12/03/2011

Adilson Müller, o ‘amigoooo’ de Artur Nogueira

Você provavelmente conhece o Adilson, já viu ele andando pela rua com seu inseparável guarda-chuva, mesmo quando está aquele sol de rachar. Mas certamente, você não sabe muita coisa sobre esse nogueirense. Não conhece a sua história, sua vida, seus sonhos... Confira a entrevista desta semana, você vai descobrir que o Adilson tem dois empregos, que sonha em fazer um curso superior e que jura de pé junto que um dia vai ser vereador de Artur Nogueira

Alex Bússulo

O entrevistado desta semana não foi muito bem o nosso escolhido, acho que no final das contas ele que acabou nos escolhendo. Tudo começou no Carnaval. Eu apresentando o evento e ele lá em nossa tenda, tirando fotos e fazendo o seu ‘oi amigoooo’ para todos que nela passavam. Ficou o tempo suficiente para a equipe olhar entre si e dizer: “temos que conhecer a história do Adilson!”. E foi assim, naquela mesma noite fizemos o convite ao nogueirense especial, que de cara aceitou. Detalhe: Isso foi na quinta-feira, não é preciso dizer que durante toda a noite se ouvia o Adilson dizer: ‘Vou ser o entrevistadooooo!’. E foi mesmo, mas foi difícil.

Já explico o porquê do ‘difícil’. Na última quinta-feira (10), por volta das 8 horas, saí atrás do meu entrevistado. ‘Oi você conhece o Adilson?’ – essa foi à pergunta que eu fazia às pessoas, que me davam como resposta: ‘O amigoooooo? Claro que conheço!’. Mas quando eu perguntava como fazia para encontrá-lo lá vinha à resposta: ‘Hum, não faço a mínima ideia!’. Alguns até soltavam brincando: ‘Se você esperar por aqui no centro, daqui a pouco ele aparece com o seu guarda-chuva!’.

E assim foi. Ficamos praticamente a manhã toda ‘investigando’ o paradeiro do nosso entrevistado. Parece exagero, mas foi exatamente o que aconteceu. É engraçado, pois todo mundo conhece o Adilson, mas ninguém sabe quem ele é, quantos anos têm, onde mora, o que faz… Ninguém! O que de certa forma fez aumentar a vontade em entrevistá-lo.

Nossa luz no fim do túnel veio do Léo Duzzi, aquele vendedor de suco de laranja, que fica próximo à biblioteca: ‘Por que você não vai à escola Adventista? Acho que o pessoal deve conhecer ele’, afirmou Duzzi, lembrando-se de já ter visto o ‘amigooo’ no colégio.

Vamos para o colégio! Depois de quase toda a manhã de procura, toco a campainha da escola e advinha quem, lá de dentro da escola aparece? O próprio! Adilson Müller, já soltando o grito: ‘Alexxxxxxxx, veio me entrevistar!’. É Adilson, por pouco não desistimos de você! – brinquei. Pronto, agora já tínhamos nosso entrevistado, e melhor ainda, já sabíamos que ele até trabalhava. Óbvio, que não atrapalhamos o seu serviço. Pedi a ele que me passasse seu endereço e o horário que daria para a gente conversar. Me passou tudo certinho: rua, número e bairro. E assim ficou combinado. Às 13 horas eu iria até a sua casa conhecer sua história e sua família.

Voltei para o escritório. Às 12h40, peguei o carro e fui para o encontro. Chego à rua indicada e começo a procurar a casa. Uma confusão só. Uma hora o número começa a subir, outra já está descendo. Resultado: nada de encontrar a casa do sujeito. Pensei: ‘Poxa vida, será que estou tão ruim assim, a ponto de não encontrar uma casa?’. Virei o carro e pela terceira vez fui vendo às casas. Quando eu passo ao lado da igreja da São Vicente ouço: ‘Alexxxxxxxxxxxx!’. Era ele, com seu inseparável guarda-chuva, uma pasta com cadernos e agendas e para a minha surpresa, vestia a camiseta do NOGUEIRENSE, que eu o havia presenteado. ‘Adilson, onde você mora?’ – perguntei. ‘Ali oh!’ – mostrou pra mim o quão era fácil encontrar sua casa. Praticamente ao lado do salão da igreja.

Onde você está indo? – perguntei. ‘Trabalhaaaaaaar’ – respondeu. Mas como assim trabalhar? Ele havia me dito que trabalha só até as onze e meia. E afinal, ele havia marcado comigo. ‘Adilson, entra no carro!’ – disse quase em tom de sequestro. Entrou sorrindo, agradecendo pela carona. No caminho, disse que estava indo trabalhar em um despachante da cidade, que todos os dias durante à tarde fazia esse trabalho, uma forma de conseguir um dinheiro.

Nossa entrevista começou ali mesmo, depois paramos em um banco da praça ao lado da biblioteca. Descobri que o Adilson tem 36 anos e mora com a mãe e com um casal de primos, há mais de trinta anos, naquela mesma casa na São Vicente. ‘Perdi meu pai com 17 anos’, conta, ‘ele morreu de infarto, fui trabalhar com ele e ele caiu do meu lado’, relembra o episódio.

Quem conhece o Adilson, pelo menos uma vez na vida, deve tê-lo ouvido dizer que ele quer ser vereador. Perguntei de onde vem essa vontade e ele me deu uma resposta e tanto: ‘Quero poder ajudar as pessoas, resolver os problemas da cidade’. Perguntei o que ele faria se fosse vereador, disse que instalaria semáforos pela cidade. ‘Artur Nogueira precisa para melhorar o trânsito, até Holambra tem semáforo!’, afirmou. Disse também que se fosse vereador valorizaria o turismo do município, asfaltaria uma parte do Itamaraty e reformaria o Teatro Municipal.

Descobri que além de querer ser vereador, o nogueirense tem sonho de fazer o curso de Administração de Empresa. “Quero estudar no Unasp, conseguir uma bolsa”, diz todo esperançoso. Atualmente faz um curso de informática, aqui mesmo na cidade. ‘Agora vou fazer o CorelDraw avançado e o Photoshop’, diz.

Poucos sabem, mas o Adilson é Adventista desde 2003. ‘Só eu sou adventista, minha mãe é católica, eu adoro ir à minha igreja’, destaca. ‘Mas como você é adventista e foi para o Carnaval de Artur Nogueira?’ – perguntei, como resposta disse que foi apenas em dois dias, na quinta e na terça-feira, para ver os shows do Dinho e Lucas e da Banda Ápice, nos outros dias de Carnaval fez questão de me dizer que foi acampar.

Perguntei se ele já tinha namorado alguma vez, respondeu que por duas vezes, em uma delas disse que o pai da moça era muito bravo: ‘ele não queria que eu namorasse a filha dele não, chegou até tacar pedra em mim’, relembra rindo do ocorrido. Também fez questão de dizer que atualmente não está namorando: ‘Tô solteiroooo’, disse todo animado.

Disse que quer se casar e ter um casal de filhos, já tem até o nome deles em mente: Luciano e Karen. Sobre a mãe dos filhos me surpreendeu com a resposta: ‘Está nas mãos de Deus, ele que vai escolher minha felizarda’, disse.
Perguntei também se tinha alguma coisa que o irritava, disse que não gosta quando as pessoas tiram sarro. Sarro? – perguntei, e ele explicou: ‘Sarro do meu time, do Corinthians!’.

Minha última pergunta naquele banco foi sobre o porquê que ele sempre estava com um guarda-chuva, à resposta veio na lata: ‘É por causa da chuva né!’.
Despedi-me do amigo, que saiu cumprimentado todos que estavam na praça, do jeito ‘Adilson’ de ser. E fui até a casa dele, conhecer sua família. Cheguei a casa, bati palma e saiu uma mulher já idosa. ‘A senhora é a mãe do Adilson?’ – perguntei. Ela confirmou com um sorriso e me convidou para entrar. Dona Maria, a mãe, conversou comigo por alguns minutos. Disse que teve dois filhos, o Adilson e outro, que infelizmente nasceu morto. Explicou que o Adilson nasceu de parto normal, mas que passou um pouco do momento de nascer, o que acabou prejudicando seu desenvolvimento. Entrei no quarto do nosso entrevistado, tudo muito simples, mas bem organizado. Uma cama de solteiro, um guarda-roupas, uma televisão pequena, alguns quadros do Corinthians e muitas medalhas de campeonatos de futebol e futsal que já participou. ‘O Adilson é uma pessoa muito boa, por isso todo mundo gosta dele’, afirma a mãe.

Esse é o Adilson, um homem que é muito especial, não por causa de sua deficiência, mas por ser amigo de ricos, pobres, de mulheres, homens, crianças e de todos que cruzam pelo seu caminho.


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