25/04/2015

ENTREVISTA: Zé Creme relembra passado e prevê futuro do Encontro de Motociclistas

Criador do Encontro de Motociclistas de Artur Nogueira relembra início e faz expectativa do evento para os próximos anos

IMG_6225“O Encontro de Motociclistas é o maior evento turístico de Artur Nogueira” (Zé Creme)

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Alex Bússulo

Desde a última quinta-feira (23) acontece no Balneário Municipal a 19ª edição do Encontro Nacional de Motociclistas de Artur Nogueira. O evento continua até domingo e promete reunir mais de 20 mil pessoas de todas as partes do Brasil.

Mais do que um simples encontro de amantes do motociclismo, o evento já pode ser considerado o maior evento turístico do município. Mas nem sempre foi assim. A festa teve início em 1996 de maneira muito modesta. Nos primeiros anos, ela foi realizada na Lagoa dos Pássaros e só depois de seis anos foi transferida para o Balneário.

Para fazer uma análise sobre o passado, o presente e o futuro do evento conversamos com um dos organizadores do encontro, José do Carmo Rissi, mais conhecido como Zé Creme.

Nascido na cidade de São Jorge do Ivaí, no Paraná, Zé Creme mudou-se para Artur Nogueira em 1985 para trabalhar em uma oficina de motos. É casado com Sandra de Fátima Toniolo Rissi, com quem tem duas filhas: Priscila e Caroline. Entrou para a política nogueirense em 2000 e ficou como vereador até 2012 quando foi eleito vice-prefeito de Artur Nogueira.

Como você imagina o Encontro de Motociclistas de Artur Nogueira daqui dez anos?  Imagino ele crescendo a cada ano. Afinal, trabalhamos para isso. A tendência do nosso evento é que ele melhore cada vez mais. Ele deve continuar no Balneário Municipal, um local onde deu certo. Imagino também com grandes atrações musicais a nível internacional. Este ano conseguimos trazer a Banda Pedra Letícia, que é reconhecida em todo o Brasil. Mas também queremos continuar valorizando e incentivando nossos talentos locais. Artur Nogueira tem muitas bandas que tenho certeza que ainda vão brilhar. Imagino um evento que continue durante um final de semana, mas atraindo milhares de pessoas de todas as partes do Brasil, inclusive de fora do país.

Artur Nogueira comportaria um evento desta magnitude? Sim. Como já disse temos um ótimo espaço que é o Balneário Municipal, que pode comportar um evento muito maior do qual é realizado hoje. Artur Nogueira está muito bem localizada em nossa região, mas infelizmente ainda peca na rede hoteleira. Temos poucos hotéis e pousadas. Hoje muitos motociclistas e turistas que nos visitam procuram e só acham vagas em outras cidades nos dias de festa. Quero e planejo um evento muito grande para nossa cidade. Onde todos, inclusive empresários e comerciantes nogueirenses, se beneficiem.

Como surgiu esse evento? Nasceu de uma ideia que tive com um amigo, o João Rodrigues. No passado acontecia um evento muito tradicional de motociclismo que saia do pátio do Carrefour Dom Pedro e seguia para Serra Negra. O João comentou sobre esse evento e tivemos a ideia de promover algo assim em Artur Nogueira. Sempre fui um cara apaixonado por moto. A primeira edição do Encontro de Motociclistas aconteceu em 1996 na Lagoa dos Pássaros. Foi realizada em apenas um dia: um domingo. E não tinha nada de estrutura, nem palco, nem tenda. Mesmo com pouca divulgação conseguimos reunir mais de duas mil pessoas no primeiro evento. Nesta primeira edição o Lar Renascer, que na época era presidido pela Clair Duzzi, montou uma pequena tenda e explorou aquilo que seria nossa primeira praça de alimentação. Ou seja, desde o início mantivemos essa preocupação social. Nos anos seguintes outras entidades foram participando e continuam conosco até hoje. De lá para cá o evento cresceu e se tornou o maior evento turístico de Artur Nogueira.

Qual a maior dificuldade em realizar esse evento em Artur Nogueira? É o lado financeiro. Porque nunca visamos o lucro. Não fazemos caixa, nem para os próximos anos. O que se arrecada vai para cobrir os próprios gastos com shows, segurança, entre outras coisas. Uma parte que poderíamos lucrar, e não lucramos, é com a praça de alimentação, que é destinada as nossas entidades filantrópicas. Nem eu nem ninguém do Liberdade Motoclube ganha um centavo produzindo esse encontro.

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O que te motiva a continuar? O que nos motiva é continuar levando e promovendo o nome de Artur Nogueira, que se torna manchete positiva em várias partes do Brasil. Importante para o nosso turismo. Valoriza a cidade. Também tem a parte social, como já disse, no final de cada evento nossas entidades sempre saem com o saldo positivo. Além de promover um evento de alta qualidade, acessível a todos os nogueirenses. Nosso encontro é um dos maiores do Estado. Isso é motivo de orgulho.

Você também é presidente da Sasan, uma das três maiores instituições filantrópicas de Artur Nogueira, que também se beneficia do Encontro de Motociclistas. Como você avalia o lado social do evento? Importantíssimo! Além da Sasan, hoje temos parceria com a Terceira Idade, Aidan, Apae, Vó Nair, Fraternidade Cruz de Malta, além de ambulantes do município. É bom lembrar que todo o dinheiro que os turistas e a própria população nogueirense gasta na praça de alimentação fica no próprio município. Revertido para entidades que são de grande importância para Artur Nogueira.

O que mudou no evento nestes dois últimos anos no qual você também está como vice-prefeito de Artur Nogueira? O evento melhorou muitos nas últimas edições, mas isso não tem nada a ver com o fato de eu ser ou não vice-prefeito. Vice-prefeito é um cargo de expectativa. Estou na realização do encontro antes mesmo de ser vereador ou político. Organizo porque amo. A Prefeitura sempre nos apoiou porque reconhece a importância do evento.

O Encontro de Motociclistas nasceu e foi realizado nos primeiros anos na Lagoa dos Pássaros. Mas mudou de local principalmente a pedido de moradores do entorno da lagoa que reclamavam de bagunça nos dias de evento. Hoje, alguns empresários de Artur Nogueira pedem a mudança do local onde é realizado o Carnaval da cidade, saindo da Avenida e indo para outro local apropriado. Por outro lado, alguns dizem que se tirar o Carnaval da Avenida, a folia acabará. Qual a sua opinião sobre isso? Muitos moradores reclamavam quando realizávamos o Encontro de Motociclistas na Lagoa. E com razão. O evento começou pequeno, mas tomou proporções que o obrigaram a procurar um novo espaço, até mesmo pensando na comodidade e segurança dos visitantes. O encontro ficou seis anos na lagoa, depois foi transferido para o Balneário. Naquela época muita gente foi contra a mudança e alegou que o encontro acabaria. Mas, nós da organização, trabalhamos muito e provamos que o encontro só melhorou com a mudança e com o passar dos anos. Hoje, olhando para trás, eu até acredito que a mudança foi vital para que o encontro continuasse. Se tivesse ficado lá na Lagoa provavelmente não existiria mais. Sobre o Carnaval, a discussão deve ser ampliada e levada para as autoridades municipais e sociedade organizada. O Carnaval da cidade cresceu muito em números e deve ser revisto, principalmente quando falamos de segurança. Desde que ele seja transferido para um local apropriado, eu seria a favor de uma mudança de local.

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Qual é a sua resposta para aquelas pessoas que costumam associar o Encontro de Motociclistas a barulho e bagunça? O que eu tenho a dizer é que barulho existe em todos os lugares. Um passarinho que canta, às vezes, incomoda certas pessoas. Mas, aqueles que costumam reclamar, eu gostaria de convidar para que conhecesse melhor o evento e participasse de alguma das entidades que fazem parte do encontro. Se torne um voluntário e nos ajude a melhorar o evento. Às vezes só criticar é fácil. Venha conhecer nosso evento. Venha fazer parte dele. O encontro de motociclistas é aberto para todos. Espero e trabalho, de coração, para realizar o melhor para Artur Nogueira.


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