filhos, é bom, estarão fazendo bem ao mundo. Acredito que a maioria da população possui o pensamento conservador, assim como eu: eles não precisam andar de mãos dadas para mostrar às pessoas conservadoras o que querem fazer”, afirma o estudante Felipe Roque, de 21 anos de idade.

“É bom que tenha isso porque abre a mente das pessoas ou diminui um pouco do preconceito. É importante porque eles têm que ter o direito deles”, afirma a operadora de máquinas, Neide Nério, de 35 anos de idade.

O padre da Paróquia Nossa Senhora das Dores, de Artur Nogueira, Eder Justo, fala sobre o evento: “Vivemos em uma sociedade democrática onde os cidadãos devem ter consciência dos seus direitos e deveres. É com apreensão, que ainda vemos os noticiários informando o quanto ainda há desrespeito à vida de pessoas humanas. Penso que se este encontro ajudar, de algum modo, a criar a consciência do respeito que deve haver entre as pessoas, sejam elas quem forem, sem dúvida será algo bom para toda a comunidade nogueirense”, afirma Justo.

O presidente do Conselho de Ministros Evangélicos de Artur Nogueira, e também pastor da Primeira Igreja Batista de Artur Nogueira, Cleverson do Valle, disse que “a liberdade de expressão é um direito de todo cidadão. Como cristão, não aprovo a prática do homossexualismo. Na Bíblia este comportamento é reprovado, pois Deus criou macho e fêmea. Não aprovamos a prática dos homossexuais, mas como igreja os amamos. São todos bem vindos em nossa igreja”, explica o pastor.

Em resposta à polêmica que foi gerada devido às divergências de opiniões, o organizador da 1ª Semana do Orgulho LGBT de Artur Nogueira, Raoni Zopolato, comenta: “A gente quer respeito. Ninguém é obrigado a aceitar nada, eu não sou obrigado a aceitar a religião de ninguém assim como ninguém é obrigado a aceitar minha sexualidade. Da mesma forma que existem várias coisas que não concordo ou não aceito, eu respeito. Acho que nós, os gays, merecemos ser respeitados também”, afirma Zopolato, que ainda complementa: “As pessoas costumam dizer que isso é frescura de gay. Isso não é frescura, é um direito que temos, mas que parece depender de condições. Não tem que existir diferença. Nós somos iguais a todos os outros, mas precisamos conscientizar a sociedade para que possamos ser respeitados. Existem vários casos de héteros que sofrem por alguns pensarem que se trata de gays”.

Raoni Zopolato ainda desabafou dizendo que “parte da população não tem noção de que a homofobia é crime e que atos homofóbicos têm suas consequências” e que “o fato de a polêmica estar sendo gerada faz com que o evento seja conhecido e gere informação”.

Mais sobre a 1ª Semana do Orgulho LGBT em Artur Nogueira

Clique AQUI e releia a reportagem que o Portal Nogueirense fez sobre a programação do evento.

Clique AQUI e releia a reportagem sobre o espetáculo teatral que será apresentado na 1ª Semana do Orgulho LGBT de Artur Nogueira.


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