20/12/2014

ENTREVISTA: Conheça José Antônio, o novo padre de Artur Nogueira

Ele saiu de Minas Gerais com o sonho de se tornar padre. Veio para São Paulo, trabalhou como servente de pedreiro e até em uma fábrica de brinquedos. Há três anos ele se ordenou padre e, a partir de fevereiro do próximo ano, será o novo pároco da Paróquia Santa Rita, no Jardim Planalto

IMG_9902d“Fiquei muito feliz quando soube que iria para Artur Nogueira” (Padre José Antônio)

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Alex Bússulo

Na última terça-feira (16) a Diocese de Limeira anunciou que o padre Élcio Roberto Medeiros deixará a Paróquia Santa Rita de Cássia e será transferido para a cidade de Descalvado/SP. Com a mudança, um novo padre assumirá a partir do próximo ano a paróquia nogueirense.

Após a notícia, a equipe do Portal Nogueirense foi conhecer quem será o novo pároco. Logo pela manhã de quarta-feira (17) liguei para a Quase-Paróquia Santo Expedito, de Limeira/SP, para agendar uma entrevista com o padre José Antônio Alves dos Santos, que assumirá a Paróquia de Santa Rita. Meu objetivo, logo às 8 horas da manhã, era pelo telefone agendar com a secretária paroquial uma entrevista com o padre. O telefone tocou algumas vezes e, para minha surpresa, o próprio padre atendeu do outro lado.

Já pelo telefone, o Padre José Antônio se demonstrou uma pessoa atenciosa. Me convidou para conhecer a Quase-Paróquia, em Limeira, na qual ele é o responsável há um ano. Aceitei o convite e marcamos para o final da tarde daquele mesmo dia.

A Quase-Paróquia de Santo Expedito possui uma igreja simples, que passou por uma grande reforma durante este ano. As cadeiras onde os fiéis sentam ainda são de metal e o altar foi finalizado nesta semana. No início do ano, o local era praticamente um barracão.

Entro na igreja e vejo lá no fundo um homem vestindo camiseta polo e calça jeans. Ele está limpando o altar recém-construído. Chego mais perto e ele se apresenta com um grande sorriso: “Alex? Sou eu, o padre José, muito prazer!”.

Ele me convida a sentar e começamos nossa entrevista. Em uma hora de conversa ele lembrou a infância vivida lá em Minas Gerais e como se tornou padre aos 34 anos de idade. Hoje ele está com 37. Disse também que ficou muito feliz ao saber que vai se mudar para Artur Nogueira e ser o novo padre da Paróquia de Santa Rita de Cássia. Confira:

O senhor se ordenou padre aos 34 anos de idade, há exatos 3 anos. O que fez antes disso? Sempre tive o sonho de ser padre. Eu tinha 7 anos quando disse para o meu pai que queria me tornar um padre. Tenho um irmão mais velho que também queria ser padre. Ele disse para o meu pai o sonho dele e meu pai ficou entusiasmado com a ideia. Foi até falar com o padre da cidade que o filho dele ia ser um padre. Mas meu irmão desistiu da ideia e deixou meu pai meio triste, afinal ele já havia falado pra tanta gente, incluindo o padre da cidade. Então, quando eu disse que ia ser padre ele não deu muita atenção e falou que qualquer filho dele que quisesse seguir alguma coisa, após tornar a maioridade, teria que tomar as próprias decisões sozinhos, sem ajuda nenhuma.

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Então, com 7 anos o senhor descobriu a vocação para ser padre? Com 7 anos a gente é criança e não sabe direito o que fala. O certo é que eu sentia isso desde pequeno. Comecei a trabalhar muito cedo. Com 7 anos já ia para a roça e trabalhava em uma pequena olaria artesanal, onde fabricávamos telhas e tijolos. Levei essa vida até completar meus 18 anos, quando saí da pequena Minas Novas/MG e vim para a grande São Paulo. Chegando lá fui trabalhar como servente de obras, na construção civil, onde fiquei até o final de 1995, quando passei a trabalhar em uma fábrica de brinquedos em Santo André/SP. Em 1999 essa mesma fábrica se mudou para Conchal/SP e, como eu vivia sozinho, me mudei pra lá também. É bom dizer que em todos esses momentos nunca tirei da cabeça que seria padre um dia, mas as condições eram difíceis.

Difíceis como? Como era sozinho, a empresa exigia muito de mim. Eu tinha que pagar aluguel e me sustentar. Não tinha ninguém da minha família para me sustentar. Eu tinha parado de estudar na sétima série. Em Conchal tive a oportunidade de voltar a estudar e concluir o Ensino Médio. Eu trabalhava durante o dia e fazia o supletivo à noite. Em 2001 comecei a fazer o discernimento vocacional para realizar meu sonho. Em 2004, após a orientação, deixei a fábrica de brinquedos e entrei para o seminário, aqui em Limeira/SP. Estudei por 7 anos. No dia 18 de dezembro de 2011 tive a minha ordenação presbiteral, há exatos 3 anos. Já fui padre na Paróquia São Sebastião, em Leme/SP, onde fiquei por 2 anos. E estou há 1 ano aqui na Quase-Paróquia Santo Expedito, em Limeira/SP.

Como o senhor reagiu quando ficou sabendo que seria o novo padre da Paróquia Santa Rita de Cássia, em Artur Nogueira? Fiquei muito feliz.

Por quê? Quando eu cuidava dos coroinhas lá em Conchal ganhei um presente. Quando ia entrar para o seminário um dos coroinhas chegou até mim e me deu uma imagem de Santa Rita. E essa imagem tem me acompanhado desde o momento que entrei no seminário. Eu sou devoto à Santa Rita. Quando o bispo Dom Vilson me chamou e disse que tinha grandes chances de eu ir para a Paróquia de Santa Rita fiquei muito feliz, afinal ela sempre me acompanhou.

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Como espera que seja a sua primeira missa em Artur Nogueira? Nossa, essa é difícil [risos]. A primeira missa sempre te deixa inseguro, pois você ainda não conhece o povo. É uma grande responsabilidade que recebi. Estarei indo como um padre, pastor de um rebanho, que a mim foi confiado. É normal essa insegurança, pois em uma primeira missa um padre é sempre avaliado pela comunidade. Mas não deixa de ser uma grande felicidade.

Se o senhor não fosse padre, o que gostaria de ter sido? Se não fosse padre eu seria professor. Acho que por saber que você pode contribuir e ensinar para que alguém seja melhor, mesmo com a sua fragilidade. A realidade de onde eu vim… [Emocionado] nunca tive a oportunidade que toda criança deveria ter.

Como foi a sua infância? Tive dificuldades, não digo sofrimento. Porque dificuldade você pode enfrentar e superar. Minha infância foi muito difícil. Minha mãe teve 11 filhos. Nove estão vivos. Sou o quarto dos filhos. [Emocionado] Minha mãe continua morando em Minas Novas… Já acostumei a ficar longe. Mas sempre fui muito apegado à minha mãe. Meu pai morreu em 2005, não chegou me ver como padre. Ele teve câncer no esôfago.

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Vamos mudar de assunto. Como o senhor define um bom padre? Ele tem que ser acolhedor. É um desafio. Mas ele tem que ser, primeiro de tudo, uma pessoa acolhedora. Muitas pessoas procuram a gente no momento delas e do jeito que elas querem, e as vezes o padre nem pode se dispor de um certo tempo para acolher aquelas pessoas daquela forma que elas gostariam. E se o padre, naquele momento, está com tantas outras atividades e não consegue dar a devida atenção, a pessoa pode sair falando que o padre é terrível, que não sabe acolher. E isso não é verdade. Por isso é um desafio, mas é necessário, pois o povo merece um padre que se interessa e acolha toda a comunidade.

O senhor me aparenta ser uma pessoa muito alegre e brincalhona. É assim mesmo? Eu sou! Quando o pessoal me vê meio triste até estranha [risos].

Qual o seu hobby? Eu gosto de andar de bicicleta. O pessoal de Artur Nogueira vai me ver muito de bicicleta.

Como o senhor se define como pessoa? Eu sou um homem muito simples, humilde. Meu prato preferido é o arroz com feijão e ovo frito [risos]. As pessoas têm uma preocupação tremenda em tratar o padre bem. Chegam em mim e falam que vão preparar um banquete, com lasanha, picanha… Não ligo pra nada disso. Sempre digo que quando eu vou até a casa de alguém o que eu espero encontrar é um local limpo, gostoso, onde a gente possa sentar, conversar, bater papo e se tiver arroz, feijão e ovo fica ótimo. Não é um churrasco ou uma comida refinada que vai me deixar feliz.

Estamos vivendo o momento do Natal. Qual a melhor maneira de se comemorar essa data? A melhor forma de se comemorar o Natal é da mesma maneira que o presépio se apresenta ali [o padre aponta para um presépio montado ao lado do altar]. É na simplicidade. Onde todo mundo estiver sentado, na sua casa, conversando, em um almoço simples, lembrando de Jesus, fazendo uma avaliação do ano que passou. O Natal deve ser um momento de reflexão, dos ensinamentos de Jesus e também da união das pessoas. É um momento de celebração da vida, do perdão, como sinal de Deus. O melhor presente de Natal é poder celebrar a vida sabendo que Deus é quem nos convida por primeiro a celebrá-la porque Ele é o autor principal. Sem ele não teria sentido algum da gente estar aqui.

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Qual recado o senhor deixa para a população católica de Artur Nogueira? Que Deus possa nos ajudar. Espero ser recepcionado pela comunidade nogueirense, pelos paroquianos da Paróquia Santa Rita, e assim como eu quero ser amado por eles eu também quero amá-los de todo o coração. Quero estar junto, próximo, de cada um.

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