23/07/2017

Esteticista de Artur Nogueira ajuda pacientes com câncer a recuperar autoestima

Darthini Lopes quer ampliar projeto pessoal e estuda parceria com a Unicamp

Da redação

Há alguns anos, a micropigmentação se tornou um procedimento estético muito procurado, sobretudo pelas mulheres. No entanto, num mercado tão vasto quanto o da beleza, há espaço para tantos profissionais que é difícil algum deles obter algum destaque. Esse, porém, não é o caso de Darthini Camara Lopes.

Esteticista formada pela Centro Universitário Hermínio Ometto (Uniararas) em 2009 e especialista na área de Micropigmentação e Sobrancelhas, ela realiza um trabalho diferenciado na área de estética em Artur Nogueira há oito anos. Apaixonada por sua profissão, a esteticista se dedicou a inúmeros cursos e aperfeiçoamentos, tendo concluído, inclusive, um Master – o renomado Alan Spadone.

No entanto, o trabalho de Darthini não se resume a cuidar da aparência de suas clientes. Como ela mesma diz, seu ambiente profissional acaba a tornando uma espécie de psicóloga, pois é procurada por muitas pessoas que possuem problemas com autoestima. O que a fez dar um passo além, e iniciar um bonito projeto pessoal que visa recuperar a autoconfiança em vítimas do câncer.

Saiba mais sobre esse projeto e o trabalho de Darthini na entrevista abaixo:

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Como você se envolveu com a área da micropigmentação? Sou formada em Estética pela Uniararas. Logo após a graduação, em 2009, fiz um curso de micropigmentação e já fui me apaixonando pela área. Então, com o decorrer do tempo, eu pagava meus cursos na área de micropigmentação com o dinheiro que eu ganhava trabalhando com estética. Agora já faz oito anos que estou nessa área. Abandonei quase tudo da estética e estou focada apenas na micropigmentação.

A faculdade te ajudou a se encontrar nessa área? Totalmente. Antes eu trabalhava numa loja de perfumaria e cosméticos, fiquei lá por cinco anos. Então essa ideia de estética surgiu lá. E a faculdade ajudou muito. Por que? Porque a gente adquire uma formação completa em coisas que são necessárias para a micropigmentação. E é justamente isso o que falta em muitos profissionais que estão entrando nessa área. Falta essa formação para eles, pois é uma área que abrange muitos conhecimentos.

E o que é, afinal, a micropigmentação e como ela funciona? A gente introduz o pigmento na pele com um aparelho que se chama dermografo. Então é parecido com uma tatuagem, só que a micropigmentação não vai tão fundo na pele, ela é mais superficial. Com o tempo, após cerca de um ano, um ano e meio, esse pigmento começa a clarear – o que não ocorre na tatuagem. Então ela é ótima para quem tem falhas nas sobrancelhas e para quem deseja manter ela sempre bem cuidada. E não são apenas as pessoas com poucos pelos na sobrancelha que nos procuram. Mesmo quem tem elas bem cheias se interessa pelo processo.

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Você tem percebido que isso é uma tendência hoje? Sim, é uma tendência. Todo mundo quer. E por que? Porque todo mundo hoje passa bastante tempo vendo TV, acompanhando blogs e vídeos na internet. E como estão as pessoas nesses vídeos? Maquiadas! Então as pessoas que não têm a sobrancelha maquiada acham que possuem a sobrancelha falhada. Mas, muitas vezes, essa pessoa não é isso, ela apenas não está maquiada ou não passou por uma micropigmentação. Então, acaba que a procura pela micropigmentação cresce por causa disso. E, além da beleza, a micropigmentação é importante para a autoestima. Eu percebo que muita gente que me procura não está buscando beleza, mas está passando por algum problema, alguma situação na vida, e com essa sobrancelha micropigmentada a autoestima dela melhora. E, às vezes, acontece uma revolução na vida dessas clientes. Tem gente que levanta da minha maca chorando. E eu acabo chorando junto. Porque, além de esteticista, a gente também acaba sendo meio que um tipo de psicóloga. As pessoas trazem os problemas delas para a gente, e depositam muita confiança em nós. Eu acho que foi por isso que me apaixonei tanto por essa área. Por conta disso, eu tenho um projeto pessoal. Uma porcentagem do que recebo nesse trabalho de micropigmentação é revertido para esse projeto, onde eu atendo pessoas com câncer, que tiveram perda de pelos, e faço o processo para elas de maneira voluntária, gratuita.

E há quanto tempo você faz isso? Faço desde o começo do ano. Estou tentando entrar na Unicamp com ele. Tenho um projeto lá que está sendo analisado. E a minha intenção é ampliar o projeto. Pois, como eu falei, além da beleza, eu me motivo muito com esses projetos sociais. Eu acredito que Deus me deu esse dom, de ser micropigmentadora, e eu tenho que usar isso para transformar a vida das pessoas. Não é apenas um trabalho, é uma transformação.

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Quais são alguns mitos ou medos que as pessoas carregam em relação à micropigmentação? O primeiro é a dor. A dor, conforme a técnica, se atenua. Eu lembro que, quando comecei na área, minhas clientes sentiam dor, porque eu não tinha muita técnica ainda. Por isso, é importante a gente fazer os cursos. Sangrar: não sangra. Ou melhor, é muito raro sangrar. Isso porque a pele é um tecido vivo, que pode ter vasos sanguíneos bem superficiais e acabar sangrando. Mas é muito raro. Então não precisa ter medo. E tem a cor também. O maior medo é a cor, porque a gente vê esses trabalhos errados na rua, que antigamente eram feitos por tatuadores, então acabava ficando verde, azul, vermelho. Hoje, a gente estuda a fundo a colorimetria. Depois do design, o mais importante é a cor. E não é fácil, pois cada um tem um fundo de pele, e é preciso saber qual a cor que deve ser colocada ali, que será ideal para o cabelo, a sobrancelha e o rosto. Por isso eu sempre coloco uma cor mais clara na primeira sessão. Depois de 40 dias, se for necessário, eu escureço. Escurecer a gente consegue, clarear é mais difícil. Então as pessoas não precisam se preocupar com a cor. E os materiais que uso são todos descartáveis. Só uso uma vez. Tive clientes que contaram que as agulhas eram reutilizadas no antigo lugar em que elas faziam o processo. E comigo isso não existe. Eu abro a agulha na frente do cliente, e a descarto na frente do cliente também. Esse é um diferencial que a gente tem que ter na profissão.

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E vocês fazem cores diferentes? Sim. Para cada pessoa, faço uma cor. Nós temos do castanho ultraclaro até o escuro intenso. Para o processo, eu também analiso a sua pele. Ela é mais fria ou mais quente? Com um olhar treinado, eu já consigo analisar apenas observando. A sua é mais fria, com um fundo verde. E só sei por causa da experiência. Isso é mais difícil para quem está começando. É preciso prática. É por isso que tem essas alterações de cor por aí, falta de experiência.

E é comum homens se submeteram à micropigmentação? Eles estão começando a fazer. Ainda há um pouco de preconceito, mas já tenho alguns clientes que vêm para fazer um design, tirar a sobrancelha. Antigamente, eles nem mexiam nisso. Mas as mulheres são maioria. Cerca de 98%. E cidade pequena é ainda mais difícil.

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