15/10/2010

Conversa com uma professora…

Em comemoração à semana do professor, pedimos há alguns alunos que entrevistassem alguma professora de Artur Nogueira. A escolhida foi Gilmara Gomes Barbosa, atual diretora da escola estadual Magdalena Sanseverino Grosso, no Jardim Planalto, em Artur Nogueira. Formada em geografia, pedagogia e psicopedagogia, a professora foi entrevistada pelos alunos José Aparecido, Ítalo Lima, Wesley Araújo e William Maurício e supervisionados pelo professor de língua portuguesa, Haire Conrad. Confira a entrevista

Em comemoração à semana do professor, pedimos há alguns alunos que entrevistassem alguma professora de Artur Nogueira. A escolhida foi Gilmara Gomes Barbosa, atual diretora da escola estadual Magdalena Sanseverino Grosso, no Jardim Planalto, em Artur Nogueira. Formada em geografia, pedagogia e psicopedagogia, a professora foi entrevistada pelos alunos José Aparecido, Ítalo Lima, Wesley Araújo e William Maurício e supervisionados pelo professor de língua portuguesa, Haire Conrad. Confira a entrevista

No começo do ano quando saiu de Mauá e reassumiu a direção da Escola Magdalena Sanseverino Grosso, A Nogueirense Gilmara Gomes encontrou uma escola desacreditada, necessitando de várias reformas e ainda com um péssimo índice no IDEB. Ela adotou um regime de administração centralizador, focado em resultados cujas cobranças se estendem aos professores, funcionários, alunos e pais. O “AMOR É EXIGENTE” afirma ela “Queremos uma escola onde haja o efetivo exercício dos direitos e cumprimento dos deveres”. Baseado nesse Ideal, e demonstrando um comprometimento real com a sua função, ela apresenta à comunidade, em um período de menos de dez meses, uma escola reformada, onde os alunos reaprendem a respeitar e a ter orgulho de estudar, pois estão num ambiente propício ao ensino de qualidade.

Como você reagiu quando soube que iria administrar a escola Magdalena? Fiquei muito feliz, pois Deus havia ouvido minha oração, mas sabia que seria algo desafiador.

Que propostas têm para melhorar essa escola? Quando iniciei meus trabalhos no Magdalena, o desafio era a reforma do prédio, a disciplina e as notas dos alunos. Hoje, a proposta já começa a ser mais no aspecto humano, de construção de valores fundamental para uma cidadania onde há efetivo exercício dos direitos e cumprimento dos deveres. Isto é, o desafio ético da atualidade que relaciona a cidadania com a exclusão social para efetiva dignificação de vidas, compreendendo que a própria vida se constitui intrinsecamente mediante processos de aprendizagem.

O que é uma escola de qualidade? Ao falar pomposamente sobre escola de qualidade refiro-me que em meio à competitividade crescente do mercado, a sociedade necessitará de educação fundamental que lhes entregue os instrumentos no que se refere a competência mínima e flexíveis, daí à reconstrução da escola em favor da educação pela / para qualidade, onde haja organização do espaço físico em favor de algo maior que  transcenda o que é visível, pois faz parte da mente/ intelecto  do seres humanos que estão dentro desta escola, isto é, o núcleo do processo pedagógico deve ser localizado nas experiências do prazer de estar conhecendo, nas experiências de aprendizagem que são divididas como algo que faz sentido para as pessoas envolvidas e é, humanamente gostoso, embora possa implicar também árduos esforços. Como por exemplo: chegar à escola no horário certo, fazer a tarefa, ser educado, estudar para prova, fazer os deveres de casa… Tudo isso faz sentido para o aluno que veio à escola para aprender.

Qual sua principal meta para nossa escola no âmbito educacional e disciplinar? Quando nos referimos a metas, queremos aspectos em longo prazo quantitativamente. Acredito que o âmbito educacional está estritamente ligado ao disciplinar, mas vamos tratá-los separadamente até mesmo pelo motivo de explicitá-los. No que se refere à educação cognitiva espero que 90% dos alunos realmente aprendam e tirem notas azuis e 95% melhorem a disciplina cultivando o respeito no ambiente escolar, criando vínculos pessoais para identificação do problema, as soluções dos conflitos e autoconsciência emocional nos relacionamentos.

Quando a senhora chegou percebeu que havia muitos desafios. Qual foi a sua prioridade? Minha prioridade foi implantar as normas de conduta escolar, ou seja, cada um cumprindo suas funções: professores dando aulas, alunos aprendendo, secretária cuidando dos documentos… Mas o maior desafio foi administrar tudo isso diante de uma reforma no prédio.

Qual a maior dificuldade que encontrou em nossa escola? Desanimou-se em algum momento? Foi a visão de escola que alguns alunos levavam para seus pais. Em muitos momentos cheguei a chorar quando alguns pais vinham até mim agressivamente, pois seus filhos, meus alunos haviam falado grosseiramente a meu respeito. Mas nunca, nunca desanimei, nem pensei em desistir, pois sei que Deus me enviou aqui no Magdalena para uma grande obra e quando a obra é de Deus, ninguém pode pará-la.

A senhora já pensou em desistir dessa escola? Nunca, nunca, nunca… Eu amo o Magdalena e todos que aqui estão.

Qual foi a melhor escola em que trabalhou? Que experiência adquiriu em outras administrações? A melhor escola é sempre aquela que eu faço parte e hoje é a nossa querida escola Magdalena. Já fui coordenadora do Caic, do Falcone, do Laranjeiras e do Cardona; vice-diretora do Itamaraty e diretora do Magdalena (2004) , Munhoz (2006) , Vila Magini (Mauá-2009), Cecília Pereira (Campinas) e novamente do Magdalena (2010).

A escola Magdalena já é o que você esperava ou ainda tem que melhorar? Aonde você quer chegar? Já conquistamos muito em pouco tempo, mas acredito que educação tem que continuar construindo a todo tempo. Quero chegar ao melhor que conseguirmos: escola organizada, limpa e contínua aprendizagem, ou seja, ser o máximo que conseguirmos em todos os aspectos.  Queremos ter a melhor escola.

Você tem fama de ser rígida e muito brava. Existe uma Gilmara que sabe sorrir e se descontrair por trás desta imagem? Ser diretora exige muita responsabilidade e competência, exige tomar decisões certas em pouco tempo de raciocínio no que se refere a funcionários, professores, alunos, pais, pagamento de professores e fornecedores, entre outros… Mas existe uma Gilmara alegre, amorosa, brincalhona e muito companheira, que apesar de rígida, defende aqueles que ama sabendo ser grata com todos. É o amor exigente!

Alguns alunos aprovam seu trabalho e te defendem, mas se sentem incomodados quando você dá bronca em todos, inclusive neles. O que você pode lhes dizer? Lembre-se que a diretora Gilmara tem uma missão no Magdalena e que “ela” sabe quem realmente são os alunos. Quando uma ação é feita no coletivo com a presença de outras pessoas necessita ser “corrigida” também em meio a elas, pois todo ser humano aprende coisas boas ou más no meio em que vive.

Que conselhos você pode dar aos alunos que irão ler esta entrevista? Que me compreendam como diretora do Magdalena e como ser humano que sou, com meus erros e acertos. Estudem muito, para que seu amanhã seja melhor… Amo todos vocês!


Comentários

Não nos responsabilizamos pelos comentários feitos por nossos visitantes, sendo certo que as opiniões aqui prestadas não representam a opinião do Grupo Bússulo Comunicação Ltda.