22/06/2018

Rica vitória

Com vitória, Seleção Brasileira encaminha a classificação

Michael Harteman

O primeiro tempo da Seleção Brasileira contra a Costa Rica parecia a continuação do primeiro jogo. Embora taticamente bem organizado, o time não conseguia criar no último terço de campo. O medo de ficar fora das oitavas de final, algo que nunca aconteceu, parecia deixar os jogadores acanhados. Neymar, diferentemente do primeiro jogo, se aproximou da área, buscou o jogo coletivo, mas nenhum fruto de qualidade saiu de seus pés na primeira etapa. O clima de apreensão tomou conta do ambiente, sem falar nos sustos que a Costa Rica provocou em alguns contra-ataques.

No primeiro tempo, as tentativas foram quase sempre pelo lado esquerdo. Marcelo, Neymar e Coutinho se procuravam por esse setor. Do lado direito, Willian não tinha com quem jogar. Fagner se apresentou pouco e o atacante do Chelsea não fez muito individualmente. Na primeira metade, Gabriel Jesus não viu a cor da bola e o jogo não viu Gabriel Jesus. A falta de inspiração do time no setor ofensivo foi tão grande que, dos sete chutes a gol, apenas um foi em direção à baliza.

A preocupação e o medo de sair do segundo jogo do mundial sem vitória era tão grande que Tite mudou suas convicções. O treinador é conhecido por jamais montar um time que nunca treinou e jogou junto. A necessidade fez a escrita cair. Fez o óbvio no intervalo: tentou ajustar o improdutivo lado direito. Saiu Willian para entrar Douglas Costa. No entanto, a mudança de postura do treinador veio na segunda substituição. Tirou Paulinho para colocar Firmino. Não é uma crítica, é só um fato: o Brasil jogava pela primeira vez com os quatro atacantes. As mudanças fizeram efeito, e o time passou a criar como deveria ter feito desde o início da partida.

Mas o que vale é gol, bola na rede. Isso não vinha. Podemos reclamar de tudo, menos do árbitro de vídeo, que nos salvou de ganhar a partida com uma injustiça. Aquilo não foi pênalti. Neymar sentiu a mão na barriga e se inclinou para trás. Aliás, se teve alguém que mandou bem na partida, esse alguém foi o holandês Bjorn Kuipers, árbitro que acertou em todas as decisões. Nos 20 minutos finais, o desespero começou a acontecer. O cai cai era da Costa Rica. A placa levantada de seis minutos de acréscimo anunciava o vexame.

O gol veio num biquinho de Coutinho. No sufoco. A casa da Costa Rica caiu, e agora ela tinha que sair pro jogo. Cenário perfeito para o segundo gol. Neymar meteu pra dentro. Provavelmente, se o Brasil fizesse um gol mais cedo, teria construído um placar elástico na seleção adversária. As linhas defensivas causaram muitas dificuldades para o Brasil. O que se esperava da seleção na segunda partida era um time mais leve, com profundidade, criatividade. Não aconteceu.

O Brasil tá devendo. Tite vai ter que criar um bom Plano B ao longo da competição. Para a sexta estrela aparecer no peito é preciso que apareça algo que a seleção ainda não apresentou nesse mundial. Tudo bem, até o momento não houve muitos times que encheram os olhos. Por outro lado, fica evidente que a equipe amarela não largou bem, tá patinando. O momento para ajustar está acabando. A Copa do Mundo costuma não perdoar qualquer lentidão para resolver os problemas de dentro do campo. Nós sabemos bem disso, e como sabemos.

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