02/11/2017

Saiba quais são os quatro túmulos mais curiosos do Cemitério de Artur Nogueira

Chica Benta, Túmulos das Chupetas, Nhá Fermina e os Túmulos Isolados carregam histórias e crenças

No Cemitério de Artur Nogueira existem quatro casos curiosos, que vivem despertando a atenção dos nogueirenses. As histórias que você vai conhecer a seguir são contadas pelos próprios funcionários do Cemitério, familiares e moradores antigos de Artur Nogueira. Confira:

Uma senhora chamada Francisca Maria de Jesus, mais conhecida como dona Chica Benta, era uma antiga benzedeira da cidade. Dona Chica era uma pessoa muito carismática e popular, que sempre fazia o bem e atendia a todos. Ela benzia as pessoas com a imagem do Divino Espírito Santo, do qual era muito devota.

Certo dia, ao tentar sentar em uma pequena cadeira, a velha senhora se desequilibrou e caiu no chão, vindo a quebrar o fêmur. Chica teve que ser internada no Hospital da Unicamp, em Campinas, durante um dia, mas não resistiu e veio a falecer.

Dona Chica morreu aos 83 anos de idade. Segundo familiares, a benzedeira morreu com a aparência saudável e sem passar por nenhum sofrimento.

O enterro aconteceu em uma tarde ensolarada do dia 26 de junho de 1993 e atraiu muitas pessoas, entre conhecidos e familiares. Contam várias testemunhas que no momento da despedida um pombo de cor branca desceu até o buraco da sepultura e pousou em cima do caixão de Dona Chica.

Todos que estavam presentes ficaram admirados com a atitude da ave, que bicava a madeira do caixão, como se quisesse tirar o corpo da senhora do local. Um homem teve que entrar na cova e espantar o pássaro, para que o enterro pudesse prosseguir. O pombo ficou ao lado e após o sepultamento voou.

Hoje em dia, muitas pessoas vão até túmulo com a esperança de receber alguma graça de Chica Benta. A benzedeira teve três filhas, duas morreram e uma, ainda viva, conhecida por muitos como Dona Madá, segue os passos da mãe, benzendo as pessoas que a procuram.

Devido à popularidade de Chica, uma rua no bairro Egídio Tagliari ganhou o nome da benzedeira. O cantor Joaquim Salustiano, que hoje integra a dupla Noguerito e Nordestino, gravou uma música especial, que narra a história da velha senhora.

Em cima da sepultura de um garoto existe uma cesta cheia de chupetas. Toda semana várias pessoas vão até o local, depositam mamadeiras e chupetas de crianças que tem dificuldades em largar o objeto.

Segundo a crença, quem pede ao menino que os filhos deixem de chupar a chupeta tem o pedido atendido.

O garoto se chamava Wanderley Sia. Nascido em 1954, morava com os pais, Josefa e Pedro, na avenida Dr. Fernando Arens, quase de frente para a igreja Matriz Nossa Senhora das Dores.

Wanderlei era um menino esperto, inteligente, querido por todos, mas que não conseguia deixar de chupar chupeta. Com nove anos, o menino não desgrudava do objeto. Mania que mais tarde tiraria sua vida.

Em janeiro de 1963, o garoto, junto com a família, viajou para a praia de Santos para curtir as férias. Como sempre, Wanderlei não largava em nenhum momento da chupeta, para onde o menino ia, lá estava grudado com o objeto.

No dia 11 de janeiro, o garoto saiu para passear a pé com os pais e sem querer acabou perdendo sua chupeta. Sem conseguir encontrar o objeto, sua mãe tenta acalmá-lo dizendo que compraria outra quando encontrasse uma farmácia.

Na angústia de querer encontrar uma nova chupeta, o garoto avista uma padaria do outro da rua, larga as mãos da mãe e entra no meio da avenida. Em um momento trágico, um táxi vem em alta velocidade e atropela o garoto. Wanderlei morreu no local, aos nove anos de idade. Embora tenha sido jogado do outro lado pelo veículo, o garoto não derrubou nenhuma gota de sangue.

Por fim, aquilo que dava tanto prazer para o menino, acabou tirando sua vida. Hoje, 50 anos após sua morte, o garoto é tido por muitos nogueirenses como um anjo.

Todas as semanas, cerca de cinquenta chupetas e mamadeiras são deixadas em seu túmulo, como oferendas. Muitos acreditam que quando uma criança não consegue deixar de chupar chupeta ou mamar mamadeira basta pegar o objeto da criança e deixar na sepultura de Wanderlei, que ele se encarrega de atender ao pedido.

Outro caso curioso é o de três túmulos que existem do lado esquerdo da principal entrada do cemitério. São três sepulturas afastadas das demais. Acredita-se que as pessoas que foram enterradas no local morreram na época com doenças infectocontagiosas e, por isso, até hoje, a terra não pode ser mexida, nem ao menos algum corpo ser enterrado ao lado desses túmulos.

Há aproximadamente cem anos, um homem chamado José Francisco Paes comprou uma propriedade de 40 alqueires, próximo ao bairro Muniz, entre as cidades de Artur Nogueira e Limeira.

As terras não passavam de uma invernada, uma espécie de pasto com árvores. No lugar havia um rio que cortava a propriedade. É nesse ponto do sítio que a nossa história começa.

Ao comprar as terras, o senhor Paes junto com a esposa, Maria Madalena Barbosa e seus filhos, se deparou com uma estranha surpresa: descobriu que uma senhora vivia no sítio há muito tempo.

Nhá Fermina, como ficou conhecida, era uma velha mulher negra, que fazia do sítio seu lar. O mais estranho é que ela não tinha uma casa, barraca ou qualquer outro tipo de abrigo, ela simplesmente morava no meio do mato.

Não plantava nada, muito menos comprava. Seu alimento era colhido na própria natureza quando sentia fome.

Comovido com a situação, o senhor Paes decidiu ajudar a senhora, construindo uma humilde casa para abrigá-la. A construção foi feita de pau-a-pique e sapê. Possuía apenas dois cômodos. Em um deles havia um fogão à lenha, que nunca foi aceso. Nhá tinha medo de fogo. Não gostava de nada que ela mesma não tivesse feito.

O proprietário do sítio cuidava da senhora misteriosa. Tanto que pedia para que seus filhos a visitassem pelo menos uma vez por semana, para ver se tudo estava bem.

A tarefa não era fácil, pois era preciso passar por toda a propriedade e depois se equilibrar sobre uma velha pinguela, uma pequena ponte sobre o rio, para chegar a casa de Nhá.

Todo domingo, os filhos e netos do proprietário levavam comida, sabão feito em casa e roupas. Mas tudo era em vão. Nhá não gostava de nada daquilo, nem usava nada. “Preocupávamos-nos com ela, mas ela gostava das coisas feitas por ela mesma” comenta a neta do senhor Paes, Luzia Maria Delgado, na época com nove anos, hoje com 79.

Nhá gostava da cor branca, usava em sua cabeça um lenço da mesma cor. Nunca cortava o cabelo, muito menos tomava banho.

Certa vez, fez um pequeno cercado de bambu dentro de sua casa, onde criava um galo. “Ela não dava milho para a ave, até mesmo porque não tinha, tratava o galo com frutas”, comenta Luzia.

A neta ainda lembra que de tanto a ave bicar o bambu, acabou entortando o bico. Quando falavam para a velha senhora comer o galo, ela resmungava afirmando que não.

Assim foi a vida da família Paes naquele lugar por um bom tempo. Até que em um dia de visita, Luzia, acompanhada por sua mãe, encontrou Nhá deitada na cama muito mal. Desesperada, a pequena pegou o cavalo e foi buscar algo para dar à senhora.

Na volta trouxe caldo de feijão e conseguiu a tempo alimentar Nhá. Vinte minutos depois, Luzia e sua mãe, presenciaram a morte da velha misteriosa.

A própria família Paes comprou o terreno onde está sepultado o corpo de Nhá, no cemitério de Artur Nogueira.

Depois de mais de sessenta anos de sua morte, Nhá ainda continua presente na vida de muitos nogueirenses. Considerada por alguns como uma verdadeira santa, a velha possui o túmulo mais visitado do cemitério. “Precisava fazer uma cirurgia urgente, colocar uma prótese em meu braço. Foi quando passei pela sepultura de Nhá e notei que seu túmulo estava muito sujo e feio, arrumei e fiz uma promessa. Quando retornei ao médico, fui informado que estava curado” comenta o aposentado Renê de Mello Marcelino, que desde 2002 cuida do túmulo de Nhá.

A velha senhora atrai fieis de toda a região. Relatos de cura de câncer e pessoas que conseguiram empregos são algumas das graças alcançadas. Difícil conseguir entender como uma senhora conseguiu viver durante tanto tempo. Segundo a própria lápide, Nhá viveu 140 anos.


Comentários

Não nos responsabilizamos pelos comentários feitos por nossos visitantes, sendo certo que as opiniões aqui prestadas não representam a opinião do Grupo Bússulo Comunicação Ltda.