15/02/2016

Jovens são agredidas por rapazes no centro de Artur Nogueira

Uma das vítimas foi conduzida até o Pronto-socorro e terá que passar por cirurgia

Por Isadora Stentzler

Quatro jovens foram agredidas por um grupo de rapazes na última noite de carnaval em Artur Nogueira. A agressão aconteceu na rua Santo Antônio, próximo à Igreja Matriz, perto da meia-noite. Três suspeitos foram levados à Delegacia, mas liberados na sequência. Uma das jovens teve o nariz e um osso da face quebrados. Segundo às vítimas houve negligência no atendimento policial.

De acordo com Gabriela Silva dos Santos, de 18 anos, ela e mais duas amigas se dirigiam pela Avenida Fernando Arens sentido à igreja por volta da meia-noite quando um grupo de rapazes às abordou com cantadas. Eles teriam as chamado de “gostosas” e tentado uma aproximação. Gabriela conta que as meninas revidaram, pedindo respeito, e seguiram.

Minutos depois elas encontraram Jhenifer Passuelo, de 18 anos, e sentaram na escadaria lateral da igreja, onde conversaram. Nesse momento oito rapazes teriam aparecido. “Um deles disse: Você lembra de mim? Quando eu olhei ele me deu um soco e eu caí no chão, desmaiada”, lembra Gabriela, que teve o nariz e um osso da face quebrados.

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Montagem feita por vítima. Na foto, Gabriela após levar o soco.

As outras jovens tentaram revidar a agressão, mas também foram violentadas pelos rapazes que após desferir socos e chutes nas jovens, fugiram.

De acordo com Jhenifer, as amigas pediram auxílio a um posto policial próximo à Matriz, mas não foram atendidas. “A gente subiu na base móvel. Pediu ajuda e eles falaram que não podiam ajudar e se quer deram o número da ambulância. A gente mesmo ligou e mandou ela pro hospital”, lembra.

Uma prima de Gabriela foi chamada para acompanhar a vítima que só recobrou a consciência dentro da ambulância. “Quando acordei estava perdendo o ar. Não conseguia respirar. Estava apavorada”, conta Gabriela, sustentando que não recebeu nenhum socorro da polícia.

Enquanto a jovem foi encaminhada ao Hospital, as outras vítimas voltaram pelo centro de Artur Nogueira quando viram uma viatura enquadrando três rapazes. Os mesmos foram identificados pelas jovens como participantes da agressão. Jhenifer disse que neste momento perdeu o controle e correu em direção a eles para agredi-los. A polícia teria tentado controlar a jovem, dizendo que ela estava errada e contestando sua versão sobre a agressão. “E eu questionei a ação da polícia”, conta Jhenifer. “Xinguei muito e falei vários palavrões. Estava nervosa. Até disse para o policial tirar a farda porque se eu colocasse faria melhor.” Segundo ela, foi quando mostrou as fotos da Gabriela sangrando que entraram em acordo de levar os rapazes para a Delegacia.

Jhenifer também foi encaminhada com eles para assinar um Boletim de Ocorrência por desacato.

Dois dos três jovens eram menores de idade, mas nenhum deles foi preso.

Segundo as vítimas a sensação que fica é de impunidade e descaso. “Não deu em nada. Viram que meu nariz estava todo arrebentado e liberaram os meninos”, desabafa Gabriela, que nesta segunda-feira (15) agendou uma cirurgia a laser para reparar as marcas da violência.

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Já para Jhenifer voltar às ruas após o ocorrido tomou um outro tom. “Sexta-feira estava sentada com uma amiga no banco da praça e passou um carro e tive medo. Eu estou traumatizada. Vi que não tenho força nenhuma. Porque com um soco o cara destruiu a cara da minha amiga”, desabafa.

Nas redes sociais, uma outra vítima, Maria Heloíza, publicou o relato. O post já teve mais de 600 curtidas e 40 compartilhamentos. Nele a jovem fala sobre os problemas enfrentados por mulheres em ambientes festivos e mesmo na rua, quando são alvo de cantadas e têm sua liberdade limitada devido aos homens que as assediam. “Nós, mulheres, estamos vivendo tempos de fim. Porque tudo está se acabando pra gente: as vontades, as alegrias, os amores, os prazeres… Porque depois de tudo que presenciei e senti, sei dizer o quanto isso é revoltante, um grupo de homens agredir um grupo de mulheres, quebrar o nariz de uma amiga, dar uns chute nas outras, socos, e depois sair correndo”, denunciou.

Procurada, a Polícia Militar disse que ainda deve emitir uma nota comentando o caso.

Ano passado o Portal Nogueirense fez uma matéria sobre o assunto:

Vídeo: mulheres opinam sobre assédio nas ruas de Artur Nogueira


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