12/06/2016

Há 73 anos casados, moradores de Artur Nogueira relembram o dia que fugiram para viver um amor

Sebastião e Ida casaram em 1943. Ela fugiu com ele e até a polícia foi chamada. Um amor que resultou em 12 filhos e uma linda história de união, respeito e relacionamento.

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Dia dos Namorados. Comemorado neste domingo (12) no Brasil, por anteceder o dia 13 de junho, Dia de Santo Antônio, conhecido por ser o santo casamenteiro, a data costuma evocar as mais variadas reações – inclusive em quem não têm namorado(a). Para alguns, a data pede um programa especial, como um passeio ou um jantar romântico. Outros preferem comemorar de maneira mais reservada, talvez com um bom filme ou simplesmente aproveitando a companhia da pessoa amada. De qualquer maneira, o Portal Nogueirense decidiu celebrar este dia especial com uma entrevista que, mesmo sendo o amor algo tão subjetivo, mostra o quão duradouro pode ser este sentimento.

Em tempos onde relacionamentos duram pouco mais do que uma lua de mel, achar um casal que esteja junto há mais de 50 anos parece tarefa difícil. E um casal que esteja junto há 73 anos? Impossível? Não em Artur Nogueira.

Três dias antes da Batalha de Kursk, famoso confronto ocorrido na antiga União Soviética no ápice da Segunda Guerra Mundial, mais precisamente no dia 20 de julho de 1943, unia-se em matrimônio Sebastião Cardoso de Oliveira Filho com Ida Luzia Benatti, ambos na época com pouco mais de 18 anos. Hoje, com 91 anos, os dois exibem mais do que nunca que aquele amor nascido há mais de 70 anos continua o mesmo. Nesta entrevista especial, Sebastião e Ida revelam alguns detalhes de como tudo começou.

Tanto Sebastião quanto Ida nasceram em Mogi Mirim, mas foram se conhecer bem longe da região. Primeiro foi a família dele que se mudou para um sítio em Sertanópolis, interior do Paraná. Depois, sem nenhum tipo de conhecimento ou combinado, a família de Ida foi para o mesmo lugar.

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Ficaram vizinhos de sítio. Apenas vizinhos, pois o pai de Ida era um homem muito rigoroso e que não permitia que as filhas sequer conversassem com outros homens. “Meu pai era um italiano bravo, que não gostava de brasileiros”, lembra a senhora. Mesmo sem a permissão do pai, Ida namorava um rapaz escondido e que era, inclusive, amigo de Sebastião. “Não era como o namoro de hoje, naquela época não tinha esse negócio de ficar beijando não, havia muito respeito”, aponta Ida.

Sebastião, nada devagar, já tinha segundas intenções. “Sempre gostei dela, mas não tinha como me aproximar. Primeiro porque o pai dela era muito bravo, segundo porque eu achava que ela gostava de outro”, confessa, com a agilidade de um garoto.

Mesmo com o cenário totalmente contra, o destino exerceu seu implacável papel e ajustou os eixos da vida dos dois. A primeira coisa que aconteceu, para a felicidade de Sebastião, foi a mudança do namorado de Ida para São Paulo. “Ele teve que se mudar para resolver umas coisas, mas deixou bem claro que ia voltar e se casar comigo”, explica dona Ida, sem nenhum tipo de remorso. O então namorado não voltou a tempo, mas algo que marcaria para sempre a vida de Sebastião aconteceu: a família da moça decidiu também se mudar para São Paulo.

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Na noite da mudança, com todas as malas e pertences em cima do caminhão, Sebastião chega escondido e revela seu amor a Ida, pedindo para que fuja com ele. Sem hesitar, Ida aceita.

Os dois fogem na mesma noite para a casa de uma das irmãs de Sebastião e lá permanecem escondidos. A família, na procura da moça, decide chamar a polícia, que acaba encontrando o casal. Sebastião vai preso e Ida vai para a casa de alguns amigos a fim de se proteger do pai, que decide deixá-la e ir para São Paulo. “Se meu sogro nos encontrasse era bem capaz de nos matar”, lembra Sebastião.

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Os dois se casaram no dia 20 de julho de 1943, há quase 73 anos. Casaram na igreja, mas sem festa, até porque a família da noiva não estava presente, possivelmente sem saber da união dos dois. “No começo foi muito difícil, não tínhamos nem casa para morar. Trabalhávamos todos os dias, podia fazer chuva ou sol”, lembra a mulher.

Após o casamento, Ida ficou afastada da família. Levou uma década para a reconciliação. “Meu pai foi na casa onde morávamos depois de dez anos do meu casamento. Naquele dia ele nos acolheu e disse que era para nós, eu e meu marido, arrumarmos as coisas e nos mudássemos perto dele.

Sebastião e Ida viveram no Paraná por mais 16 anos, depois mudaram para um sítio em Mogi Mirim e, posteriormente, para Conchal. Somente depois vieram para Artur Nogueira, onde vivem até os dias de hoje. Tiveram 12 filhos, dos quais dez estão vivos.

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Durante a conversa, que aconteceu na sala da casa do casal, Ida falou da aliança que ganhou do marido. “Ele mesmo a fez! ”, afirma. Imagine duas alianças de ouro normais, perfeitas, com o brilho que somente uma original pode ter, mas que foram confeccionadas artesanalmente pelo marido. “Peguei moedas que tinha e fui batendo com o martelo até elas ganharem a forma de anel, demorou bastante para chegar a perfeição”, afirma o marido enquanto brinca com o papagaio do casal, responsável por arrancar risadas de todos durante a conversa.

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Perguntado se ainda acha a esposa bonita, Sebastião escolheu bem as palavras. A senhora muda de expressão e se atenta ao que o marido vai responder. “Sempre achei minha esposa linda, mas existem mais bonitas que ela, assim como existem homens mais bonitos do que eu. Para mim é ela. Perfeita para mim. É isso que importa. Esta mulher que está aqui é a única que eu tive em toda minha vida”, afirma Sebastião. Dona Ida sorri, como quem diz aliviada e ao mesmo tempo orgulhosa pela resposta do marido.

Mas o que faz um relacionamento durar tanto tempo? Ida faz questão de responder: “É o respeito. Amar é querer o bem do outro. É se preocupar e estar sempre presente”, diz.

Após mais de 70 anos de união dividindo o mesmo lar, Sebastião diz que o casal nunca brigou. “Não ficamos um sem o outro. Em todo esse tempo, a única vez que fiquei longe dela foi em uma ocasião em que tive que ficar internado no hospital. Mas foi só por quatro dias”, diz.

Antes de ir embora, dona Ida faz questão de dizer, em tom de agradecimento ao esposo: “Ele sempre fez tudo por mim. Hoje, ele lava a louça, arruma a casa, faz a comida, me ajuda em tudo”, diz a senhora.

Sebastião diz que tem muito medo de perder a mulher, mas diz que Deus sabe muito bem o que faz. “Se Deus levar ela primeiro, peço a Ele que me conforte e se me levar, que dê forças para que ela continue sua vida”, diz emocionado, claramente achando pouco os 73 anos de história junto da companheira.

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