09/10/2016

Lucas Sia revela que deseja ser presidente da Câmara de Artur Nogueira

ENTREVISTA: Eleito aos 25 anos com 1.072 votos, advogado promete defender o interesse da população e fazer um trabalho diferenciado.

Rui do Amaral

Com o fim das eleições municipais, Artur Nogueira começa a projetar o rumo que tomará a partir dos próximos quatro anos. Um novo prefeito, novos vereadores, quase tudo novo. É nesta hora que as dúvidas começam a permear a cabeça da população que, curiosa, quer simplesmente saber ‘como vai ser’. É normal. A partir do momento em que se vê uma Prefeitura e Câmara (parcialmente) renovadas, espera-se algo também renovado. Pode parecer difícil de conter a curiosidade sobre como serão os novos políticos que tomarão decisões que afetam o seu dia a dia. E é pensando nisso que o entrevistado desta semana é Lucas Sia, segundo vereador mais votado destas eleições e futuro legislador mais jovem que a Câmara terá a partir de 2017.

Nascido há 25 anos em Campinas/SP, o advogado já tentou se eleger vereador em 2012, porém não obteve sucesso. Agora, além de ser eleito, Lucas conquistou 1.072 votos, atingindo a marca de segundo vereador eleito com mais votos nestas eleições. Na entrevista a seguir, o futuro legislador conta o porquê de se candidatar, como pretende encarar um Executivo de oposição e os planos para a vida política. Confira:

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Por que você decidiu se candidatar para vereador? Como todos sabem, já fui candidato uma vez. Temos um projeto social de voleibol, do qual participo a cerca de quinze anos. O projeto tinha acabado e, tirando dinheiro do bolso, as pessoas responsáveis continuaram mantendo as atividades. Eles decidiram em 2012 que eu deveria ser candidato. Primeiramente eu relutei. Nunca havia pensado nessa possibilidade, sempre tive certeza que queria ser advogado. Porém, dentro da faculdade, estudando as leis, percebi que você realmente consegue fazer a diferença quando está dentro da política, de outras formas você não consegue. Acredito que, quando percebi isso, foi o momento em que tive este interesse. Estar dentro da política é muito mais eficaz para fazer a mudança realmente acontecer.

Você esperava ser o segundo candidato mais votado nas eleições? Nós fizemos um trabalho muito bem feito durante todos estes anos. Sentíamos nas ruas que o povo pedia esta qualificação profissional na vereança. Eu já atuava há três anos no escritório de advocacia que eu montei em Artur Nogueira e o pessoal dizia que precisávamos de alguém qualificado na Câmara, gente que tenha algum projeto social e que já represente alguma coisa no município. Além disso, creio que é necessário que haja uma renovação. Alguém que represente a qualificação, algum projeto social e que seja jovem. Com ideias renovadoras e que tenha um pensamento de mundo diferente. As pessoas queriam uma renovação consciente.

Como você vê o fato de ser o vereador mais jovem a compor a Câmara a partir do ano que vem? Fico contente. Vejo isso com bons olhos, acho que por esta questão de renovação, terei um pensamento muito diferente dos demais. A população vai se sentir representada por mim, por alguém que realmente tem ideias jovens, sem estes vícios políticos e ao mesmo tempo com conhecimento jurídico e qualificação, o que ajuda muito no meio político. Isso é importante na hora de elaborar projetos e na própria fiscalização do Executivo.

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O vereador eleito Cristiano da Farmácia está movimentando o projeto da Câmara Jovem, cada vereador será tutor de um jovem aluno que será eleito na escola. Você vê isso como uma oportunidade de mais jovens se engajarem na política? Com certeza, e não só isso. Acredito que o jovem de hoje esteja mais politizado, mais consciente. Vai ser um aprendizado, inclusive, para nós vereadores. Teremos de utilizar as propostas que a Câmara Jovem propor, será de grande valia para nós. Acredito que, até pela questão da idade, estou próximo desta juventude e é muito importante ouvir as ideias deles. Já conhecia o projeto, fico muito contente e apoiarei com certeza. Os vereadores precisam ter a noção de que também vão aprender com eles.

Você faz parte da coligação que forma a base partidária do atual prefeito. Você pretende adotar uma postura de oposição? Eu vejo a política de uma maneira diferente, serei extremamente correto. O que eu acreditar que é justo e for bom para população terá meu voto a favor. Aquilo que não for uma demanda da população, não terá meu apoio, independentemente de partido. Em minha opinião, não tem esse negócio de “oposição” ou “situação”. Não pretendo passar a mão na cabeça do prefeito que é do meu partido e nem fazer aquela oposição que não reconhece um bom trabalho. O grande ponto é o seguinte: sempre vou defender o interesse da população, o que tiver para falar irei falar.


O que tiver para falar irei falar”


Você se destacou no município pelo apoio e trabalho junto ao Projeto Voleibol. O que as pessoas envolvidas com este esporte podem esperar do seu trabalho? Tanto o desenvolvimento do Projeto Voleibol como a implementação da mesma estrutura do projeto em outros esportes. Queremos formalizar associações sem fins lucrativos, captar recursos das leis de incentivo ao esporte para que estas associações caminhem com as próprias pernas, com a ajuda da Prefeitura, é claro, que é quem cede os espaços e presta esta ajuda. É importante ressaltar que estes projetos irão visar tanto as crianças e jovens como também os times de competição, que é quem dará o exemplo a estes jovens. Também queremos incluir nestes projetos a terceira idade.

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Ao contrário da maioria dos candidatos a vereador, você possui Ensino Superior. Acha que isso pesou a favor para os eleitores? Como você vê a formação acadêmica dentro do meio político? Com certeza. Acho que muitos vereadores precisam ser críticos com aquilo que estão votando, é importante ter este conhecimento do trabalho e do processo político. Os legisladores precisam saber analisar o impacto daquilo que decidem. Acho que um mínimo de conhecimento é necessário. A população não vota nos assessores, e sim nos vereadores. Eles é que precisam ser capacitados.


“Os legisladores precisam saber analisar o impacto daquilo que decidem”


Nesta semana, Zezé da Saúde, atual vereadora e eleita vice-prefeita, falou durante discurso na Câmara que o Legislativo de Artur Nogueira não tem mais autonomia. Como você pretende fiscalizar o Executivo? Na sua visão, como estes dois poderes (Legislativo e Executivo) devem se relacionar? Independência é a palavra-chave. A própria Constituição prega a independência dos três poderes [Executivo, Legislativo e Judiciário]. Isso não quer dizer que concordo com a fala dela [Zezé], mas os poderes não podem se intrometer na esfera um do outro. Acho que o que precisa ter é uma conversa, onde seja possível trabalhar em equipe, apontando aquilo que não funciona e abraçando o que dá certo e é melhor para a população. É um trabalho de respeito de ideais, precisamos excluir de vez as questões pessoais na hora de legislar, analisando projeto por projeto, caso a caso.

Qual sua opinião sobre os atuais vereadores do município? Olha, acho que esta avaliação quem deve fazer é a população, e foi feita nas urnas. Parte desta avaliação que foi feita se mostrou positiva, devido a alguns vereadores que foram reeleitos, e outra parte negativa. Foi uma troca de nomes muito grandes, tivemos uma grande renovação. Se a sociedade acertou ou errou, só saberemos nos próximos anos.

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O que os moradores de Artur Nogueira podem esperar do Lucas Sia? Podem esperar que eu faça uma vereança com respeito à população. Tentarei trazer projetos e recursos para o município sempre visando a honestidade, responsabilidade e participação. Quero sempre que a sociedade participe, indique as áreas que julga haver necessidade de atenção e mostre quais os rumos devem ser seguidos. Primeiro de tudo, vou ouvir quem me colocou lá, que foi a própria população.

Onde você se vê daqui a quatro anos? É bastante tempo para falar. Vai depender do meu trabalho, o qual espero fazer bem feito. Se eu perceber que não tem nenhum nome capaz, com bons projetos, que não tenha conhecimento do Legislativo e do Executivo, pode ser que eu me candidate à reeleição. Também ressalto que, dentro destes quatro anos, tenho o interesse de alcançar a presidência da Câmara. Até pelo resultado das eleições. Se olharmos os números, veremos que a população decidiu entregar o Executivo nas mãos de uma coligação e a maior parte do Legislativo nas mãos de outra. Acredito que, respeitando a vontade dos eleitores, vou me colocar à disposição do partido para ser presidente do Legislativo do município. Caso eu avalie que fiz um bom trabalho, também existe sim a possibilidade de me candidatar a um cargo no Executivo.


“Tenho interesse de alcançar a presidência da Câmara”


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