23/01/2011

Ricardo Michelino, o maestro da Corporação Musical

Falar de música é com ele mesmo. Já tocou com Sandy e Júnior, Toquinho, entre outros artistas famosos. Apaixonado pela arte desde a infância e influenciado pelo pai, Ricardo Michelino, atualmente com 38 anos de idade, foi convidado a assumir a regência da Corporação 24 de Junho, de Artur Nogueira, há dez anos. Convite que aceitou prontamente e que exerce até os dias de hoje. Na entrevista desta semana conversamos com o maestro, que nos contou sua história com a música, as conquistas da banda nogueirense e de sua viagem a um encontro internacional de músicos, que aconteceu na semana passada em Curitiba.

Alex Bússulo

COMO A MÚSICA ENTROU EM SUA VIDA? Sou filho de maestro, meu interesse pela música nasceu por influência de meu pai. Ele era trompetista da Polícia Militar, tinha um grande talento, mas infelizmente faleceu muito cedo, quando eu tinha apenas nove anos de idade. Com a perda, minha mãe decidiu deixar São Paulo, cidade que nasci, e vir morar em Mogi Guaçu, com a minha avó.

MESMO COM A PERDA DE SEU PAI, VOCÊ CONTINUOU SUA HISTÓRIA COM A MÚSICA? Sem dúvidas. Foi lá em Mogi que eu tive meu primeiro contato com uma Corporação Musical. Era engraçado, eu ia às aulas de música e ficava do lado de fora observando os músicos. Até que em um dia o professor, Maestro Geraldo Vedovello, me encontrou lá escondido e me convidou a conhecer o trabalho dele. Depois disso nunca mais me desliguei das Corporações Musicais.

E COMO VOCÊ VEIO PARAR EM ARTUR NOGUEIRA? No ano de 2000, conheci o senhor Nico de Fáveri, um amigo que marcou minha vida. Na ocasião eu era maestro da Corporação Musical de Americana, quando recebi um telefonema dele, e mais tarde de seu genro, Melinho, me convidando a conhecer a Corporação de Artur Nogueira, pois estavam precisando de um maestro. Conheci a banda e aceitei o convite.

COMO É REGER A BANDA? Existe uma diferença em reger uma banda de profissionais e reger um grupo de voluntários. Tem ensaios que vêm 30 alunos e tem ensaio que vêm 13. O músico vem ensaiar porque ama a Corporação. Não recebe nenhum dinheiro e vem para cá fazer o que gosta. A banda não deve ter time de futebol, partido político, nem religião, a música é de todos, sem limites. Definir isso é algo mágico, que me dá uma satisfação tremenda. Vejo alunos que passaram por aqui, que hoje alcançaram o sucesso e ganha a vida fazendo da música sua profissão.

O QUE É O PROJETO RETRETA? O nome Retreta é uma gíria que era usada antigamente pelos músicos, que diziam que iam fazer uma retreta, quando pretendiam fazer qualquer apresentação musical. A intenção desse projeto é descentralizar o ensino da música aqui na cidade. O foco são as escolas. Temos parceria com duas escolas municipais: a Emef Aparecida Dias dos Santos (Laranjeiras) e a Emef Prefeito Ederaldo Rossetti (Caic), que trabalham com os cursos de flauta pífano e fanfarra.

QUANTAS CRIANÇAS SÃO ATENDIDAS POR ESTE PROJETO? Atendemos aproximadamente 160 crianças, com faixa etária entre nove e 13 anos. É bom lembrar que o Projeto Retreta foi contemplado com uma emenda parlamentar realizada pelo deputado estadual, Marcos Martins (PT), que beneficiou a Corporação com uma verba de R$40 mil. Dinheiro que foi revertido em compras de novos instrumentos musicais.

PARA PARTICIPAR DA CORPORAÇÃO OU DO PROJETO RETRETA, O MÚSICO OU A CRIANÇA TEM ALGUM GASTO? Não, todo trabalho é desenvolvido gratuitamente a toda população.

E O QUE DEVE FAZER QUEM TEM O INTERESSE EM TOCAR NA BANDA? Deve procurar a secretaria e se inscrever no curso escolhido. Atualmente temos aulas de flauta transversal, saxofone, flauta doce, trompa sinfônica, trompete, trombone, bombardino, tuba, canto coral, percussão sinfônica, e a partir do mês que vem, teremos os cursos de piano e violão, que serão ministrados no Centro Cultural Tom Jobim, no centro de Artur Nogueira. Tudo sem nenhum custo. A única coisa que pedimos em troca é o compromisso com a Corporação e a participação dos grupos que nela existem.

COMO QUE A CORPORAÇÃO SOBREVIVE? Através de uma subvenção passada pela prefeitura e de um aluguel de um prédio. A Divisão Municipal de Cultura, em nome de seu chefe, Marcos Roberto Campos, e a Secretaria de Educação, dirigida pelo professor Amarildo Boer, dão total apoio logístico com as atividades que a Corporação realiza, como transporte, folders, alimentação, produção de eventos, entre outras coisas. Também tenho que agradecer o prefeito Marcelo Capelini, que além de nos apoiar, já participou de vários eventos promovidos pela banda fora da cidade.

QUAL É O MAIOR DESAFIO QUANDO SE FALA EM MÚSICA EM ARTUR NOGUEIRA? Eu procuro não focar os problemas, apenas valorizar o bem que já foi feito. A Corporação melhorou muito de dois anos para cá, com a restauração do prédio e o reganho de credibilidade da população.

QUANTOS ALUNOS A CORPORAÇÃO POSSUI ATUALMENTE? São cerca de cem alunos, de seis a 82 anos de idade.

O QUE AS PESSOAS DEVEM TER PARA PARTICIPAR? Convicção. Não é talento, não é dom. É convicção. É ter a certeza daquilo que quer. Tem que ser interessado. O ser humano é capaz de fazer qualquer coisa, desde que queira. Muitos dizem que não possuem talento, não me preocupo com isso. De uma escala de zero a cem, cinco é talento, 95 é transpiração.

QUAL É O MAIOR DESAFIO DA BANDA? Existe uma intenção de correr atrás de uma verba para que custear uma bolsa de estudos para os músicos profissionais. Conseguindo assim uma estabilidade com os músicos. Vamos ver se conseguimos este ano.

HOJE DÁ PRA VIVER DE MÚSICA? Dá pra viver do que você gosta de fazer. Se você sente prazer em fazer alguma coisa e corre atrás, você terá sucesso, desde que seja determinado e almeje a excelência.

NA SEMANA PASSADA, VOCÊ ESTEVE EM UM EVENTO MUSICAL EM CURITIBA? Estive, foi na 29ª Oficina de Música Erudita, que aconteceu de 9 a 19 de janeiro. Tive a honra de ser convidado para ser professor assistente de um dos maiores saxofonistas do mundo, o Leo Gandelman. O evento reuniu músicos do mundo todo, mais de 700 pessoas participaram. Ministrei aulas, participei da banda sinfônica, palestras. Foi simplesmente maravilhoso.


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