10/05/2019

Após ser preso por homicídio, homem é inocentado em Artur Nogueira

Ex-amásio de Ana Paula, apontado como suspeito pela morte da munícipe, foi absolvido por jurados entenderem que havia dúvidas quanto à acusação

Da redação

O tribunal do juri realizado nesta sexta-feira (10), em Artur Nogueira, tratou sobre o caso de homicídio contra Ana Paula de Araújo dos Santos. O crime ocorreu em 6 de março de 2018. Na ocasião do juri, o suspeito, que se tratava do ex-amásio da vítima, foi absolvido após o corpo de jurados entender que havia dúvidas quanto à acusação presente no processo.

A sessão do juri teve início às 9h30, no Salão Nobre da Câmara de Vereadores de Artur Nogueira. Estiveram presentes o réu, advogados de defesa, testemunhas de defesa, sendo elas dois amigos do suspeito pelo crime, três testemunhas de acusação, incluindo o delegado e um policial civil que trabalhou no caso, além de uma amiga que residia com Ana Paula. O tribunal também foi composto por juiz, promotoria, corpo de jurados – sendo três homens e quatro mulheres – além de servidores judiciários e espectadores.

Durante a sessão, o delegado e o policial civil que foram ouvidos na ocasião afirmaram ter evidências suficientes para apontarem o réu como o autor do homicídio. “Existem fortes indícios de que o crime seja imputado ao réu aqui presente, como por exemplo, queixas de agressões, perseguições e ameaças, tanto relatadas pela vítima, também por pessoas próximas a ela. Também não entendo como ele pode ter deixado a cidade na data do crime, sabendo que a mãe dos filhos dele teria sido brutalmente assassinada”, afirmou o delegado, dr. Lúcio Antônio Petrocelli, responsável pela investigação do caso.

Uma amiga que morava com Ana Paula, arrolada como testemunha do caso e que esteve presente na sessão do juri, apontou o réu como o suspeito pela morte da vítima. “Por várias vezes, ele a perseguia, passava de carro em frente à casa dela, enviava mensagens no celular e já a agrediu. Ela tinha muito medo dele”, relatou a testemunha, que terá o nome preservado nesta matéria.

Duas testemunhas de defesa do réu, que também vão ter aqui a identidade preservada, negaram ter conhecimento de algum caso de violência promovido pelo suspeito para com a vítima. “Pelo que eu sei, ele sempre foi uma pessoa trabalhadora. Sei que ele está sendo acusado pelo crime, mas nunca soube de agressões contra ela”, afirmou uma das testemunhas, que trabalhou com o réu.

A promotora de Justiça, incumbida de relatar a denúncia contra o suspeito durante o tribunal do juri, relatou que existiam evidências suficientes para a condenação do suspeito. “Venho aqui, em nome do Ministério Publico, requerer a justiça quanto a esse caso. Existem provas robustas de que o réu é sim culpado por esse crime torpe, caso assim não fosse, eu mesma solicitaria aos jurados a absolvição dele. Existem registros das ameaças e violências que a vítima sofria”, pontuou a promotora.

A perícia realizada no dia do assassinato de Ana Paula encontrou cápsulas de pistola 380 mm no local do crime, sendo elas apreendidas. Em depoimentos juntados no processo, constava que Ana Paula anteriormente já havia relatado que o ex-amásio possuía um armamento de mesmo calibre do que foi usado no crime. Pessoas que residem próximas ao endereço onde o crime aconteceu, disseram às autoridades ter escutado o barulho de alguém com uma moto de grande porte deixando o local. O réu relatou na sessão ter tido uma moto também de grande porte, mas ela não foi encontrada no período da investigação policial, pois, conforme as testemunhas de acusação, sendo o delegado e policial civil presentes na sessão do juri, o veículo teria sido “escondido pelo réu”.

O advogado de defesa do acusado, porém, indagou a atuação da denúncia contra o réu, declarando que houve faltas de indícios que comprovem a atuação do suspeito em relação ao crime de homicídio e, dúvidas quanto as acusações a ele proferidas pelas testemunhas e pelo Ministério Público. “É preciso que os jurados julguem esse caso com justiça, diante dos autos do processo, livre de preconceitos e opiniões particulares. Essa pessoa já entrou aqui condenada pela sociedade, pela repercussão que o caso teve nas redes sociais e, também, pelas testemunha que aqui estiveram. Nem mesmo buscas na casa do réu foram feitas para que essa suposta arma que ele possuía pudesse ser encontrada”, apelou a defesa.

A defesa ainda apontou que existem dúvidas de que o acusado seria de fato o autor do crime, ou o único suspeito pelo delito, pois Ana Paula concebeu um filho fora do relacionamento com o réu e estava tentando provar na Justiça de quem era a paternidade da criança. Ana Paula foi morta com oito disparos de arma de fogo enquanto dirigia uma motocicleta, modelo Honda/Biz preta, nas proximidades do Jardim Jatobá.

No caso do réu, ele negou durante a sessão qualquer participação no crime e disse ter uma relação comum com a ex-companheira, que costumava visitar os filhos constantemente, negando que já tenha agredido ou ameaçado a vítima. “A acusação é contra mim, mas eu sou inocente, não seria capaz de fazer uma coisa dessas com ela. Já tivemos sim discussões, mas nunca a agredi”, declarou.

Quanto ao fato do réu ter deixado a cidade no dia do crime, ele alegou que estava com a namorada na noite do crime de assassinato de Ana Paula, tendo que deixar o município a trabalho. “Eu retornei somente na presença do meu advogado, porque soube pela mídia que eu era o suspeito do crime”, asseverou.

Após o voto realizado pelo corpo de jurados, o juiz atuante na sessão proferiu a sentença do réu. Ele recebeu a absolvição durante a sessão desta sexta-feira (9), sendo inocentado pelo crime de homicídio contra Ana Paula depois de permanecer preso em regime preventivo por cerca de um ano e dois meses.

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