13/09/2014

ENTREVISTA: Tenente Alcântara fala sobre segurança em Artur Nogueira

Novo comandante da Polícia Militar de Artur Nogueira explica como pretende combater o crime no município

capa3“Nem sempre o policiamento ideal será o que se demonstra com prisões, mas sim aquele que é feito prevenindo o crime” (Tenente Alcântara)

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Alex Bússulo

Ao completar quase um mês como novo comandante da Polícia Militar de Artur Nogueira, o Tenente Renan Alcântara dos Santos se diz encantado com o município ‘Berço da Amizade’ e não descarta a possibilidade de sair de Americana, onde vive com a esposa e os três filhos, e se mudar de vez para cá.

Alcântara assumiu o pelotão no dia 18 de agosto e está motivado como ninguém a combater o crime na cidade. Além das responsabilidades burocráticas, o tenente quer sair às ruas, promover operações e intensificar os trabalhos educacionais.

Nascido em 1979 na grande São Paulo, aos 5 anos se mudou para Santa Bárbara D´Oeste e desde 2008 vive em Americana. Aos 9 anos começou a trabalhar vendendo sorvete, dos 11 aos 14 anos foi camelô, dos 14 aos 19 anos trabalhou em uma tecelagem, dos 19 aos 20 foi vendedor na loja J. Mahfuz e, aos 20 anos, ingressou na Guarda Municipal de Americana, onde permaneceu até o início de 2004 quando ingressou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Depois de 4 anos de estudos concluiu o Bacharelado em Ciências Policiais de Ordem e Segurança Pública e foi declarado Aspirante a Oficial. Em 2008 foi trabalhar no Batalhão de Americana. Além de ser tenente, Alcântara também é Bacharel em Ciências Jurídicas.

Na entrevista desta semana, o novo comandante da PM de Artur Nogueira explica como pretende combater roubos, furtos, tráfico de drogas e outros crimes que preocupam os nogueirenses.

Primeiro, uma pergunta para apresentação: quem é o Renan Alcântara dos Santos. Por que decidiu ser policial militar? O Renan é um homem que sonha e busca a realização dos sonhos já sabendo que nada é fácil e nada é por acaso. Acredito em Deus e creio que a partir do momento em que Ele nos concede a graça de mais um dia de vida, temos a obrigação de agradecer e correr atrás do que sonhamos e queremos. Desde criança tinha fascínio por ser policial. No dia da minha formatura na PM meu pai me disse que ele sonhava em ser um policial, o que ele nunca havia me falado, e que o sonho dele havia sido realizado através do meu ingresso. O tempo passou e, 4 anos após, o meu irmão também ingressou na Corporação, como Soldado da PM, e o sonho do meu pai foi realizado pelos dois filhos homens dele. Com tais fatos acredito muito em destino.

O senhor assumiu o comando da Polícia Militar de Artur Nogueira há cerca de um mês. É possível fazer uma avaliação do município neste tempo? Um “raio x” da cidade demanda mais tempo que um mês. Tem que sentir, conhecer as pessoas, os problemas, as soluções e rumos que costumam dar aos fatos. Porém, não precisa mais que algumas horas após acessar o município para sentir um clima bom, com ar de interior, num cenário de progresso bem como não precisei de muito tempo para sentir a hospitalidade e simpatia das pessoas.

Como foi o processo da vinda do senhor para Artur Nogueira? Lembra do destino? [risos] Eu estava subindo a escadaria do Batalhão em Americana para assumir o serviço bem no momento em que o Comandante do Batalhão, Tenente Coronel Marcelo, estava tratando do assunto que era a efetiva classificação (envio) de um Oficial para a cidade. Quando ele me viu já me chamou e me contemplou com a missão. Três dias depois eu já estava aqui na cidade.

E a receptividade da população? Como está sendo? Rapaz… [risos] Eu não imaginava que um dia seria tão bem recebido em um lugar igual estou sendo aqui. Não digo que “fui recebido” pois a cada contato que tenho com as pessoas, dia após dia, eu recebo votos de boas-vindas. Ah, todos dizem que “viram no Portal Nogueirense!” [risos].

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O senhor iniciou a carreira como Guarda Municipal em Americana. Como avalia o papel deste profissional na área de segurança pública? Eu vivi os dois lados: ser Guarda Municipal e ser Policial Militar. E graças a isso posso dizer com mais propriedade que alguns “experts”. Embora seja uma expressão “batida”, nunca é demais lembrar, sem generalizar, que “na maioria das vezes, quando o cidadão está em perigo ele clama por Deus e chama a polícia. Quando o perigo passa alguns tendem a esquecer de Deus e amaldiçoar a polícia”. Na minha opinião, quem está em perigo, necessitando de ajuda, não escolhe quem é que está ajudando, logo, todo auxílio é bem-vindo e o apoio que a Guarda Municipal presta ao munícipe sempre será bem-vindo.

Como o senhor vê a recente lei que garante poder de polícia às guardas municipais? Vejo como uma segurança jurídica aos profissionais, porém não podemos deixar de lembrar que todo poder também traz uma carga de responsabilidade e, tanto o policial militar quanto o guarda municipal, ao extrapolar o poder que lhe é conferido, se sujeita a responder pelo crime de abuso.

Em sua página pessoal no Facebook o senhor posa com uma faca na boca [risos]. É para botar medo nos criminosos? Olha, se fosse este o objetivo eu posaria com a metralhadora! [risos]. Brincadeiras à parte, prefiro o respeito ao medo e constantemente eu mudo a foto do perfil; para quem o viu já deve ter notado que sou corredor fundista (corrida de rua com distância entre 5km e 21km); no linguajar dos atletas quando você está “na pegada” para uma prova ou treino dizem que você é “faca na caveira” ou que “está com a faca nos dentes” e alguns dias antes de eu disputar a última meia maratona (21km) em 03 de agosto passado, eu postei a foto pra dizer que “estava pronto pro combate” e graças ao trabalho do meu treinador e meu foco conseguimos bater nosso recorde na distância de 21,1km (1h16min18seg) e chegar entre os 40 primeiros colocados num total de mais de 5.000 atletas. Com o trunfo nos tornamos o 2º maior detentor de medalhas TOP100 (entregue aos 100 primeiros colocados de cada prova) do Circuito de Meia Maratona Golden Four Asics, com 09 medalhas consecutivas. Logo, não se assustem! [risos].

Mesmo morando em Americana, o senhor está muito presente em Artur Nogueira nestes dias, participando inclusive de vários eventos, como o Ato Cívico da Independência e a cerimônia Nogueirenses do Ano. Pretende continuar tendo essa integração com a comunidade? Por que isso é importante? Tive a honra de conhecer no dia da cerimônia pessoas que muitas coisas boas fizeram e fazem por Artur Nogueira e, no ato Cívico, nada mais fiz que minha lição de casa como cidadão. Tive a honra de compartilhar tal momento com outros patriotas e lá levar a minha família. Pretendo sim continuar esta integração pois um comandante não pode ficar atrás de uma mesa alheio ao que está acontecendo ou só tendo o contato com a população por telefone ou quando é visitado em sua sala; ele deve ir a campo conhecer in loco os locais e as pessoas, incluindo os eventos cívicos e sociais do município.

Como funciona o pelotão da Polícia Militar de Artur Nogueira? Considerando o número de habitantes de dado município, é realizada, de maneira técnica, a fixação de um Batalhão, Companhia, Pelotão ou Grupo de Policiamento (Gp) da Polícia Militar bem como já é prevista a quantidade de homens, a graduação e/ou postos de quem lá irá servir. O pelotão de Artur Nogueira é subordinado à 3ª Companhia de Americana que por sua vez é subordinada ao 19º Batalhão de Polícia Militar do Interior com sede em Americana também. Há tempos, creio que há mais de uma década, há no quadro de vagas a previsão de 01 Oficial (Tenente) no Comandamento do Pelotão de Artur Nogueira. Por questões de remanejamento de vagas e assunção de outras funções, face a afastamentos, não era efetivamente fixado o Tenente; logo, a minha vinda ao Pelotão não foi para substituir ninguém e sim para assumir uma vaga já prevista e até então não preenchida.

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Trinta policias militares são suficientes para uma cidade como Artur Nogueira, que possui 50 mil habitantes? O número é suficiente, pois segue a fixação amparada em estudos técnicos e com o mesmo parâmetro adotado em todo o Estado de São Paulo. Diante deste cenário é distribuído o efetivo no Estado que hoje conta com mais de 105 mil homens. Quando seguimos tal fixação evitamos que ingerências tragam, por exemplo, 160 policiais ao um município de 50 mil habitantes quando o previsto era 40 pois, se isso ocorrer, outros 3 municípios com a mesma população ficarão sem os seus 40 policiais. Artur Nogueira possui a previsão de 37 policiais militares e, como disse, com a minha vinda, o município ganhou mais um policial Militar, uma vez que havia a vaga até então não preenchida e, junto com a equipe que integro, faremos o melhor à cidade.

Como o senhor pretende combater o tráfico de drogas em Artur Nogueira? A Polícia Militar trabalha para combater todos os tipos de crimes e dada a ostensividade da PM conforme previsão legal (homens fardados e viaturas caracterizadas) o trabalho de combate ao tráfico passa a ser conjunto com a parte investigativa (levantamento, campanas, escutas telefônicas, etc.) de competência legal da Polícia Civil. Logo, no que nos compete e legalmente nos ampara, fazemos o combate com abordagens a indivíduos em atitudes suspeitas ou em locais onde há denúncias da prática do crime. Por tal razão é importante que, paralelo ao serviço da Polícia Civil, Polícia Militar e Guarda Municipal, a população também nos ajude indicando onde, quando, por quem e como é realizado o tráfico, ligando para o telefone 190 ou se preferir no disque-denúncia pelo telefone 181 bem como pela internet no site http://webdenuncia.org.br. Lembrando que não é preciso se identificar e o sigilo quanto a identidade do denunciante é garantido por lei.

Em março deste ano Artur Nogueira enfrentou uma enorme onda de roubos e furtos de casas. Tiveram casos que foram registradas 10 ocorrências do tipo em apenas 5 dias. Como este crime deve ser combatido? Ao longo do mês de março tivemos um total de 51 furtos outros (todos os tipos de furtos desde celular, bicicleta, carteira ou a residência, com exceção dos furtos de veículos) e 15 roubos (com as mesmas observações citadas no delito furto); combatemos tais crimes utilizando ferramentas operacionais inteligentes que já dispomos mediante prévio planejamento com distribuição e fixação do policiamento incluindo neste rol os apoios que temos recebido do Batalhão (Força Tática, Rocam, etc.). Prova da eficácia é que no mês de setembro de 2013 foram registrados 63 furtos outros enquanto que hoje, já caminhando para a metade do mês de setembro, registramos 11 casos, o que nos indica uma projeção de menos de 22 casos, o que significa uma redução que já margeia 70% em comparação ao mesmo período do ano passado. Além disso é importante que a população pratique a “vizinhança solidária” onde um ajuda a olhar a casa do outro, sem intervir diretamente em casos de suspeitas, especialmente quando alguém for viajar; é simples: se escutar barulho estranho, se notar pessoas nas proximidades ou carro que não costuma lá estacionar ligue para a Polícia; com tais ações o número de “vigilantes” passa a ser de milhares e, se a maioria da população adulta aderir, a força policial na cidade salta para quase 35 mil pessoas!

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Outra ocorrência que tem chamado a atenção é o envolvimento de jovens em crimes. Como combater isso? O combate deve ser iniciado em casa, com educação, com a inserção da criança e do jovem no meio cultural, esportivo, religioso e outros. Quando os pais falham nos restam combater o efeito desta omissão. Vale ressaltar o importante trabalho que a PM realiza nas escolas com o Proerd (Programa de Resistência às Drogas) e neste ano pretendemos incluir as aulas aos alunos das 7ª séries.

Haverá uma reunião em Artur Nogueira no próximo dia 16, às 19 horas, na Câmara Municipal para a reativação do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg). Qual a importância da sociedade se mobilizar e discutir políticas públicas para a segurança de uma cidade? O policial é antes de tudo um cidadão que representa o Estado e, além deste, quanto maior o número de cidadãos se engajando nas questões que afetam a cidade, mais chances teremos em obter êxito. É através do Conseg que a população encaminha de maneira direta as demandas às autoridades; lembrando que tais demandas também incluem a interação com o Poder Público visando a prevenção e resolução de conflitos e problemas de ordem administrativas que afetam diretamente o ambiente e fragilizam a segurança coletiva incluindo iluminação, trânsito, problemas ambientais e sociais, fiscalizações, alvarás e outros. Dada a importância do Conseg esperamos esta adesão mediante o comparecimento de voluntários na reunião.

O senhor disse que pretende promover operações nas entradas de Artur Nogueira todas as semanas. Qual a importância deste tipo de ação? As Operações seguem um planejamento do Batalhão e serão realizadas não somente nas entradas das cidades mas também nos bairros. Elas são importantes para apoiar as equipes já existentes, em determinados horários, dias e/ou circunstâncias e servem para mostrar à população que a Polícia Militar está presente e em um número muito maior que um Pelotão sendo que, se for preciso, a pronta resposta à sociedade será dada à altura que o caso requerer incluindo nestes apoios até o grupamento aéreo cuja aeronave (helicóptero) pode se deslocar da base de Piracicaba ao município em questão de minutos. É válido enfatizar que o policiamento preventivo visando não deixar que o delito ocorra é melhor que a prisão após a prática do delito e por isso, nem sempre o policiamento ideal será o que se demonstra com prisões e apreensões e sim aquele que é feito prevenindo o crime. Demonstrando em números reais a efetiva redução dos indicadores criminais, vide o exemplo da queda no índice de furtos.

O que a população nogueirense pode esperar de seu novo comandante? Doação de todas as forças que eu tiver para que, somadas à dos homens sob meu comando, possamos realizar o melhor pela cidade e cumprir a nossa missão que é promover a sensação de segurança. Não sei até quando permanecerei à frente do pelotão, poderá ser meses ou anos, mas desde já saibam que nunca mais, aconteça o que acontecer, esquecerei o quanto fui e estou sendo querido por esta cidade, que sem dúvida alguma faz jus, com maestria, ao título de berço da amizade. Quando daqui sair, se não me mudar pra cá [risos], quero manter o maior número de amigos que puder.

tresFotos: Isadora Stentzler


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