01/08/2012

POLÍTICA: Até que ponto os estudos interferem na gestão pública?

36 candidatos de Artur Nogueira possuem Ensino Fundamental incompleto

Quézia Amorim

De acordo com dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, dos 156 candidatos cadastrados que estão disputando cargos políticos em Artur Nogueira, 36 possuem Ensino Fundamental incompleto. Esse número corresponde a 23,07% do total de candidatos da cidade. Entre esses 36 candidatos que não concluíram o Ensino Fundamental, um concorre ao cargo de vice-prefeito e os outros 35 disputam cargos de vereadores.

Povo-fala

A atendente de loja, Alba Freire Cunha, diz que a falta de algum tipo de ensino pode comprometer a gestão de um político e que, por se tratar de um cargo importante, é necessário que a pessoa tenha estudo completo. “Se até para recrutar uma vendedora tem que ter o segundo grau completo e conhecimentos um pouco mais avançados, como o de informática, imagine a situação de um político, que cuidará dos interesses do povo. Existem palavras que gente estudada não entende, imagine uma pessoa sem estudos”, alerta a atendente.

Para a vendedora Eliane Francisco, além do estudo, é importante também que o candidato tenha preparo. “Eu acho que um político deveria passar por um tipo de preparação, quem sabe até um tipo de teste. A política tem que ser vista com seriedade, não pode ser bagunçada. Eu acho que deveria haver condições para um candidato se eleger”, sugere Eliane.

O agenciador Wenell Pereira Bastos diz que “a pessoa, quando é estudada, tem a cabeça mais aberta e é mais entendida”. Bastos ainda completa dizendo que a escola fornece referências teóricas que auxiliam na compreensão dos assuntos. “Não querendo menosprezar os que não concluíram o Ensino Fundamental, mas quando existem termos teóricos que, por exemplo, uma pessoa estudada não consegue discernir, ela tem uma referência e uma ideia mais abrangente, diferente de um que não tenha estudo, que terá muito mais dificuldade em saber e talvez nem saiba se expressar corretamente”, explica o agenciador.

O pedreiro João Martins da Silva entende que a questão é relativa quando se trata da prática, mas o estudo se torna necessário em ocasiões importantes. “Depende muito do que o político for fazer, porque existem coisas que podem ser feitas e aprendidas na prática, digo isso a exemplo da minha profissão. O político, tendo um pouco de estudo, ele no mínimo vai saber agir em cima da necessidade da população, ele vai saber se expressar numa assembléia, por exemplo,” destaca Silva.

Conhecimento popular X Conhecimento científico

Para o sociólogo Marcos Eduardo Lima “o estudo formal é apenas um dos elementos que podem diferenciar um candidato de outro. Assim, uma boa educação moral e experiência de vida, podem ser mais determinantes para o sucesso em uma função política do que propriamente a educação formal. Alguém pode ter formação universitária e ser desonesto, corrupto e mal intencionado, e faria mais mal à sociedade que um analfabeto honesto e realmente interessado no bem público. Isto é evidente quando se vê a formação de muitos políticos que comandam a república brasileira. Não se pode desprezar, sobretudo a experiência prática na liderança, na administração e no contato com a sociedade, requisitos essenciais ao verdadeiro líder político. Isto não é um argumento para se desprezar os valiosíssimos benefícios de uma sólida formação acadêmica”, explica o sociólogo.

Lima ainda diz que ao entrar em contato com o ambiente escolar, a pessoa se depara com a presença do choque entre o conhecimento popular e o conhecimento científico. “O primeiro é fruto da observação e da transmissão popular, nem sempre refletida e na maioria das vezes sem a validação do teste. Logo, o conhecimento científico é muito importante, pois é um conhecimento validado por testes e por outros cientistas, se tornando assim um conhecimento essencial para o desenvolvimento da sociedade. Quanto mais estudo, maior o repertório de conceitos, mais oportunidade de se entender os problemas e maior capacidade de solução”, esclarece o sociólogo Marcos Roberto Lima.


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