04/06/2015

Artur Nogueira registra 100 casos de violência e abandono a crianças

Para especialistas, crianças que são vítimas crescem conformadas com a violência ou passam a repetir este mesmo padrão de atitude dentro do convívio familiar.

Em dois anos foram registrados 100 casos envolvendo violência e abandono a crianças em Artur Nogueira. O Dia Internacional das Crianças Vítimas da Violência e Agressão, lembrado nesta quinta-feira (04), foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1982. A data é voltada para a reflexão da importância e valor da criança em meio a sociedade e pede o fim da violência. Segundo especialistas, crianças que sofrem violência, seja ela física ou psicológica, costumam carregar estes traumas pelo decorrer da vida, muitas vezes repetindo-os no meio familiar.

Dados do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Artur Nogueira mostram que entre o período de maio de 2013 à maio de 2015, houve 69 casos de abuso e violência contra crianças denunciados. Já em estado de abandono, o Creas teve 31 casos denunciados. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera que até os 12 anos incompletos uma pessoa ainda é considerada criança.

A coordenadora do Creas, Sara Abijah, relata que o papel do órgão em relação ao atendimento às crianças vai além de acolher, mas interferir no ciclo de violência. Trabalho que também é desenvolvido com a família. “O Creas atende a criança, o adolescente e a família, visando interromper o ciclo de violência. Ele identifica os danos causados e procura buscar pleno atendimento após elaborar um plano familiar em equipe multidisciplinar, entre assistente social e psicólogo. O atendimento é realizado de forma individual ou em grupo”, explica.

Quanto ao Conselho Tutelar, o órgão assegura os direitos da criança ou do adolescente envolvido em casos de violência, realiza encaminhamentos e toma providências para que a vítima saia da situação de violência o mais rápido possível, de preferência, afastando-a do abusador. Além de encaminhar o caso ao Ministério Público que também possui um papel fundamental, assegurando os direitos da criança e responsabilizando o agressor.

A psicóloga do Creas de Artur Nogueira, Patrícia Poletti, aborda quais são os níveis de violência e os reflexos negativos no desenvolvimento da criança. “A violência física é a mais comum de se perceber, mas a mais grave é a psicológica, que se configura através da ameaça e xingamento. Esta é a que causa mais traumas e a mais difícil de se identificar, pois a vítima acaba criando medo de se expor”, afirma. Patrícia explica que todo o tipo de violação moral e sentimental está diretamente ligado à violência psicológica.

A criança que sofre violência cresce com baixa auto-estima e pode apresentar futuramente quadros de depressão, transtornos de humor e, em alguns casos, o risco de suicídio. Segundo a psicóloga, muitas crianças crescem conformadas com esses tipos de violência ou passam a repetir este mesmo padrão de atitude dentro do convívio familiar. “Ela aceita essa violência e acaba depois sendo o violador”, declara.

Após a criança ser vítima de algum tipo de violência, é preciso que ela tenha um atendimento e o acompanhamento de um psicólogo. O profissional tem o objetivo de que a criança supere o trauma sofrido e que o pai, a mãe ou quem pratica a violência, busque outras formas de educação. De acordo com a psicóloga, o trabalho deve ser desenvolvido com a criança e com a família, que costuma ser a responsável pela violência. “É um trabalho a longo prazo e muito difícil, porque a família tem que perceber que essa violência que eles costumam achar que é uma educação, na verdade não vai estar educando, vai estar criando mais violação”, pontua.

A assistente social de Artur Nogueira, Elisete Gonçalves, explica que existem métodos já estabelecidos em Lei sobre a valorização da criança como forma de garantir um futuro mais justo. “Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, é um papel de todos garantir o direito da criança, cada pessoa deveria ter essa ciência. Se a criança tem o direito dela resguardado, com certeza a gente vai ter menos adolescentes em atos infracionais e menos violência”, afirma.

Elisete acrescenta que para haver métodos de valorizar a criança em meio a uma sociedade violenta é preciso buscar o protagonismo infantil e juvenil, para que ela possa ser autora da própria história. Programas sociais, culturais e uma boa formação educacional são complementos para esses fatores. “Como é um papel de todos, a criança não pode ficar esquecida dentro de casa”, completa.

As denúncias contra os casos de violência infantil devem ser feitas ao Conselho Tutelar pelo telefone (19) 3877-1144, ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) pelo telefone (19) 3877-4402, pelo Disque Direitos Humanos no telefone 100 ou pelo Disque Denúncia, 181.


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