24/07/2016

Artesã explica como famílias de Artur Nogueira podem gerar renda em meio à crise

Maria Telma Alves da Silva, presidente da Associação de Artesãos Colmeia Real, afirma que solução para os problemas econômicos está ao alcance de todos.

Por Rui do Amaral

Crise. A palavra, que é ouvida praticamente todos os dias em diversos meios de comunicação, parece estar cada vez mais presente no cotidiano das pessoas. E não adianta desligar o rádio, a televisão ou o computador. Basta ir ao supermercado para constatar: os preços dos produtos estão cada vez mais altos e, no final do mês, uma compra que antes era feita com certa tranquilidade agora passa a pesar no bolso do trabalhador. Com os salários longe de conseguir acompanhar a inflação, que já tem média de 10% em 2016, o risco de não mais conseguir sustentar a própria família chegou há um tempo e muitas pessoas lutam dia a dia para garantir a manutenção da qualidade de vida já estabelecida.

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Se quem possui emprego enfrenta esta situação de insegurança financeira, quem está desempregado vive um momento ainda mais crítico. Com o mercado de trabalho cada vez mais competitivo e saturado em praticamente todos os setores, procurar alguma vaga que garanta ao menos um salário mínimo não é uma tarefa simples. Mas, será que há solução para quem necessita de renda e está desempregado? Para Maria Telma Alves da Silva, a entrevistada desta semana pelo Portal Nogueirense, a resposta é positiva.

Em uma breve conversa, Dona Telma, como é conhecida em Artur Nogueira, explica sobre como mudou a vida de centenas de famílias que buscam apenas uma coisa: gerar renda. Presidente da Colmeia Real, entidade conhecida pelos trabalhos de artesanato que desenvolve no município e professora na Casa ADRA, outra instituição que também trabalha na área de formação e capacitação de quem quer gerar renda exercendo alguma atividade, Telma explica como faz para auxiliar tantas pessoas que procuram segurança financeira e mudam de vida com as atividades proporcionadas tanto na Colmeia real como na Casa ADRA.

Você nasceu em Artur Nogueira? Não, sou alagoana de Ouro Branco. Fiquei por muito tempo no Nordeste, onde criei cinco filhos sozinha. Estou em Artur Nogueira há cinco anos e tenho alguns familiares que moram aqui.

Você sempre esteve envolvida em projetos de geração de renda? Quando e como você iniciou estas atividades? Sim, desde 2003 quando entrei para a Pastoral da Criança e passei a acompanhar famílias carentes. Foi através das necessidades vivenciadas durante o tempo em que estive nas comunidades surgiu a necessidade de formar grupos de produção de artesanato para geração de renda e envolvimento com as famílias mais carentes e necessitadas.

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Que outras atividades você desenvolveu antes de sair do Nordeste? Fui coordenadora do Fórum Estadual da Economia Solidária, também em Alagoas, e trabalhava assessorando os projetos e casas de cursos que surgiam. Sempre com o foco na geração de renda, mas também valorizando os laços que formamos quando trabalhamos em comunidade.

Agora vamos falar sobre Artur Nogueira. O que é a Colmeia Real? Colmeia Real é um grupo de artesãos que surgiu em junho de 2014 e tem como objetivo principal a geração de renda para os artesãos que tinham dificuldades em divulgar e comercializar os seus produtos. O grupo vem se fortalecendo para a formalização da associação, o que vai nos permitir obter mais ajuda e segurança nos nossos projetos.

O que é produzido na entidade? Trabalhamos com a produção de bolsas, tapetes, crochê, bordados, flores em EVA, sabonetes artesanais, fuxico, bijuterias, pulseiras artesanais entre outros.

Quais são as atividades exercidas na Colmeia Real? Começamos sempre com reuniões, visando a organização de feiras para, assim, expor os nossos produtos e podermos comercializa-los, participando também de eventos na cidade com todo apoio da Secretaria De Cultura de Artur Nogueira.

E a Casa ADRA? Qual o seu papel na instituição? Na Casa ADRA sou professora voluntária, onde dou aulas de produção de doces caseiros em diversos tipos de sabores e alimentação alternativa. Uma coisa interessante é que, mesmo os participantes não tendo nenhum custo para a realização das oficinas, eles mesmos é que trazem a matéria-prima para a produção. Por exemplo, se alguém tem um cacho de bananas em casa que já está passando do ponto, podemos utiliza-lo para fabricar doces de banana, que ficam até melhores se feitos com as frutas mais maduras. Todos se ajudam, como uma comunidade mesmo.

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Quem pode participar dos cursos e atividades realizados nestas duas instituições? Possui algum custo de inscrição e mensalidade? Qualquer pessoa que esteja desejando participar de algum curso com interesse em gerar renda. O foco dos cursos é trazer pessoas que estejam desempregadas para gerarem seus próprios salários através da produção e comercialização durante o período de curso, podendo também exercer a produção caseira, ou seja, em casa, aplicando as técnicas aprendidas nas aulas, podendo assim vender para fora. As inscrições são gratuitas e não há mensalidade. É totalmente de graça.

Quantas pessoas já foram beneficiadas por estas duas instituições? Na Casa ADRA, somente no ano de 2015, foram mais de 250 famílias. Este ano foram mais de 70 beneficiadas até o primeiro semestre. A Casa ADRA segue com matriculas abertas para o segundo semestre de 2016. Na Colmeia Real já foram mais de 40 famílias, sendo que a Colmeia é uma associação onde não existe contrato que determine tempo para a pessoa exercer a venda de seus produtos.

Hoje em dia, em meio à atual situação econômica do país, muitas pessoas têm encontrado dificuldade em gerar renda e sustentar suas famílias. O que fazer nesta situação? Nesta situação atual em que o Brasil se encontra não é nada fácil sobreviver estando desempregado, mais ainda bem que existem instituições como a ADRA e a Colmeia Real, onde as pessoas podem procurar qualificação para poder exercer algum trabalho em seu benéfico. Por ser gratuito, as pessoas tem a chance de se profissionalizarem sem despesas. O indicado que as pessoas usem e abusem da criatividade, unindo forças com outras pessoas que estão vivendo a mesma situação. É como dizia Platão: a necessidade é a mãe da invenção. As pessoas podem tomar vantagem do desemprego para se profissionalizarem nas horas vagas.

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E se alguém deseja obter uma renda extra comercializando produtos que ela mesma produziu, mas não saber vender. O que fazer? Nós estamos preparados para dar assistência a essas pessoas e ensinar a comercialização de seu próprio produto, através da Feira de Artesanato que já existe todo segundo sábado do mês, na Praça do Coreto.

Recentemente você esteve em Brasília para participar de uma conferência. Sobre o que se tratava? Estive em Brasília em maio, na quarta Conferência Nacional de Políticas Públicas para Mulheres e representei a cidade de Artur Nogueira como delegada da cidade. Na ocasião foram discutidos diversos temas de inclusão social, geração de renda e direitos da mulher. A conferência também focou nas novas leis que visam a inclusão de mulheres na área trabalhista entre muitos outros temas. Pude trazer muito desta experiência para as atividades que realizo aqui em Artur Nogueira.

Ficamos sabendo de uma possível parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O que você pode nos dizer sobre isso? Durante o período da conferência, tive oportunidade de conhecer professores da UFRJ, onde falei sobre projetos dos grupos exercidos aqui na cidade, o que despertou uma certa curiosidade neles. Os professores se colocaram à disposição para formar parcerias que podem, futuramente, trazer novos cursos para nossas associações, como por exemplo os cursos de Cálculo de Custo e empreendedorismo, que se encaixam perfeitamente nas necessidades locais de nossas organizações. Assim que as turmas do segundo semestre se formarem teremos estes profissionais nos ajudando e prestando auxílio.

Qual conselho você dá aos nogueirenses que desejam driblar a crise? Há solução? Sim, há solução! Temos que acreditar em nossos potenciais e irmos em busca de um novo amanhã. Também é fundamental estarmos com Deus em nossos corações pedindo uma direção, mas sempre correndo atrás de nossos objetivos. Não podemos ficar de mãos atadas vendo uma situação ruim nos dominar. Precisamos ser perspicazes, perseverantes e possuirmos força de vontade, lembrando que todos querem vencer, mas algumas pessoas se esquecem que não existe vitória sem batalha.


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