29/03/2020

Empresários dizem ser contra reabertura de comércio em Artur Nogueira

Decisão de reabrir comércios no município ocorre após decreto emitido por Ivan Vicensotti

Da redação

Alguns empresários de Artur Nogueira afirmam não serem a favor da reabertura dos estabelecimentos do município a partir dessa próxima segunda-feira (30). O fechamento ocorre durante o período de isolamento social por decorrência do risco de contágio do novo coronavírus (Covid-19). A decisão de reabertura, porém, partiu de parte dos comerciantes da cidade após a emissão de um novo decreto, feito na última quinta-feira (26) pelo prefeito Ivan Vicensotti, autorizando a reabertura de estabelecimentos diante de algumas restrições.

A reunião entre os comerciantes reuniu na ocasião aproximadamente 20 pessoas que decidiram pela reabertura de seus estabelecimentos. Durante o final de semana, eles se organizariam, efetuariam a desinfecção dos ambientes internos dos estabelecimentos para então voltarem a atender o público.

Apesar da decisão, o decreto efetuado por Vicensotti prevê algumas restrições. Mesmo com a decisão apoiada pelo Executivo Municipal, alguns empresários da cidade não concordam com a reabertura, em vista que continua ocorrendo o período de isolamento social no Estado de São Paulo até, pelo menos, o dia 7 de abril. A medida ocorre frente ao risco crescente de contágio do vírus que afeta todo o mundo.

Entre os empresários que não concordam com a retomada das atividades do comércio nesse momento está Oscar Carlstron Filho, que atua no ramo de perfumaria. Para ele, o isolamento é a melhor forma de evitar o crescimento dos casos de contágio. “Eu sou radicalmente contra a reabertura do comércio nesse momento. Para mim é um “tiro no pé”, dado o histórico do que aconteceu com outros países que adotaram postura similares, como a Itália, o Iran e os Estados Unidos da América (EUA). Não existe nenhum histórico de país que adotou esse conceito que o presidente [Jair Bolsonaro] está propagando, a não ser a Coreia do Sul por questões peculiares e que não se repetirão aqui. Eu não posso aceitar essa volta ao comércio em paz. O isolamento vai ser necessário, ou faz agora como prevenção, ou isola daqui há pouco tempo, quando começar a morrer mais gente”, relata.

Quanto aos prejuízos causados ao comércio devido ao fechamento de estabelecimentos, Carlstron acredita que o mercado poderá sim se reerguer posteriormente após o período de isolamento. “Os prejuízos são inevitáveis, mas serão inegavelmente menores do que o colapso do sistema de saúde, que será inevitável e vai causar um prejuízo muito maior. Existem outros países mostrando isso. É difícil para o comerciante, mas não tem alternativa. Não sou negativo, mas o comércio terá que parar uma hora ou outra. É melhor parar agora e controlar a curva de infectados para que possamos voltar à vida normal”, acrescenta.

Outro empresário de Artur Nogueira que considera a reabertura do comércio no município algo equivocado neste momento é Hugo Carsltron. De acordo com ele, a quarentena poderá ajudar a conter o avança do vírus e reduzir problemas maiores de saúde, posteriormente. “Em minha opinião, a reabertura agora é um erro. Existem aqueles que não estão dispostos a arcar com a perda financeira que o fechamento representa. Infelizmente, essas pessoas estão equivocadas e podem provocar um mal muito maior. A quarentena é necessária hoje, se interrompida, estenderá muito o período necessário para sairmos dessa pandemia. O prefeito de Milão [Giuseppe Sala], por exemplo, admitiu que interromper a quarentena foi um erro. A comunidade científica está apontando para essa necessidade, mas pessoas baseadas em mensagens de WhatsApp acham que o certo é reabrir. Só posso lamentar”, pontua.

Hugo também faz uma observação sobre o posicionamento do presidente Bolsonaro, e considera que a medida defendida pelo presidente se trata de um viés político. Quanto ao decreto de reabertura do comércio em Artur Nogueira, ele diz que a medida necessitaria de estratégia. “Quanto à declaração do presidente [Jair Bolsonaro], algumas pessoas não entenderam que se trata de uma manobra política para fugir da culpa pela recessão que, certamente virá, decorrente de uma ação necessária [quarentena]. A história recente nos mostra os fatos, mas algumas pessoas tentam legitimar seu posicionamento com piadinhas. Está tendo movimentos pró-abertura do comércio em muitas cidades, mas essa é uma situação complexa. Defendo uma paralisação que me custará caro, mas que se for levada a sério, diminuirá o período de quarentena preservando não só muitas vidas, mas também muitas empresas. Vale também uma observação para o caso de reabertura em Artur Nogueira nessa segunda-feira (30), conforme o decreto do prefeito [Ivan Vicensotti]. Sugiro que na avenida [Dr. Fernando Arens] seja utilizada neste período a Zona Azul, para que o atendimento Drive-Thru seja viabilizado. Acredito que até segunda-feira muita coisa pode mudar. Decisões podem ser revistas e torço para que isso aconteça”, acrescenta.

Vale ressaltar que, mesmo com decisões independentes dos municípios em reabrir estabelecimentos comerciais, é indicado pelo Ministério da Saúde que todos sigam as medidas de isolamento social no país sem saírem de casa por motivos desnecessários, que evitem aglomerações e não recebam ou façam visitas.

Até o momento, conforme divulgação da Prefeitura, o município nogueirense possui oito casos suspeitos de infectados pelo coronavírus (Covid-19) e 79 casos monitorados, que se tratam de pacientes que estão com síndrome gripal, sendo sintomas apenas semelhantes aos do vírus. Todas as pessoas com diagnóstico de síndrome gripal, ou com suspeita de infecção, estão sendo orientados a realizar o isolamento domiciliar.

Artur Nogueira não apresenta nenhum caso confirmado do coronavírus. O setor de Saúde da cidade ainda aguarda os resultados do Instituto Adolfo Lutz.

Confira as medidas indicadas pelo Executivo de Artur Nogueira para que haja a reabertura dos comércios:

FEIRAS: fica autorizada a permanência de barracas destinadas ao comércio de produtos hortifrutigranjeiros e de alimentos, sem a instalação de mesas, cadeiras e consumo no local, podendo adotar o sistema de entregas delivery e atendimento drive-thru;

RESTAURANTES, LANCHONETES, BARES E TRAILERS DE ALIMENTAÇÃO: continua autorizado o funcionamento para atividades internas, entregas delivery ou atendimento drive-thru.

CÓMERCIO E LOJAS EM GERAL: fica autorizada o funcionamento para atividades internas, entregas delivery e atendimento individual com portas fechadas;

PRESTADORES DE SERVIÇO, REPRESENTANTES COMERCIAIS E ESCRITÓRIOS EM GERAL: fica autorizado o funcionamento e prestação de serviços a partir do atendimento individual com portas fechadas.

SUPERMERCADOS, MERCADOS E MERCEARIAS EM GERAL: continua autorizado o funcionamento regular, com restrições à aglomeração de pessoas e necessidade de horário de atendimento especial para idosos;

Os empresários, comerciantes, prestadores de serviços e demais responsáveis pelas atividades  deverão adotar todas as medidas de higiene e prevenção ao combate do novo coronavírus    (Covid-19).

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