09/05/2015

ENTREVISTA: Tatiani Lobo

Conheça a ciclista de Artur Nogueira que já conquistou importantes títulos no Brasil

capa2“O ciclismo cria atletas fortes e guerreiros” (Tatiani Lobo)

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Alex Bússulo

Tatiani Lobo sempre morou em Artur Nogueira. Há 15 anos descobriu o ciclismo e o transformou em uma paixão. Hoje, aos 36 anos, ela é uma das ciclistas mais reconhecidas e premiadas da região.

No último mês ela venceu a primeira etapa do Campeonato Paulista de Mountain Bike realizada na cidade de Pedreira/SP. Mas o grande orgulho da atleta nogueirense está na conquista do título de Campeã Brasileira de Maratona, em 2011, em Boituva/SP, onde todos os grandes nomes do ciclismo nacional estavam presentes.

Na entrevista desta semana, Tatiani fala sobre o início, a falta de incentivo no país e as vitórias já conquistadas. Confira:

Como o ciclismo entrou em sua vida? Eu pedalo há 15 anos. Meu marido, que na época era meu namorado, sempre teve uma bicicletaria aqui em Artur Nogueira e sempre praticou o ciclismo. Ele foi minha primeira motivação. Foi ele quem comprou minha primeira bicicleta de corrida. Eu pedalo desde criança devido à facilidade de nossa cidade ser plana e trânsito tranquilo. Comecei a pedalar com mais intensidade aos finais de semana. Com o tempo foi juntando uma galera que gostava também de pedalar, até que fui convidada a participar de uma equipe de ciclismo de Holambra. E desde aí não parei mais.

Como é o seu treino? Meu treinamento é bem específico para o tipo de competição que irei participar, mas geralmente treino na rodovia e estradas rurais aqui da nossa cidade. Treino de Speed e Mtb, que são bikes apropriadas para cada tipo de terreno.

O que é o Mountain Bike e como normalmente a modalidade é realizada? Montain Bike é uma modalidade em evidência hoje, onde é praticado em estradas rurais, trilhas, com obstáculos diversos, tais como lama, poeira, pedras, buracos, erosão.

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Como iniciou nas competições? Quando corri a minha primeira corrida, na cidade de Mogi Guaçu, com apoio de Holambra na época, obtive a penúltima colocação. Ganhei só de uma menina [risos]. Lembro-me como fosse hoje. Ela era da cidade de Caieiras.

O que te motivou a continuar? Mesmo ficando quase em último lugar eu amei participar da competição. Não me importei nenhum pouco com a aquela derrota. Sabia que ela ia me servir de incentivo para continuar e melhorar cada vez mais. Desistir não faz parte do meu vocabulário.

Em 2011, você conquistou o título de Campeã Brasileira de Maratona em uma competição em Boituva/SP. Como foi essa vitória? Não fui para esse campeonato com o intuito de ganhar. Treinei para ficar entre as dez finalistas. Sabia que era uma competição difícil. Se conseguisse estar entre as 10 já seria uma grande vitória, pois as concorrentes eram profissionais, atletas que vivem apenas para o ciclismo. Ou seja, um nível muito alto. Tinha ciclistas estrangeiras. Foram 92 quilômetros, uma prova total de três horas, sem parar. E no final eu ganhei com a vantagem de um minuto. Fiquei muito surpresa. Não acreditava.

No final do mês passado, você venceu a 1ª etapa do Campeonato Paulista de Mountain Bike. Como foi essa competição? Essa prova foi uma etapa de Maratona com 54 quilômetros de distância, duríssima percorrida por estradas de terra e trilhas da região de Pedreira, Souzas e Morungaba. Com muita subida, ou melhor, só subidas… Onde a resistência contou muitos pontos para que eu pudesse vencer essa etapa, concluída em 2h53.

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Você já caiu muito? Muito [risos]. Meu corpo é cheio de cicatrizes. Já quebrei dois capacetes, que salvaram minha vida. Cair faz parte. Só cai quem está pedalando. Não tenho medo.

Como é o incentivo ao ciclismo no Brasil quando comparado a outros países? O ciclismo é um esporte de pouca expressão em nosso país. Infelizmente, não tem muito incentivo. É um dos esportes que mais dá medalhas olímpicas, devido à variação de modalidades que temos dentro do ciclismo. É um esporte maravilhoso que cria atletas fortes, guerreiros mesmo, porque é dificílimo aguentar as dores quando se treina em alto rendimento. Bom, acho que isso deve ser em todos os esportes, mas eu conheço esse. Já em outros países, o incentivo pode se comparar ao futebol brasileiro. É muito respeitado, se ganha muito, investem muito, muito mesmo. Por isso muitos atletas brasileiros optam em correr em equipes estrangeiras.

O que mudaria se você não precisasse trabalhar em uma empresa privada e pudesse se dedicar em tempo integral ao ciclismo? Nossa seria um sonho… Acho que teria mais vitórias, poderia participar de campeonatos melhores, de maior destaque.

Você tem apoio de quem? Hoje, o apoio principal vem da equipe de Sertãozinho, por quem corro, e do meu marido, Bicicletaria Irmãos Lobo, que logo será Lobo Sport Bike.

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Equipe de Sertãozinho? Sim, corro por Sertãozinho/SP. É uma cidade que valoriza e incentiva o Mountain Bike. Paga despesas da viagem e da competição e eu represento a cidade, pois a ajuda que eles dão é muito importante.

Você vai trabalhar de bicicleta? Sim. Mas hoje o meu percurso é pequeno, de casa para o trabalho. Moro no Jardim Bela Vista e trabalho na Metal Forte. Antigamente, quando trabalhava em uma empresa de isolamento térmico, eu ia todos os dias de Artur Nogueira a Paulínia, pedalando. Eram 60 quilômetros diários, 30 cedo e 30 à tarde. Saía de casa às 6 horas e 7 horas já estava no trabalho. Levava o uniforme da empresa em uma mochila e quando chegava tomava banho. Pedalar faz bem pra saúde, dá mais disposição, economiza e não polui o meio ambiente. Recomendo a todos.

Qual é o seu sonho? Muitos… O que seria do homem sem seus sonhos… Relacionado a ciclismo, quero manter meu desempenho ainda por um tempo, pois não sou mais uma menina [risos]. Quem sabe futuramente consigo montar uma escolinha de ciclismo para crianças e adolescentes.

Aqui em Artur Nogueira? Sim. Penso em um trabalho social. Em prol das crianças e jovens carentes. O esporte edifica as pessoas. Transforma vidas.

Artur Nogueira tem condições de investir, apoiar e incentivar o ciclismo? Eu acredito que sim, temos várias empresas aqui na cidade que, se quisessem, poderiam investir sim. Sabemos do abatimento do imposto de renda, quando há iniciativa para ajudar qualquer esporte, mas tem que querer.

O que diria para quem está começando um esporte agora e pretende ter sucesso como você? Nunca desista! Eu tenho uma meta comigo assim: uma vez em pé, mantenha-se em pé. Ou uma frase usada por outro ciclista que diz: A dor é passageira, mas o fracasso é para sempre. Então, desistir nunca, o sol brilha para todos. Mantenha o foco, tenha determinação, que o seu dia vai chegar!

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