30/01/2019

Nogueirense relata dias de aflição presenciados em Brumadinho

Bruna Janini e a mãe estavam há cerca de dois quilômetros do local afetado pelo desastre

Diego Faria

Uma nogueirense que se mudou atualmente para Minas Gerais relata ter presenciado a movimentação de equipes de segurança e de resgate em Brumadinho (MG), cidade atingida pelo rompimento da barragem da Vale. Segundo relato, ela e a mãe haviam permanecido impossibilitadas de deixar o município mineiro afetado pela tragédia, tendo que aguardar a liberação de estradas da região.

Foto: AP Photo/Andre Penner

O desastre ambiental que afetou a vida de centenas de pessoas em Brumadinho (MG), tirando a vida de muitos moradores da localidade, ocorreu na última sexta-feira (25). Na noite desta terça-feira (29), conforme informações atualizadas das autoridades, já foram confirmadas a morte de 84 pessoas. Além disso, 276 ainda estão desaparecidas e 192 já foram resgatadas. Equipes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Militar (PM), médicos de vários estados brasileiros e oficiais israelenses trabalham em prol das buscas.

Bruna Janini é nascida em Artur Nogueira. Atualmente, ela está residindo em Belo Horizonte (MG), mas na fatídica última sexta-feira (25), dia em que ocorreu o rompimento da barragem da Vale (reservatório I da Mina Córrego do Feijão), ela e a mãe estavam em uma fazenda situada em Brumadinho (MG), a apenas dois quilômetros do local afetado pela lama de dejetos da mineradora. Bruna relata que a rotina nos municípios mineiros daquela região teve uma drástica mudança após o desastre que ganhou repercussão internacional.

“Um clima muito tenso. Contei uns 40 helicópteros no ar indo e vindo durante as buscas, muita movimentação de ambulâncias e carros de polícia nas estradas. Existem pessoas ligadas aos moradores da fazenda em que eu estava, pertencente à minha patroa com quem trabalho em BH, que ainda estão desaparecidos”, constata.

Imagem ilustrativa

Bruna recebeu a notícia sobre o dano causado na cidade ainda na sexta-feira (25) – data da tragédia – através de uma caseira que também trabalha na propriedade rural onde ela estava. O acesso às estradas e o transporte na região metropolitana da capital Belo Horizonte (MG) estiveram comprometidos até que a situação começasse a ser apurada pelas autoridades.

A nogueirense e a mãe dela precisaram permanecer restritas à fazenda, tendo a possibilidade de sair da propriedade apenas um dia depois do ocorrido, quando o tráfego e acesso das vias começaram a ser liberados.

“Quando recebemos a informação de que haviam liberado estradas e que as linhas de ônibus estavam começando a funcionar novamente, foi que resolvemos sair da fazenda. Em uma estrada vicinal que dá acesso à Belo Horizonte (MG) e ao centro de Brumadinho (MG), vimos equipes em várias ambulâncias, carros de resgate animal e caminhões pipa. Era nítido a aflição no rosto dos que trabalhavam no resgate das vítimas. Além dessa movimentação tinham também muitos voluntários com carros, pessoas coletando alimentos e água para colaborar com as famílias que conseguiram escapar”, reitera.

A jovem deve permanecer morando em Belo Horizonte (MG) – município localizado a 57 quilômetros de Brumadinho (MG) – onde trabalha em uma loja de produtos alimentícios. Parte das mercadorias que ela comercializa são produzidas na fazenda de Brumadinho (MG), onde ela e a mãe estavam, na zona rural da cidade. A propriedade está sendo utilizada para receber pessoas desabrigadas por causa da tragédia. Já a mãe dela, que reside em Artur Nogueira, já conseguiu deixar o estado mineiro e retornou para o município nogueirense.

“Só de estar perto de onde ocorreu tudo nos deixou muito tensas. Temos todos que continuar a orar por essas pessoas e famílias. É triste saber que por trás de tudo isso existe o egoísmo daqueles que só pensam em dinheiro e na exploração da natureza. Eu estou bem e minha mãe também, mas é muito triste essa realidade”, reflete.

As buscas das equipes de resgate em Brumadinho (MG) já alcançam o 6º dia nesta quarta-feira (30). No decorrer dos dias, os noticiários nacionais deverão atualizar o resultado do trabalho desempenhado no município mineiro.

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