15/02/2018

Jovem homossexual sofre agressão em Artur Nogueira

Crime ocorreu na madrugada de quarta-feira (14) e teve motivações homofóbicas

Da redação

Um jovem homossexual foi violentamente agredido por um grupo de pessoas na madrugada desta quarta-feira (14), em Artur Nogueira. A vítima afirma que a homofobia foi o que motivou a agressão, visto que não houve desentendimento entre as partes nem provocações. O rapaz agredido foi levado por amigos para o Pronto-socorro do Hospital Bom Samaritano, onde recebeu cuidados médicos.

O estudante universitário, de 20 anos, conta que a agressão ocorreu após o Carnartur, na madrugada desta quarta-feira (14). Ele havia se perdido de seu grupo de amigos durante a programação e voltava sozinho para casa, às duas horas da manhã. No caminho, encontrou um outro grupo de pessoas e ficou com um jovem que estava entre elas.

O grupo era de Campinas (SP). Eles chegaram ao carro e foram embora. Um pouco antes disso, porém, um carro preto estacionou próximo a eles. Quando o estudante estava mais uma vez sozinho, as pessoas do carro preto o abordaram, perguntando de onde ele era, o que fazia, onde trabalhava.

O jovem relata que subitamente o grupo se mostrou alterado. Ele pegou o telefone e tentou ligar para alguém e pedir carona, pois percebeu que o pessoal não estava bem-intencionado. Neste momento, as agressões começaram. Apesar de ser um jovem alto e forte, foi derrubado e desmaiou com os golpes que recebeu. “Eu caí no chão e não lembro de mais nada daquele momento”, conta.

Após recobrar a consciência, ele teve dificuldade para se levantar e se lembrar que estava próximo à pista de skate da cidade. Mesmo muito ferido, conseguiu caminhar até a casa onde mora. O estudante não conseguia enxergar direito, mas percebeu que seu rosto estava muito inchado e ensanguentado. As meninas que moram com ele o acudiram e conseguiram alguém que o levasse até o Pronto-socorro.

Ele recebeu quatro pontos no supercílio e está com o rosto desfigurado devido ao inchaço.

Homofobia

Para o jovem agredido, não há dúvidas de que o crime foi motivado por homofobia. “Foi um ataque de ódio. Não tem muita explicação para o que eles fizeram. Eles me atacaram porque eu havia ficado com outro cara”, ressalta. “Eu nunca pensei que isso fosse acontecer comigo. Eu não consigo entender o que leva uma pessoa a fazer isso, a cometer esse tipo de intolerância, de violência”.

Apesar de não querer se identificar, ele pretende buscar seus direitos. “Eu gostaria que a justiça fosse feita, para que as pessoas parassem de achar que têm liberdade para fazer isso”, assevera. “Meu rosto está todo machucado, desfigurado, mas não vou deixar que isso abale minha vontade de continuar trabalhando, continuar estudando. Não vou deixar que isso me destrua”.

De acordo com o estudante agredido, as pessoas não devem ter vergonha de quem elas são. “O fato de você ser diferente, de ter comportamentos que não se enquadram no que a sociedade impõe, não é justificativa para que ocorra uma violência”, afirma. “Infelizmente, existe muita intolerância em nossa cidade com as pessoas que têm uma opção sexual diferente”.

Por causa dessa intolerância, ele recomenda que as pessoas que sofrem preconceito por sua opção sexual tomem alguns cuidados, como não andar sozinhos. “Infelizmente vivemos numa sociedade ruim, com pessoas ruins, e a gente tem que tomar alguns cuidados. Se eu estivesse em grupo, provavelmente isso não teria ocorrido”, analisa.

O jovem também espera que sua história sirva para conscientizar as pessoas a respeito da violência contra gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, entre outros. “Eu espero que as pessoas se conscientizem de aceitar o diferente. E que as pessoas que têm uma orientação sexual diferente tomem cuidado, pois a sociedade ainda não compreende completamente isso”, explica.

“E desejo que as pessoas não tenham medo de denunciar quando sofrerem esse tipo de violência”, finaliza.

Violência LGBT

O Brasil é o país em que mais se matam homossexuais. Em 2017, uma pessoa é morta a cada 19 horas apenas por fazer parte da comunidade LGBT – gays, lésbicas, bissexuais e transexuais. Foram, ao todo, 445 mortes, segundo pesquisa feita pelo Grupo Gay da Bahia (GGB). Foi o ano com mais homicídios dessa natureza nos 38 em que o grupo realiza o levantamento.

Entre 2016 e 2017, a violência contra gays, lésbicas e transexuais aumentou 30%. Em dez anos, o número de mortes triplicou, e em metade dos casos o crime ocorre em vias públicas, como o caso registrado nesta quarta-feira (14) em Artur Nogueira. A maior quantidade destas mortes ocorreu no Estado de São Paulo.

Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), os casos registrados de violência contra LGBTs aumentou 47% entre 2012 e 2016.

Ainda assim, o GGB pontua que o número de casos é muito maior, visto que muitos dos crimes não são denunciados nem noticiados. Por isso, é importante que se façam denúncias desses crimes, para que haja uma visão mais precisa do quadro da violência contra pessoas da comunidade LGBT no Brasil.

Denuncie

Casos de violência contra gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, etc podem ser denunciados na Delegacia de Polícia Civil de Artur Nogueira pessoalmente ou pelo telefone (19) 3877-1400. Outra opção é o Disque 100, o Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos.

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