20/08/2018

Ermes Dagrela se defende de acusações de agressão

Presidente da Câmara afirma ter agido em legítima defesa após agressões verbais e físicas advindas de Rodrigo de Faveri (PTB)

Da redação

Nesta segunda-feira (20), o presidente da Câmara Municipal de Artur Nogueira Ermes Dagrela (PR) e o filho dele se pronunciaram ao Portal Nogueirense com relação a briga que houve entre ambos e o vereador Rodrigo de Faveri (PTB). De acordo com Dagrela, ele se defendeu de uma “iminente agressão verbal e física” após ter sofrido anteriores coações por parte de Faveri. O petebista nega qualquer ato de violência contra o presidente do Legislativo e o filho dele.

Dagrela afirmou que a confusão iniciou após ele sofrer pressões de Rodrigo de Faveri para assinar uma proposta de alteração na Lei Orgânica do município durante a 17ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal, ocorrida no dia 13 de agosto. A divergência a respeito do tema teria resultado em uma indisposição entre as partes.

“Há tempos eu vinha sendo coagido a assinar uma proposta legislativa. Foram diversas ocasiões vexatórias e humilhantes nas redes sociais e nos bastidores da política municipal para me obrigar a assinar um projeto de emenda à Lei Orgânica. O voto é meu e eu vou avaliar se devo ou não assinar. Na última sessão ele [Rodrigo de Faveri] tentava jogar a população contra a minha pessoa, dizendo que eu assinaria”, relatou o presidente.

O vereador declarou ainda que no dia anterior à confusão, ele e o filho haviam conversado com Faveri a respeito da assinatura da propositura, mas nada havia saído do controle. A importância da emenda diz respeito à concessão do Serviço de Água e Esgoto de Artur Nogueira (Saean), fato que pode ter motivado a desavença. “A Lei já está aprovada e não foi eu quem aprovei. Eu e a Zezé da Saúde não aprovamos a lei para concessão à privatização. Não vou assinar algo que possui erros, é minha responsabilidade fiscalizar”, pontuou Dagrela.

Na ocasião da briga entre Ermes Dagrela, o filho dele Ermes Dagrela Junior e, o vereador Rodrigo de Faveri, é possível notar pelas imagens do circuito de segurança da Câmara Municipal um resumo de tudo o que aconteceu. Pela manhã, o presidente da casa chega ao local e atende uma moradora. Em seguida, o filho dele se direciona à recepção e Rodrigo de Faveri o aborda. Ambos parecem ter discutido. Em seguida, Faveri deixa o local. Após alguns minutos, o presidente chega à recepção, onde o filho dele o comunica sobre a discussão e ambos saem do prédio na companhia de uma munícipe.

Na sequência, Faveri se aproxima em uma motocicleta, desce do veículo em direção às partes e as agressões se iniciam. “Instantes anteriores ao fato, eu havia tomado conhecimento que o vereador Rodrigo estava descontrolado e que havia discutido e ameaçado eu e meu filho na recepção da Câmara Municipal, tendo tentado levar a discussão para o lado externo da Câmara. Ao sair do prédio com meu filho e uma munícipe, acabei surpreendido pelo vereador que, de forma abrupta, parou a moto no meio da rua e desceu em minha direção, proferindo palavras de baixo calão e ameaçadoras. Naquele momento, tinha a certeza de que iria sofre agressão e, por um ato de legítima defesa, acabei repelindo a injusta e iminente agressão, o que também ocorreu instantaneamente com meu filho”, pontuou.

Após a confusão ter sido apartada por testemunhas, a Polícia Municipal chegou ao local e conduziu as partes à Delegacia de Polícia Civil para o registro da ocorrência e a representação das versões dos envolvidos. O vereador Rodrigo de Faveri sofreu um corte no rosto, o que resultou em lesões e sangramento.

Na unidade policial, Ermes e o filho dele também relataram lesões pelo corpo. “Meu filho, vendo aquilo, foi em minha defesa e usou a força física. Ele [Faveri] também reagiu. Não foi apenas agredido, ambos participaram dos fatos. Eu não apoio a agressão, foi um fato isolado. Eu não estava intencionado. Se eu estivesse, teria agredido ele no dia anterior. Isso não é do meu perfil. Devo desculpas ao povo nogueirense por ter sido envolvido em um ato triste de nossa política. Repito, não é do meu feitio nem de minha família se envolver em escândalos políticos, agressões físicas ou qualquer outra conduta criminosa. Conto com a compreensão do povo e estou à disposição da justiça para colaborar com a melhor e verdadeira elucidação dos fatos”, finalizou Dagrela.

O filho de Dagrela, Ermes Junior, também se pronunciou em defesa dele e do pai, alegando que não tinha a intenção de agir de tal maneira, mas que a atitude foi realizada por instinto de defesa. “Um dia antes do acontecido, a gente conversou com ele e estava tudo bem. No dia dos fatos eu o comprimente e ele insultou meu pai. Disse que não tinha medo da gente. A gente nunca ameaçou ele. Atravessamos a rua e eu disse para ele dizer para o meu pai o que ele havia dito para mim, daí ele desceu da moto e insultou o meu pai. Meu pai se defendeu e eu fui em defesa do meu pai. Eu sei que a agressão não se justifica, mas o meu instinto foi defender meu pai, eu sou humano”, declarou.

Versão de Rodrigo de Faveri

O vereador Rodrigo de Faveri se defendeu em relação ao ocorrido e às acusações. De acordo com o parlamentar, ele teria sido ameaçado por Ermes Dagrela e o filho dele dentro da sala de reuniões da Câmara de Vereadores, um dia antes da confusão.

“Na saída da Câmara, quando nas imagens aparece eu falando com o filho do presidente, eu apenas disse para ele – ‘aquela frase que vocês me disseram ontem, o que você quer nós queremos em dobro’ – eu não entendi. Foi isso o que eu disse para ele naquele momento. Eles se dirigiram a mim um dia antes, na sala de reuniões, com tapas na mesa e dedos apontados para a minha cara, me ameaçando. Eu também vou requerer essas imagens, pois o que eu tinha para dizer para eles, eu disse em público e em plenária, sem ser de portas fechadas, como eles fizeram”, exclamou.

Ainda não foi confirmado se a Câmara Municipal deverá instaurar uma Comissão de Ética para avaliar a conduta dos vereadores. Caso julgado, o fato pode resultar em quebra de decoro parlamentar.

Posicionamento de Ermes (PR) sobre a privatização do Saean 

Ao lado da então vereadora Zezé da Saúde (PR) – atual vice-prefeita -, Ermes Dagrela (PR) foi contra o processo que levaria a concessão do Serviço de Água e Esgoto de Artur Nogueira (Saean) em 2014. Anos depois, o assunto retorna à Casa de Leis, porém o presidente do Legislativo ainda não se posicionou em definitivo. Dagrela (PR) se limitou a dizer, por enquanto, que caso o edital do processo licitatório apresente erros, ele não será a favor da privatização da autarquia.

“Em 2013, por três vezes eu participei da impugnação da privatização do Saean. Hoje, se estiver errado o edital, eu estarei com o pessoal que está entrando junto ao Ministério Público”, afirmou o presidente da Câmara. Ele destacou ainda que não é vereador de oposição ou situação. “Sou vereador atuante e do povo e quero deixar minha marca. Pelos meus 1.182 votos irei analisar o edital, se tiver erro, darei minha posição”, corroborou.

Em entrevista ao Portal Nogueirense em 2016, Ermes (PR) foi indagado sobre como o atual prefeito Ivan Vicensotti (PSB) – recém eleito à época – deveria lidar com o assunto de uma possível concessão do Saean. A resposta do vereador foi enfática. “O Ivan deve nos apoiar na opinião de não privatizar o Saean. Lidando da melhor maneira em benefício da população”, disse.

Posicionamento de Faveri (PTB) sobre a privatização do Saean

A possibilidade da privatização da autarquia gerou diversas críticas e questionamentos por parte dos vereadores, sobretudo Rodrigo de Faveri (PTB). Durante a última plenária, parlamentares afirmaram que há uma maneira de se evitar a concessão: alterar a Lei Orgânica do município.

Até o momento, cinco vereadores se posicionaram a favor da medida. Mas, para que o projeto seja proposto, são necessárias sete assinaturas. O vereador Rodrigo de Faveri (PTB) se dirigiu à tribuna, estendeu um banner no púlpito com os dizeres “#ASaeanÉNossa” e fez um resgate histórico do órgão. Segundo ele, até 2001, a Água e o Esgoto de Artur Nogueira eram cuidados por um departamento da prefeitura, o qual recebia muitas reclamações referentes à qualidade e distribuição dos serviços.

No ano seguinte (2002), criou-se o Saean. O vereador resgatou que a concepção da autarquia foi aprovada em plenário de maneira unânime, profissionalizando a prestação das atividades de acordo com o legislador petebista.

De 2003 a 2013, o desenvolvimento do Serviço serviu de exemplo aos municípios vizinhos. “Visitavam Artur Nogueira com o intuito de aprender”. Mas, em 2014, a Casa de Leis mudou a Lei Orgânica e aprovou a possibilidade da concessão do Saean. “Nesse período vivia-se uma crise hídrica no Estado de São Paulo e a cidade estava à beira de faltar água”, lembrou.

Contudo, entre 2015 e 2016, houve o impedimento de maneira legal para que a concessão não acontecesse. “As chuvas voltaram e o abastecimento retornou gradativamente. Diante destes fatos, ressalto que o destino do Saean é nosso. O Saean é nosso! Não falo isso com fins eleitoreiros, mas falo de coração, pois ela faz parte da nossa cidade. Tenho certeza que assinando esse projeto, essa Casa de Leis vai entrar para a história, impedindo a privatização da autarquia”, enfatizou.

Cinco parlamentares já sinalizaram que irão lutar em defesa do Serviço de Água e Esgoto do município. São eles: Adalberto Di Lábio (PSDB), Davi da Rádio (DEM), Lucas Sia (PSD), Rodrigo de Fáveri (PTB) e Zé Pedro Paes (PSD).

Assista ao vídeo das câmeras de monitoramento da Casa de Leis:

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