28/04/2012

ENTREVISTA DA SEMANA: Wagner Guidotti Sia; presidente do PSDB

Presidente do PSDB fala sobre partidos, oposição e eleições municipais

“A próxima campanha vai acontecer com muito anonimato e difamação. Será uma campanha para se esquecer” (Wagner Guidotti Sia)

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Alex Bússulo

A paixão por política sempre esteve presente em seu coração. Aprendeu os macetes das campanhas com um tio, fazendo comícios em Campinas.

Wagner Guidotti Sia, nasceu em Limeira, mas desde os 13 anos reside em Artur Nogueira, cidade que fez amigos, construiu sua família, cresceu profissionalmente e, claro, fez e continua fazendo política.

Deixou o ramo de açougues, atividade que os pais exerciam, e abriu uma marmoraria no melhor e mais estratégico ponto de Artur Nogueira – em frente ao Cemitério Municipal. “Hoje, a cada cem túmulo feito na cidade, 90 sou eu quem faço”, conta orgulhoso.

Wagnão, como é conhecido pelos amigos e até pelos adversários políticos, sempre esteve envolvido em campanhas eleitorais. Foi um dos primeiros, em 1988, a votar na eleição da sigla do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

No mesmo ano, montou, junto com os amigos Luiz Henrique Guidolin, Bilo Pfeifer e Geso Franco de Oliveira, a provisória do partido em Artur Nogueira e hoje, após mais de 20 anos, responde pela presidência municipal do PSDB.

Na entrevista desta semana, Wagnão fala sobre partidos, oposição e eleições municipais. Confira.

Como a política entrou em sua vida? Ela sempre esteve presente desde a minha infância. Quando era pequeno costumava acompanhar meu tio, Eliseu Guidotti, que era vereador em Campinas, em algumas de suas ações. Em 1968, os políticos costumavam exibir sessões de cinema em escolas, igrejas e locais públicos e nos intervalos aproveitavam e realizavam comícios. Na época, eu tinha cerca de oito anos de idade e mesmo sendo pequeno, saia pelas ruas anunciando o cineminha que ia acontecer naquele dia. Desde aquele tempo já me interessava pela coisa.

Mesmo assim você nunca se candidatou a nem um cargo? Para falar a verdade eu nunca tive coragem de ser candidato a nada. Sempre fui àquele cara que trabalhou nos bastidores. Sempre trabalhei, junto com o meu amigo Geraldo Pavão, naquele trabalho chato, que ninguém vê, mas que é necessário, cuidando da parte burocrática do partido. Fui um dos fundadores do PSDB, eu votei em 1988 na escolha da sigla do partido e fui um dos fundadores do partido em Artur Nogueira. Nós somos o partido político mais antigo da cidade.

Qual foi a campanha que mais te marcou? A do Santana com o Bilo! Em 1988, quando confrontaram Laércio Bento, João Cantarelli, Ederaldo Rossetti e o Santana. Foi marcante porque quem trabalhou e conheceu o Santana vai entender muito bem o que estou dizendo. O comício que ele fazia era indescritível. Lembro que ele falava que a nossa obrigação era trazer o maior número de pessoas, que o restante ele dava conta. Foi uma campanha muito dinâmica, gostosa de fazer.

Na eleição de 2008, o PSDB não ganhou por cerca de 300 votos. Como você avaliou aquela eleição? Olha, não considero que tenhamos sido derrotados naquele momento. De um lado você tinha o atual governo, do Marcelo Capelini, que já estava na máquina e tinha um discurso pronto. De outro, você tinha o Júnior Barros, que era vereador na época e fez uma campanha de alto nível em publicidade. Nós entramos com o que tínhamos. Tivemos que começar praticamente do zero. E no final não entramos por trezentos votos. Não podemos dizer que não obtivemos sucesso. Fico triste porque a campanha do João foi vítima de uma das maiores infâmias que Artur Nogueira já registrou. À véspera das eleições, um papel circulou denegrindo nosso candidato com as maiores mentiras e injustiças já vista. São as coisas sujas que infelizmente acontecem em nosso país. Mas respondendo a sua pergunta, não considero uma derrota, porque o PSDB cresceu muito em Artur Nogueira. Nas eleições de 2010, o José Serra e o Alckmin venceram aqui e com uma grande diferença nos votos. Isso simplesmente demonstra o quanto o partido é aceito.

Após as eleições de 2008, o João Carlos, junto com alguns PSDBistas, saiu pelas ruas com um adesivo colado no peito escrito “João Carlos 2012”… Foi uma brincadeira. Nós estávamos em um momento pós-eleição. Depois de tanto trabalho fizemos aquilo até mesmo para descontrairmos um pouco.

Eu citei esse fato porque de certa forma a campanha do PSDB começou naquela época… Na verdade, a campanha do João Carlos nunca terminou. Nós acreditávamos na fidelidade dos eleitores que haviam votado no partido, acreditávamos no desgaste natural da administração do PT, resumindo, tínhamos um cenário político favorável.

Até então, vocês tinham um pré-candidato pronto, para não dizer forte. Como foi que o João Carlos anunciou a desistência da campanha? No início de setembro do ano passado o João pediu uma reunião com a executiva do PSDB na sede do partido, que funciona lá na minha marmoraria, e disse que não iria mais disputar as eleições. Sinceramente, foi como se eu tivesse tomado um soco na boca do estômago.

Foi realmente assim que aconteceu? Foi mais do que isso. Eu não consigo adjetivar o que ocorreu aquele dia naquela sala. Eu, particularmente, tenho minha profissão, não tenho interesse em entrar para uma prefeitura, mas compartilhávamos um sonho, de querer uma Artur Nogueira mais justa. O João visualizava e nos contagiava com o sonho de ser prefeito e, de uma hora para outra, chegou ao partido e abriu mão de tudo. Estaria mentindo se dissesse que foi fácil. Foi uma decisão dele, por motivos particulares, que nós, acima de tudo como amigos, tivemos que aceitar. Depois que a nossa voz voltou, depois que enxugamos as nossas lágrimas, nós pedimos para que ele avisasse o grupo.

Foi aí que o vereador Cristiano Conde entrou no jogo? O Cristiano chegou e disse que jamais deixaria o partido na mão e que estaria disposto a ser o candidato a prefeito do PSDB. Ele sempre foi aquele tipo de pessoa que sempre pudemos contar com ele, que é um verdadeiro soldado do partido e naquele momento assumiu a pré-candidatura e nós voltamos a conversar com aqueles partidos que enquanto estávamos com o João Carlos iam sair com a gente. Falamos que o PSDB teria um candidato próprio e o Reinaldo Amélio Tagliari ‘Melinho’ também se propôs a ser o candidato do grupo. Posteriormente, o seu Ermes Dagrela e o Ivan Vicenssoti também lançaram suas pré-candidaturas. Todos com pretensão de ser o candidato do grupo político. Foi aí que percebemos que, com a saída de alguns companheiros que foram candidatos na última eleição pelo PSDB, seria melhor termos o Cristiano garantido como vereador do que entrarmos em uma disputa e corrermos o risco de além de perder a prefeitura, perdermos a Câmara. Eu tenho certeza absoluta que o melhor vereador que temos hoje se chama Cristiano Conde. Tenho certeza de que ele poderá ter uma votação expressiva como vereador e fortalecer muito a legenda dos companheiros do PSDB.

O partido pediu para o Cristiano desistir? Olha, nós explicamos para ele a situação. Compartilhamos juntos o raciocínio e a lógica da campanha. O Cristiano passou os últimos quatro anos pensando e mentalizando a sua reeleição como vereador. Ele mudou o discurso recentemente quando se propôs a disputar como pré-candidato. Resumido, ele ia disputar com pessoas que já estavam há muito tempo fazendo campanha. Nosso objetivo é eleger o Cristiano novamente como vereador e trabalhar para que ele se fortaleça e dispute a prefeitura daqui quatro anos.

O que vai ser do PSDB nessas eleições? A convenção do partido vai acontecer no dia 24 de junho. Ela será soberana. Os filiados do PSDB vão se reunir e discutir a melhor proposta para todos. Os pré-candidatos a vereador vão decidir quem é que eles querem defender lá na rua.

O PSDB não tem nenhuma carta na manga? Ah, mas quem tem carta na manga não fala para os outros, não é verdade. Como já disse, será na convenção que vamos decidir o que será feito. É isso.

O que você acha que vai acontecer nessas eleições? Eu acho que não será uma eleição que deixará saudades. Acredito que serão três candidatos, temos aí o Melinho, que pretende ir para o executivo e tem tudo para ser um bom candidato. Percebo que essa campanha vai ser muito parecida com a última que tivemos, com muito anonimato, muita difamação, será uma campanha para se esquecer. Eu gostaria, embora isso não vá acontecer, de ser apenas um simples eleitor em outubro.

Como você avalia a atuação do Governo Estadual? O governador Geraldo Alckmin nunca negou nada para o nosso município, apesar de Artur Nogueira ser administrada por um partido da oposição, nunca existiu revanchismo. Nós temos uma ligação e o apoio muito grande dos deputados Vanderlei e Cauê Macris, que também sempre nos ajudam. Graças a essa parceria já conseguimos várias conquistas para Artur Nogueira, tais como a reforma do prédio da Terceira Idade, construção PSF do jardim Sacilotto, Kombi para Aidan, Kombi Vó Nair, recursos para ampliação da Apae, recurso para ampliação da Sasan, academia ao ar livre no Blumenau, academia ao ar livre do Sacilotto I, ambulância equipada, R$ 100 mil para infraestrutura urbana, entre outras. Somos muito gratos aos Macris e também aos deputados Barros Munhoz e Célia Leão.

Mas e as reclamações dos pedágios? A deputada Ana Perugini (PT) está querendo vir para Artur Nogueira, assim como já foi em outras cidades da região, detonar o pedágio. Tudo bem, é um direito que ela tem, mas vir aqui e encher o povo de mentiras não dá. Eu já usei muito essas estradas e lembro muito bem da situação que elas tinham anos atrás. Lembro-me quantas pessoas morreram nesses caminhos. Hoje, temos uma estrada de alta qualidade, com mais segurança. É o preço que se paga. Outra coisa, essas empresas multinacionais que estão se instalando em Artur Nogueira, elas só estão vindo por causa da qualidade da nossa rodovia, que dá livre acesso aos seus principais clientes. Os alunos do Unasp vivem reclamando da praça do pedágio, mas nenhum aluno de Artur Nogueira e nem o prefeito foi brigar e defender quando tiveram a oportunidade nos fóruns que abordaram a vinda do pedágio para aquele local. Ao contrário de Engenheiro Coelho, que se mobilizou e gritou por seu espaço. O governo está implantando a cobrança por quilometro rodado, o que acredito que deixará o custo mais justo, porque cobrará conforme o uso.

Quem foi o melhor prefeito de Artur Nogueira? O melhor prefeito de Artur Nogueira… [pensativo] O melhor prefeito eu não vi, pelo menos não enquanto eu morei aqui. A administração do Nelson Stein teve um casamento muito forte com o governo de Mário Covas. Eu acredito que durante a gestão do Nelson foram construídas mais salas de aulas do que em toda a história de Artur Nogueira, tanto antes como depois dele. Foi na administração dele que Artur Nogueira conquistou o Melhor Caminho, que é a conservação das estradas rurais, foi trazido o Fundef para o município, entre outros benefícios. É complicado classificar quem é o melhor prefeito.

Mas foi a administração Stein que deixou dois ginásios de esportes inacabados… Eu não sei o que aconteceu. Nunca participei de uma administração direta dentro da prefeitura, muito menos do Nelson. Mas é incontestável, que os ginásios ficaram abandonados. Às vezes escuto algumas pessoas dizendo que “nós” deixamos aquelas obras. O que eu acho um absurdo, porque eu nunca participei de nenhuma administração. Pois bem, vamos pensar sobre isso. Falam aí que os ginásios deram cerca de R$ 300 mil de prejuízo ao município. Mas veja por outro ângulo, um secretário municipal leva hoje R$ 4 mil reais por mês. Resumindo, eu acho que foi mais dinheiro para gente de fora que diz trabalhar em Artur Nogueira, do que com os dois ginásios de esportes que ficaram abandonados. Outra coisa, essa Escola Modelo, que apenas o futuro vai mostrar a que modelo ela se refere, se o Marcelo Capelini não tivesse sido reeleito na última eleição ele teria deixado uma obra inacabada no preço de 15 ginásios de esportes. E se quem tivesse ganhado não tivesse concluído a obra, largasse lá para ficar como estátua de incompetência administrativa, ele seria considerado muito pior que o Nelson.

Como você avalia o Governo Capelini? O Marcelo é meu contador. É ele quem faz a declaração do meu Imposto de Renda. Eu confio no Marcelo Capelini. Ele é meu adversário político, não é meu inimigo. Faltou para ele uma aproximação com os políticos de Artur Nogueira. Enquanto ele podia ter colocado pessoas de confiança do próprio município ele trouxe pessoas imposta pelo partido para administrar Artur Nogueira. Ele mesmo disse isso quando o PT indicou uma mulher de fora para ser secretária de Educação. O Marcelo colocou uma pessoa para administrar 25% das verbas do município que estava condenada pelo Ministério Público e proibida de contratar com o Estado, município e com a união. Em minha opinião, o que funciona em Artur Nogueira é a Saúde e a Segurança, que são dirigidas por pessoas que remontam outras administrações. O Dr. Flávio [de Almeida, atual secretário de Saúde] está na administração pública de Artur Nogueira, talvez, desde o Ederaldo Rossetti. E o seu João [Rubles Filho, chefe da Guarda Municipal] desde a época do Claudio Menezes. São pessoas que conhecem como ninguém os problemas da cidade.

Se Capelini apoia-se o Dr. Flávio para ser candidato a prefeito, ele teria o apoio do PSDB? Olha, em uma conversa meio que informal, teria sim. O Flávio é uma pessoa extremamente qualificada e eu acho que seria uma grande surpresa para Artur Nogueira. Desde, claro, que o Marcelo não tivesse mais no PT [risos].

No próximo domingo (29), o PT vai realizar uma prévia para decidir quem será o pré-candidato do partido. Como você avalia esse processo? A minha bola de cristal vai falar o resultado para você. É uma composição. O Claudinei de Sá, que é o candidato do prefeito, vai realmente ser o candidato do partido e a Alcione Coser será candidata à vice. Tem que compor. Já é difícil junto, imagina separado. Agora, convenhamos, que já está passando do momento, já está ficando bastante tarde para o PT definir seu pré-candidato. Afinal de contas, estamos a dias das eleições.

Fotos: Renan Bússulo 

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