19/06/2018

Câmara adia votação de projeto que amplia cemitério de Artur Nogueira

Proposta seria votada nesta segunda-feira (18), mas agora só deve ser discutida em agosto, após o recesso parlamentar

Da redação

A votação do Projeto de Lei Complementar (PLC) 009/2018, de autoria do Poder Executivo e que desafeta uma área verde do Parque Residencial Ida Sia para ampliação do Cemitério Municipal de Artur Nogueira, foi adiada pela Câmara Municipal. A proposta seria votada nesta segunda-feira (18), mas agora só deve ser discutida em agosto, após o recesso parlamentar.

O PLC desagradou os moradores do Ida Sia e foi tema de uma reunião entre munícipes e parlamentares na semana passada. Nesta segunda-feira (18), a proposta entrou na pauta da última sessão ordinária do semestre com um pedido de dispensa de pareceres. Ou seja, deveria ser votada na mesma plenária, sem passar pelas comissões internas da Casa de Leis.

Cemitério atual: espaço para enterros até dezembro, segundo estimativa

No entanto, após o intervalo regimental da sessão, o presidente da Câmara, o vereador Ermes Dagrela (PR), anunciou que o pedido de dispensa de pareceres do PLC 009/2018 fora retirado a pedido dos autores. Portanto, seguindo o regimento, a proposta voltará a ser analisada no Legislativo pelas comissões internas antes de ser novamente pautada. A próxima sessão, contudo, só acontece em 6 de agosto, pois a Casa entra em recesso de um mês a partir de 1º de julho.

Reunião com prefeito

Na reunião realizada na última terça-feira (12), que contou com a presença de residentes do Ida Sia, vereadores e um engenheiro da Prefeitura, foi decidido que uma comissão de moradores se reuniria com o prefeito Ivan Vicensotti (PSB) para discutir alternativas e negociar um acordo.

Comissão que irá se reunir com o prefeito nesta terça-feira (19)

O chefe do Executivo, porém, não pôde se reunir com a comissão na sexta-feira (15), como esperado, e reagendou a reunião para esta terça (19). O encontro deve ocorrer às 9 horas, com a presença de servidores da Prefeitura e de vereadores.

Repercussão na Casa

Segundo Professor Adalberto (PSDB), o projeto não poderia ser votado pela Casa sem antes o prefeito se reunir com os moradores. “Mas eu quero deixar bem claro aqui que só vou me posicionar a favor desse projeto se houver um acordo entre o Poder Executivo e moradores do Ida Sia”, advertiu. “Se não houver acordo, eu já declaro contrário o meu voto”.

Ele ressaltou que o cemitério atual não terá espaço para sepultamentos depois de dezembro. “Só que nós estamos já com um ano e sete meses desse governo. Então essa decisão [de ampliar o cemitério] poderia muito bem ter sido tomada um ano atrás”, pontuou.

Lucas Sia (PSD) elogiou os moradores do bairro que foram à reunião e fez das palavras de Adalberto (PSDB) as suas. “Se houver algum alinhamento entre o Executivo e a população do bairro, contem com meu voto. Se não, eu também vou acompanhar as pessoas do bairro”, declarou, emendando que acha problemática a ideia de resolver a questão a curto prazo.

Planta urbanística da ampliação do Cemitério Municipal

“Acho que seria empurrar com a barriga fazer um cemitério numa localidade que você conseguiria prolongar por oito anos”, disse. O parlamentar comentou que a gestão do Poder Executivo não pode resolver as coisas de um jeito que as complicações surjam novamente nas gestões seguintes. “A gente tem que fazer coisas que fiquem por um longo tempo”, afirmou.

Segundo Sia (PSD), não é de agora que o Executivo sabe que o espaço do cemitério está para acabar. “Isso é falta de gestão, isso é falta de planejamento”, disparou.

Davi da Rádio (DEM), por sua vez, disse ter ficado surpreso pelo fato de o prefeito não ter recebido os moradores na sexta-feira (15). “E se hoje o projeto fosse votado, não teria o meu voto favorável”, declarou. “Porque para mim o que é combinado tem que ser cumprido – palavra de homem não volta atrás”, arrematou em plenário.

Exemplo de cemitério do tipo parque, que o PLC propõe

Rodrigo de Faveri (PTB) elogiou o trabalho dos colegas nas negociações sobre a proposta e criticou o Poder Executivo. “Se não tivesse gasto R$ 8 milhões contratando empresas terceirizadas, talvez poderia resolver o problema. Não o dele [do prefeito], mas o da cidade e a longo prazo”, salientou.

Para Zé Pedro Paes (PSD), após os 100 anos de funcionamento do atual cemitério, chegou a hora de procurar uma área fora do perímetro urbano. “Ou que seja mais distante, num reduto da cidade, e não atrapalhe nenhum morador”, sugeriu. “E, principalmente, que não desafete uma área verde. Nós estamos carentes de áreas verdes na cidade”.

Lari Baiano (PSC) contou que, junto com Beto Baiano (PRP), saiu às 17 horas do gabinete de Ivan Vicensotti (PSB) decidido a pedir vistas do projeto. “Mas o prefeito teve consciência e, em nome dessa casa, eu agradeço ao prefeito por ter pedido para retirar o [pedido de dispensa de pareceres do] projeto”, comentou.

“Desde já quero deixar claro ao prefeito que não sou contra ele em nada, mas nesse projeto eu vou votar contra”, assegurou. “Seja qual for a decisão que tomarem na reunião amanhã, eu sou contra o projeto.”

A Câmara estará em recesso entre 1 e 31 de julho. A partir de 6 de agosto, as sessões serão retomadas e espera-se que a discussão sobre o cemitério evolua até lá.

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