14/03/2015

ENTREVISTA: Mayra Barbosa

Organizadora do manifesto ‘Fora Dilma’ em Artur Nogueira fala sobre ato, impeachment e os motivos pelos quais os nogueirenses devem ir ao Coreto neste domingo

capa2“O Brasil clama por mudança e a maior força de um povo é a sua união” (Mayra Barbosa)

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Alex Bússulo / Norton Rocha

Neste domingo (15) acontecerá o manifesto ‘Fora Dilma’ solicitando o impeachment da presidente da República. O ato deve concentrar pessoas de várias idades, profissões e classes sociais às 16 horas em várias cidades do Brasil.

Aqui em Artur Nogueira o manifesto ocorrerá na Praça do Coreto, no centro, e está sendo organizado pela nogueirense Mayra Barbosa.

Nascida e criada em Artur Nogueira, Mayra é filiada ao PSDB e já concorreu duas vezes ao cargo de vereadora no município, sendo eleita primeira suplente em uma delas. Após tomar conhecimento do manifesto nas grandes capitais ela decidiu criar um evento no Facebook convidando os nogueirenses a aderirem à causa. A postagem ganhou repercussão e também atraiu empresários e lideranças da cidade. Hoje já são mais de 1.500 pessoas confirmadas para o ato.

Mas, qual é o objetivo da manifestação? Realmente a Dilma pode sofrer um impeachment? Para responder essas e outras perguntas conversamos com Mayra Barbosa. Confira a entrevista:

Como vai funcionar a manifestação em Artur Nogueira neste domingo? É importante destacar que pretendemos fazer uma manifestação pacífica. Consciente e de forma organizada. Teremos equipamento de som que será utilizado pela organização do evento. Convidamos também os membros de várias associações e entidades da cidade para indicar um representante para que possa fazer uso da palavra. Mas, o mais importante, é a participação dos cidadãos nogueirenses que se sentem ofendidos com a atual situação política do governo federal. Não faremos uma caminhada, como outras cidades. Teremos ponto fixo: o Coreto Municipal, tradicional ponto de manifestações.

Quantas pessoas são esperadas? Inicialmente a ideia era reunir poucas pessoas, mas quando lançamos o evento no Facebook, ele tomou proporções que não imaginávamos! Hoje, há mais de 1.500 pessoas que confirmaram presença na rede social, o que exigiu uma grande mobilização e cuidados especiais à organização. No Facebook, o evento é público e cada um pode convidar seus contatos. Temos mais de 10.000 convidados! Fizemos um convite impresso para os presidentes de algumas entidades e associações da cidade. E o famoso ‘boca-a-boca’. Como se trata de um evento apartidário, não convidamos diretamente os partidos políticos da cidade, nem os detentores de mandato. Não queremos que a manifestação se transforme em palanque político.

Quem está te ajudando na organização do manifesto aqui em Artur Nogueira? O evento surgiu a partir de conversas com amigos, com os quais convivo e me ajudaram a dar o pontapé inicial: Flávio Almeida, João Carlos, Éric Lucke, Zezé, dentre outros. Na página do evento do Facebook identificamos algumas lideranças, que convidamos para ajudar na organização. Juntaram-se a nós o Rodrigo de Fáveri, Renato Carlini, Tião Letras, Oscar Calstrom, Ronaldo Côco, Agnaldo Oliveira e outros que, pela internet, se mostraram também descontentes com a situação do nosso país.

Quais medidas estão sendo tomadas para garantir a segurança dos manifestantes em Artur Nogueira? E o que será feito para evitar possíveis atos de vandalismo? Protocolamos ofícios junto à Secretaria de Segurança, pedindo a atuação da Guarda Municipal, Defesa Civil, além dos agentes de Trânsito para que tomassem as medidas que acharem necessárias para manter a ordem e a integridade dos participantes do evento. Comunicamos também, através de ofício, as polícias Militar e Civil, solicitando comparecimento ao evento. Também oficiamos a Secretaria de Cultura para a autorização de uso do espaço e energia. Não acredito que tenhamos desordeiros ou arruaceiros, mas se isso acontecer, vamos orientar a população a tomar as medidas já conhecidas: todos se sentam no chão e indicam à polícia os responsáveis pela confusão.

Qual é o objetivo da manifestação? Por que você acha importante Artur Nogueira aderir a esta causa? Somos vítimas de um verdadeiro estelionato eleitoral; de uma presidente que em campanha vendeu um país que não existia e que não faz o que prometeu e toma medidas que prejudicam a população: aumento de impostos, gasolina, energia, corte de direitos trabalhistas. O Brasil está indignado e o movimento surgiu naturalmente. Artur Nogueira sempre foi vanguardista e não poderia ficar de fora destas manifestações. Estamos em sintonia com várias outras cidades do país, numa clara demonstração e insatisfação com o governo constituído.

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Em junho de 2013, o Brasil saiu às ruas. Brasileiros de todas as idades e classes sociais manifestaram por mudanças na política. Inclusive aqui em Artur Nogueira teve nogueirenses que fizeram passeata. Mas, em outubro, foram eleitos praticamente aqueles que estavam no governo, tanto na esfera estadual quanto federal. Você realmente acredita que uma manifestação pode gerar uma real mudança? O resultado da eleição para presidente foi muito apertado e a presidente só venceu porque mentiu em campanha! O povo não está feliz com as atitudes do governo eleito. Não podemos assistir calados a todo este esquema de corrupção: mensalão, petróleo, lava jato… Chega! Acredito que as manifestações por todo país podem ser, sim, o início de mudanças, de um povo que não suporta mais ser oprimido, carregar a imensa carga tributária que é imposta. É hora de lutar por mudanças! E elas precisam iniciar de algum modo.

Para sofrer um impeachment a presidente precisa ter cometido um crime comum ou um crime de responsabilidade. Qual crime a presidente Dilma teria cometido? Quem dirá se a presidente cometeu ou não um crime é a Justiça. Se o governo participou dos atos de corrupção deve ser punida aquela que está à sua frente. Se não participou, foi omisso na fiscalização. De qualquer modo, a presidente é a maior responsável pela vergonhosa situação que nos encontramos. Se o impeachment não prosperar, as manifestações serão um retrato da insatisfação popular, o registro da incompetência administrativa do Partido dos Trabalhadores. E, então, que o pouco de dignidade que lhe resta, force a presidente a pedir pra sair, renunciar!

O senador Aloysio Nunes, uma das principais lideranças do PSDB, partido que você é filiada, afirmou que até o momento a sigla é contra o impeachment da presidente Dilma, pois acredita não haver sustentação jurídica nem política para derrubá-la. Isto por que, segundo ele, não há um esvaziamento da base da presidente no Congresso e ainda as apurações não chegaram a evidenciar de maneira inconteste a participação dela ou beneficiamento pessoal nos casos de corrupção. A partir desta perspectiva, qual a sua opinião sobre o posicionamento do PSDB com relação ao tema? O PSDB divulgou Nota Oficial em que apoia as manifestações do dia 15/03, assim como outros partidos já fizeram, mas não terá uma atuação institucional nos protestos. Mas, volto a afirmar, que este movimento nasceu espontaneamente, da vontade do povo e é, portanto, apolítico! Há pessoas de outros partidos nos ajudando na organização do evento e não vamos permitir manifestações partidárias: camisetas de partidos, bandeiras, etc… Aqueles que estiverem utilizando serão convidados a se retirar do evento.

Um dos principais fatores para a desestabilização de Dilma está relacionado aos escândalos da Petrobrás. Você realmente acredita que estes esquemas tenham começado no governo Dilma ou eles têm raízes históricas, como afirmam especialistas, já que as empresas denunciadas na operação Lava Jato tem contratos há décadas com o governo federal? Acredito que tudo deve ser investigado e punidos os julgados culpados, independentemente da época em que ocorreram os fatos ou do partido que pertençam os envolvidos. O que não pode é o povo pagar por estes desvios… E estamos pagando. Na manifestação do dia 15 estaremos passando durante o evento um abaixo-assinado onde declaramos o nosso descontentamento e pedimos o julgamento e condenação dos culpados.

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Se a pauta principal para o impeachment é a corrupção, porque não defender também a saída dos presidentes da Câmara e do Senado, ambos supostamente envolvidos em diversos esquemas de corrupção, incluindo o escândalo da Petrobrás? Como eu disse anteriormente, as mudanças precisam iniciar de algum ponto. E o que pretendemos no momento é manifestar a nossa insatisfação e nossa indignação com a corrupção institucionalizada no governo federal. Não ficaremos mais de braços cruzados. Basta de tanta corrupção e tanta mentira. O Brasil clama por mudança e a maior força de um povo é a sua união.

Se por um acaso o impeachment ocorrer, quem assume é o atual vice-presidente Michel Temer (PMDB). Quais vantagens você enxerga para o país a partir desta possível nova conjuntura? É a possibilidade de transformar esse sentimento de decepção e revolta em esperança. Se isso acontecer, mais uma vez a história nacional registrará a mudança efetiva no governo a partir da população. A nossa constituição prevê que todo poder emana do povo. Este poder é exercido pelos nossos representantes, mas nada nos impede de evocar nossas responsabilidades e brigar diretamente por aquilo que achamos justo.

É nítido, inclusive no material de divulgação dos manifestos, a estratégia do movimento em vincular a imagem de Dilma com a do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Em sua opinião, qual a relação de semelhança que existe entre os dois casos? O Collor sofreu o impeachment por ter se envolvido em um esquema de corrupção infinitamente menor do que aquele que estamos vivenciando. Se ele caiu, não é possível que ela, Dilma, permaneça lá onde está, mentindo, enganando e manipulando a população! Mais do que vincular a imagem do Collor com a de Dilma, faz-se necessário lembrar que uma vez um presidente já caiu por iniciativa popular. É isso que queremos novamente. O povo tem o poder de eleger e o dever de fiscalizar.

Ao invés de um impeachment não seria mais construtivo trabalhar por uma reforma política que mudasse efetivamente pontos que hoje permitem a prática da corrupção? Mais uma vez: estamos nos manifestando de forma pacífica, organizada e apartidária, para iniciar um processo de mudanças que pretendemos. É preciso que o povo tenha a consciência de que os políticos eleitos exercem as funções para as quais nós os elegemos. E, portanto, se não cumprirem suas promessas, se não estivermos satisfeitos, temos todo direito de nos manifestar e pedir a sua saída, clamar pelas mudanças que acreditamos.


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