25/08/2017

Feiras livres geram mais de 500 empregos em Artur Nogueira

DIA DO FEIRANTE: Município possui o segundo maior número de agricultores familiares de toda a Região Metropolitana de Campinas (RMC)

Alysson Huf

Frutas frescas, legumes coloridos, verduras suculentas. As feiras livres de Artur Nogueira enchem os olhos de quem as frequenta. Mas a experiência de ir até uma delas não se limita a agradar a visão: há o cheiro dos temperos, o ruído típico das conversas e das ofertas de vendedores, os produtos que podem ser manuseados e, claro, o clássico pastel da feira – além de muitas outras opções de lanche.

Se para o consumidor a feira é uma oportunidade de adquirir alimentos frescos a, geralmente, preços mais acessíveis, para os feirantes, ela é um meio de subsistência, ou seja, a garantia de que a família terá o que comer no fim do dia. De acordo com Roberto Mauro, presidente da Associação dos Feirantes e Ambulantes de Artur Nogueira (Afaan), as três edições semanais do evento geram centenas de empregos diretos e indiretos.

“Na feira, nós somos mais de 500 pessoas envolvidas, entre feirantes, famílias e funcionários”, afirma. Mauro, que também é produtor, emprega cinco funcionários na atividade, sem contar a esposa e filhos. “E tem feirante que trabalha com 20 funcionários. É muita gente”, acrescenta. Apesar disso, segundo ele, a situação nem sempre foi tão boa para os agricultores nogueirenses.

Mauro conta que, há alguns anos, só havia uma feira na cidade, a de domingo. Segundo a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Artur Nogueira, existem 336 agricultores familiares no município, num total de 3.290 hectares plantados. O problema é que, com apenas uma edição do evento por semana, a produção desses pequenos agricultores não encontrava saída.

“Os produtores rurais não tinham onde vender os produtos deles e não conseguiam aumentar a renda de seus sítios. Se sobrasse produto não vendido no domingo, não tínhamos como escoar”, explica o presidente da Afaan. Mesmo com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), por meio do qual os produtores fornecem alimentos às escolas públicas do município, a saída não era suficiente para dar conta da produção.

Dessa forma, Mauro procurou o então secretário de Agricultura, o Ambé, e solicitou a abertura de uma feira na quarta, próximo à Paróquia de Santa Rita. “E deu certo, foi muito bom, ajudou bastante os sitiantes. Eles conseguiram vender mais e melhorar a renda familiar”, comenta. Mas ainda não era o suficiente.

Moradores do Jardim Carolina solicitaram à Afaan a realização de uma feira no bairro também. Foi assim que surgiu a feira livre de sexta, que ganhou um novo endereço há poucas semanas. “E a minha intenção, se o prefeito me ajudar, é montar uma feira no Coração Criança para atender o povo de lá”, adianta. De acordo com o presidente da associação, as barracas dessa nova feira, se ela vier a existir mesmo, serão cuidadas por outros feirantes, não os que já atuam na cidade. “Vão ser feirantes novos, pois temos cerca de 90 pessoas na fila para participar das feiras”, informa.

Mauro afirma ainda que, até o ano passado, o projeto da feira no Coração Criança estava bem adiantado, e ela tinha até local definido: a Praça da Bíblia. “Até o poste e as tomadas a gente colocou lá, mas daí o Celso Capato (PSD) perdeu a eleição, e o projeto não foi mais para frente”, lamenta.

Segundo ele, o objetivo é que, no futuro, após a instalação de feira na Praça da Bíblia às quintas, os moradores do Blumenau também tenham uma feira, aos sábados. A ideia é instalar edições menores do evento, com poucas barracas, contudo em vários bairros. “E teríamos feiras de quarta a domingo. Esse é o projeto da Afaan”, completa.

Incentivo

Ciente da importância das feiras para a economia do município, a Prefeitura realiza algumas ações para colaborar com os 145 feirantes cadastrados no município e os agricultores familiares. Segundo a Assessoria de Comunicação do Executivo, essas medidas incluem a organização dos espaços das feiras, palestras sobre boas práticas no manuseio de alimentos e fiscalização contínua pelos órgãos públicos, como Vigilância Sanitária, Posturas e Secretaria de Agricultura, de Trânsito e a Guarda Civil Municipal.

O município também oferece suporte na conservação e melhoria de solo, com curva de nível, análise e interpretação de solo, orientação técnica sobre culturas, controle de pragas e doenças, apoio na regularização ambiental e fiscal das propriedades, acesso às linhas de crédito subsidiadas, elaboração de projetos técnicos e realização de atividades de capacitação.

Rosimaldo Magossi, secretário municipal de Agricultura, afirma que a feira livre é um ponto a mais para escoamento de mercadorias e agrega valor à produção dos agricultores familiares, gerando mais empregos e renda ao município. “De toda a Região Metropolitana de Campinas (RMC) ficamos em segundo lugar em números de agricultores, perdendo apenas para Campinas, que tem 342 agricultores familiares”, ressalta.

O prefeito Ivan Vicensotti (PSDB) também enfatiza os números de produtores nogueirenses. “Temos 336 agricultores familiares, e Campinas tem 342, uma diferença de 6 agricultores. Isso é motivo de orgulho para Artur Nogueira, e mostra que estamos no caminho certo para o desenvolvimento”, comenta.

Feiras

A feira livre de domingo acontece no período da manhã na Rua Duque de Caxias. A de quarta é realizada no Calçadão da Avenida XV de Novembro, a partir das 14 horas. E a de sexta movimenta os moradores do Jardim Carolina, na Rua Maria Francisca de Jesus, também a partir das 14 horas.

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