05/10/2014

Uma amazonense de 10 metros no centro de Artur Nogueira

Árvore plantada em frente à Igreja Nossa Senhora das Dores é originária do Norte e produz flores em todo o tronco

Descer pela Avenida Fernando Arens sentido à Igreja Matriz é ser guiado por um aroma adocicado. “Que coisa mais linda, né?”, comenta um senhor que caminha e diminui os passos ao se aproximar da gigante de mais de 10 metros.  “E tem um cheiro que vai até a minha casa”, enfatiza outro senhor grisalho que mora há 30 metros dali.

O que salta aos olhos destes nogueirenses e os faz falar é o abricó de macaco, ou Couroupita guianensis, uma árvore pedaço da Amazônia na frente da igreja Nossa Senhora das Dores, no centro de Artur Nogueira.

Arvore

A espécime originária do Norte do país é peculiar. Além de ser uma gigante que pode alcançar entre 15 a 25 metros, ela produz flores em toda a extensão do tronco, com diâmetro que varia em 30 e 50 centímetros. Estas flores contém seis pétalas cada e brincam com as cores mesclando os tons esverdeado, alaranjado, vermelho, branco, amarelo e rosa – floração que pode perdurar por todo o ano, sendo mais intensa na primavera e verão. Enquanto isso, o aroma lembra um adocicado perfume de mulher que, com o vento, espalha-se pelas alamedas.

Esta árvore também tem outros cinco nomes: Macacarecuia, Castanha-de-macaco, Cuida-de-macaco, Amêndoa-dos-andes e Bola-de-canhão – devido ao fruto que pode pesar até cinco quilos e lembra uma bola de bilhar, porém maior.

As incidências mais comuns são no Acre, Amazonas e Pará.

Em Artur Nogueira, estima-se que ela tenha sido plantada há cerca de 30 anos por Pedro Guidotti, ou pelo pai do atual prefeito, sr. Zeno Capato, ou ainda por Atílio Arrivabene. “Mas o relato mais verídico é de que tenha sido plantada pelo Pedro Guidotti”, esclarece a professora Gabriela de Souza Carlstrom, que em 2013 criou o projeto Árvores da minha cidade e conheceu a história.

Procurado, Pedro Guidotti não foi encontrado.

Segundo a professora, a espécime foi enraizada no local quando Ederaldo Rosseti administrava o município. “Eu só não sei o porquê ela foi planta ali, porque ela não pode ser plantada em perímetro urbano de jeito nenhum.” Já que se o fruto preso ao tronco cair em alguém, pode até machucar.

De acordo com o Instituto de Química do Rio de Janeiro, além do tamanho, os frutos do abricó possuem uma substância chamada de índigo, usada como corante para tingir de azul as calças jeans. É devido ao índigo que a polpa do fruto, ao se quebrar, adquire coloração azulada. Mas em contraste ao doce cheiro das flores, ao cair, o fruto fica fedorento.

Arvore

Pela exuberância da árvore é comum que ela seja usada também em paisagismo. O Jardim Botânico no Rio de Janeiro, por exemplo, possui várias espécimes e, segundo a história, foram colocadas ali por Dom João 6 que a considerava uma “excentricidade das terras do Norte”.

Arvore

Irmã

“Mas tinha outra plantada na cidade”, conta aquele senhor que mora há 30 metros da árvore da Igreja. “Ficava na rua 15”. Para ele o outro abricó-de-macaco foi cortado devido a um Posto de Gasolina, mas não soube dar mais detalhes do por que.

Com explicações vagas sobre sua origem, a árvore segue colorindo o jardim da Igreja Matriz. Se suas sementes darão outras filhas, não se sabe. Que nas outras primaveras o cheiro adocicado pelas ruas dê esta resposta.

Arvore


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