26/10/2018

Com perna quebrada há semanas, pacientes esperam por vaga em Artur Nogueira

Prefeitura informou que as vagas para atendimento com ortopedistas estão com prazo máximo de 15 dias para agendamento

Daniela Fernandes

José Costa caiu do telhado há mais de duas semanas e ainda aguarda por uma vaga para fazer cirurgia em Artur Nogueira. Com fortes dores, ele sofre por não ter conseguido atendimento médico de acordo com relato do sobrinho Maelson. Segundo profissionais da área da Saúde nogueirense, ele fraturou o fêmur em dois lugares e, por isso, precisa passar por intervenção médica urgente.

“Todo dia, o pessoal diz que está tentando conseguir vaga. Ele precisa ser transferido para fazer uma cirurgia. Sente muita dor. Só falam isso: ‘que não tem como fazer nada'”, critica. Maelson menciona que alguns vereadores tentaram mediar e conversar com o prefeito sobre a suposta falta de atendimento no setor da ortopedia, mas “não adiantou nada”. Assim, o paciente permanece aguardando a vaga na rede pública.

Semelhante à realidade vivida por José, encontra-se a mãe de Vanessa Araújo, Adelicia, que caiu em frente a casa onde reside. “Levei ela para o hospital e o médico examinou e tirou um raio-X. Segundo ele, a perna não tinha quebrado. Ele até levantou a perna dela para cima e solicitou a compra de um remédio”, conta. Mas Vanessa destaca que a mãe chegou em casa no mesmo dia e não conseguia encostar o pé no chão de tanta dor que sentia.

“Retornamos no dia seguinte. Outro médico examinou minha mãe. Ele constatou que o fêmur dela havia quebrado. Ficamos 12 dias esperando vaga pelo CROS e nada. Disseram que haviam encontrado vaga em Campinas [SP]. Fomos até lá e o pessoal do hospital disse que não tinha vaga nenhuma, ou seja, encaminharam minha mãe com vaga zero”, denuncia. A moradora conta que a mãe dela esperou por duas ou três semanas para conseguir operar.

Adelicia, após a cirurgia, sofreu um Acidente Vascular Cerebral. A filha dela aponta a demora no atendimento médico como uma das possíveis causas do AVC. “Hoje, ela não fala, não anda, fica entubada, se alimenta por sonda e está totalmente dependente de uma pessoa. Tudo isso pela demora no atendimento”, lamenta Vanessa.

Prefeitura

Apesar dos relatos, a prefeitura de Artur Nogueira informa que as vagas para atendimento com ortopedistas estão com prazo máximo de 15 dias para agendamento. Atualmente, a rede municipal conta com três profissionais que atendem cerca de 400 consultas ambulatoriais por mês.

“Lembramos que o Centro de Especialidades realiza apenas consultas ambulatoriais e agendadas previamente. Os casos de urgência (quedas, fraturas, acidentes) devem ser atendidos pelo hospital do município”, pontua o Poder Executivo por meio de nota.

Indicação parlamentar

O vereador Rodrigo de Faveri (PTB) solicitou a contratação de pelo menos um médico ortopedista para atendimento diário no município nogueirense. O documento foi protocolado pelo edil em setembro, porém, até o momento, a demanda não foi atendida pelo Poder Executivo.

Segundo a justificativa do pedido do vereador, os moradores de Artur Nogueira estão ficando à mercê de atendimento digno na área de ortopedia. “Temos relatos verdadeiros, que pessoas/pacientes que necessitam atendimento, de urgência, na saúde pública, por ocasião de quedas e ou quebraduras, no corpo, não estão tendo atendimento apropriado, por falta deste profissional”, diz o parlamentar.

O petebista conta que presenciou dois casos especiais de quebraduras. “Um deles em uma senhora de 83 anos e outro em um jovem e estes não foram atendidos, de forma como se deve tratar os pacientes, tendo em vista, que não havia um ortopedista, para atendimento, sendo que a primeira, ficou somente em observação, sem os cuidados, deste especialista, por mais de dois dias, tendo que esperar o dia em que o especialista viesse trabalhar”.

Faveri (PTB) diz que os fatos são inadmissíveis, em especial, no atendimento dos mais carentes. “É obrigação do poder público, sem contar que os pacientes, ficam na famigerada fila de vagas, sem expectativa de atendimento, humanizado. É muito triste para a família destas pessoas, além de desumano esta situação, que sem sombra de dúvidas, revolta nossos cidadãos, contribuintes de seus impostos e que esperam por um atendimento mais digno, em seus entes queridos”.

Pelas razões expostas, entre outras, ele pleiteou ao Executivo medidas que possam fazer com que a área de Saúde conte com mais especialistas em ortopedia. “Peço pelo menos para amenizar o sofrimento daqueles que necessitarem deste tipo de atendimento”.

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