23/02/2016

Moradora de Artur Nogueira disponibiliza livro em que avô relata encontro com ETs

Obra escrita em 1973 conta suposta viagem de Samuel Freire ao Planeta Dourado, onde alienígenas teriam lhe confidenciado profecias e lhe feito embaixador da Terra.

Por Isadora Stentzler

O livro “Argêoton o Planeta Dourado”, escrito por seu Samuel Freire em 1973 e entregue à família na década de 90, foi digitalizado pela neta e está disponível na rede. A obra de 568 páginas escritas a mão conta a suposta experiência de abdução vivida por Freire após uma nave o levar para o planeta dourado. Para Gabriela Freire, neta que ficou com o livro e hoje vive em Artur Nogueira, disponibilizá-lo é cumprir o desejo do avô.

Desde agosto do ano passado quando a história foi publicada pelo Portal Nogueirense, não foram poucos os internautas que mandaram mensagens à redação e à família interessados na obra. Segundo calcula Gabriela, mais de 300 pessoas a procuraram pedindo cópias do material. “Ainda hoje, tanto tempo depois da reportagem ter saído, diariamente pessoas me adicionam nas redes sociais me pedindo uma cópia e querendo conversar sobre isso”, conta Gabriela. “Fui convidada pra eventos que falavam sobre o assunto e muita gente queria que eu contasse um pouco do livro, de todo Brasil, do Rio de Janeiro, de Brasília, de todo lado.”

A digitalização é da obra original e mostra as letras garrafais com as quais Samuel escreveu a história, bem como as páginas numeradas a mão. “Ainda temos o manuscrito, matérias de jornais, cartas escritas e recebidas pelo seu Samuel. Material que ele mesmo juntou e esperamos digitalizar em breve”, detalha Rafael Freire, esposo de Gabriela, que a ajudou a digitalizar a obra. “Eu não conheci o senhor Samuel, infelizmente, mas sei que ele era uma pessoa muito inteligente apesar de ter estudado apenas o fundamental e sei que o sonho dele era divulgar seu relato ao máximo de pessoas.”

História

O caso teria se passado em setembro de 1973 em Planura/MG. Segundo o livro, quando seu Samuel voltava do trabalho, por volta da meia-noite, ele foi interceptado por um extra terrestre que lhe conduziu a uma nave. O destino era visitar Argêoton, o ‘Planeta Dourado’, que ficava na “segunda galáxia do Universo a 2.592.000.000 de quilômetros de distância”. Na nave ele teria feito amizade com a recepcionista, uma socióloga, com toda a equipe da tripulação e participado de uma ceia familiar, “tradição dos deuses do universo”.

O livro conta com detalhes a experiência. Ao chegar na nave Samuel teria passado por uma cirurgia em que foi mexido na parte do cérebro que responde pela memória, para não esquecer das experiências vividas durante a viagem, e teria sido nomeado embaixador da Terra.

O primeiro alienígena, aquele que lhe conduziu à nave, é descrito como uma fera de olhos azuis faiscantes, capacete com antenas nas cores verde e vermelha e 1,65 de altura – tamanho padrão de todos os moradores de Argêoton. Ele vestia um macacão e por cima dele um manto cheio de escamas nas cores verde e marrom.

“Hoje escrevo tudo com a máxima naturalidade e relato os fatos sem fantasias. Vejo que depois de tudo o que passei e senti, se não tive um colapso, é porque fui escolhido para aquela grande missão. A qual estou descrevendo, após alguns meses passados, mesmo sabendo que hoje é sete de janeiro de 1974 e somente depois de vinte anos poderei fazer a divulgação desta super aventura vivida por mim”, relatou em trecho, em que também cita que os alienígenas lhe pediram segredo sobre o caso por 20 anos, sendo possível compartilha-lo só a partir de 1993.

Segundo Gabriela, a família conta que Freire teria realmente desaparecido por uma semana e retornado “avoado” depois desse período, mas que na época não teria dito nada. “Desde que me conheço por gente conheço essa história”, conta. “Não posso dizer se isso aconteceu ou não, mas o que eu sei é que foi uma verdade muito grande para ele.  Sempre que ele recontava a história para alguém mantinha os detalhes. Não mudava nada.”

A história só veio a tona em 1993 quando Samuel apresentou o livro. Na época ele morava com a família em Poços de Caldas/MG e foi em lan houses para digitalizar a história.

Na obra chamada “Argêoton o Planeta Dourado”, Samuel transcreveu diálogos inteiros e ainda apontou os conselhos dados pelos alienígenas.  Ele se questiona no início do livro: “Eu, um homem de 39 anos, casado, pai de quatro filhos, de profissão motorista, somente com curso ginasial. O que realmente eles querem de mim?”

Nos relatos ele fala da rotina do planeta, alimentação e aspectos políticos. São descritos muitos robôs e uma tecnologia muito à frente da que o Brasil possuía na década de 70.

Entre as conversas se sobressaltam profecias para seis estados brasileiros e a missão de Samuel: “Você vai mostrar que potência não é ter dinheiro, não é escravizar pequenas nações, não é ter estoque de armamento para destruir a casa do seu vizinho. Potência para nós é ter para dar. É ajudar e amar, é respeitar o direito do cidadão por mais simples que ele seja, é ter Deus em nossos corações e não levá-lo amarrado numa cruz pelas ruas e depois jogá-lo em qualquer lugar nas igrejas”.

Em vários outros trechos os alienígenas teriam confirmado a existência de Deus, além de criticar o egoísmo humano: “Será possível que eles [humanos] possam pensar que o pai universal criou tudo o que eles veem em cima de suas cabeças somente para enfeitar o planeta terra?”.

Nas profecias escritas em 70 é dito que São Paulo seria um estado que sofreria com enchente, alto grau de população e teria um número preocupante de desempregados e uma super lotação de criminosos. A cidade de São Paulo também teria problemas com saúde devido ao calor e poluição. Os alienígenas imploraram que Samuel levasse a mensagem às autoridades pois, de acordo com o texto, se não fosse feito algo a situação pioraria depois do ano de 1997.

O Rio de Janeiro seria palco de grandes violências. “E seu exército terá de invadir, a fim de acabar com os celeiros de drogas”, diz trecho. Minas Gerais começaria a sofrer pelo insuportável calor, além de ser palco para grandes lutas fazendárias. Bahia, disseram, deve grande tributo a Deus e Seu filho. O Amazonas, também foi citado nos escritos como profecia. E Ceará, que fica de frente à Argêoton,  é um lugar em que “o povo deve se unir e exigir providências de açúde, poços artesianos e transporte de água”.

Uma das profecias que saltam os olhos é a de que o Brasil seria palco em 1992 de um grande evento de ecologia, ano em que ocorreu a Rio-92. E a revelação: em três planetas do sistema solar existem vida, ar, rios, matos e vulcão. Não é citado o nome dos planetas.

“Hoje sua geração está destruindo tudo. Seus rios não tem mais peixes e suas águas estão contaminadas. Suas experiências nucleares abalam o eixo da terra provocando  vendavais, maremotos e terremotos. Vai chegar um momento em que as nações não aguentarão o calor, uma delas é a sua. Aqui [Argêoton], a vida é sagrada. Ninguém pode tirar a vida de um ser”, frisaram os alienígenas.

Gabriela diz que as mensagens são lindas. Mesmo seu avô tendo pouca escolaridade escreveu muito bem a história. “Pode ter sido um trauma, algo que ele passou e escreveu dessa forma. Não sei. Nunca o julguei. Mas o que se fala é que ele realmente sumiu por uma semana e voltou avoado, preocupado e depois escreveu.”

Seu Samuel morreu em 2008, aos 73 anos, e distribui uma infinidade de cópias da obra em Poços de Caldas. A única que resistiu ao tempo foi a guardada por Gabriela, que agora pode ser acessada na rede.

A obra pode ser baixada clicando aqui.


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