25/11/2010

Reforma da Câmara Municipal vai parar na delegacia

Vereador faz BO relatando venda ilegal de materiais retirados do antigo prédio. Funcionário diz que material não passava de entulho e que tinha permissão para jogar fora

O vereador Cristiano Francisco Conde (PSDB) fez um boletim de ocorrência relatando que doze janelas do antigo prédio da Câmara Municipal de Artur Nogueira, que foi demolido recentemente, foram vendidas de forma ilegal. Segundo Conde, as janelas fazem parte do patrimônio público e não podem ser vendidas sem uma decisão coletiva de todos os vereadores. “Recebi algumas ligações anônimas, denunciando que alguém havia  vendido as janelas, portas, telhas e portão dos fundos do antigo prédio e ficado com o dinheiro” afirma Conde.

Ainda segundo o vereador, ele próprio foi atrás das janelas e acabou encontrando-as em um depósito de materiais para construção. “Achei as janela e tive a confirmação do próprio comprador que adquiriu o material por 200 reais” afirma Conde.

Em conversa com o proprietário do depósito de materiais para construção, Sr. Expedito Fernandes, de 70 anos, no final de setembro um dos funcionários da obra foi até o seu estabelecimento e ofereceu as janelas. “Eu passei na rua da Câmara e vi as janelas jogadas na caçamba, mas não peguei nada, passados alguns dias me procuraram e ofereceram o material, como era de meu interesse fui atrás e comprei tudo por 200 reais, paguei a vista” afirma Fernandes.

Segundo o responsável pela obra, Carlos Ap. Soares Dias, as janelas eram lixo e não tinham nenhuma utilidade. “Tiramos as janelas do antigo prédio e, sem saber o que fazer com o material, perguntei ao presidente da Câmara e ele disse que aquilo era lixo e poderia ser jogado fora” afirma Dias.

O presidente da Câmara, José do Carmo Rissi (PSDB), confirmou a versão do mestre de obras. “O Carlos me perguntou o que poderia fazer com as janelas, como estavam velhas, permiti que fossem jogadas no lixo, aquilo é cacareco velho, não tem serventia nenhuma” afirma Rissi.

Já o vereador Conde afirma que nenhum material de obra pública deve ser vendido, seja ele qual for seu estado, sem antes passar por uma avaliação. “Se fosse para vender, que reunisse todos os vereadores e juntos decidissem o futuro do dinheiro, que poderia ser revertido a entidades da cidade” afirma Conde.

No período em que as janelas ficaram no depósito, algumas chegaram a ser vendidas. “Como pensei que não haveria nenhum problema, vendi uma, duas janelas” revelou o proprietário do depósito.

Ainda segundo Fernandes, o mestre de obras devolveu 180 reais para ele, depois que a polícia recolheu as janelas que restaram.

A polícia civil está investigando o caso.

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