09/07/2017

Escritora de Artur Nogueira cria obra que mistura ficção e realidade

Rúbia Albuquerque comenta desafios e emoções que teve de enfrentar ao escrever ‘100 dias na Terra’

Da redação

A jornalista Rúbia Albuquerque, moradora de Artur Nogueira, lança neste mês sua primeira obra de ficção, “100 dias da Terra”. Sem pretensões de fama ou riqueza, a jovem escritora colocou todo o coração no trabalho de confeccionar uma estória que envolva os leitores e levante profundas reflexões, sem sacrificar a leveza da narrativa.

Para isso, Rúbia chegou a pedir demissão de seu emprego e passou quatro meses completamente focada na escrita do livro. E o esforço valeu a pena. Diversas editoras gostaram do material enviado por ela e demonstraram interesse em publicar a obra, que possui cerca de 200 páginas e conta a estória de Calebe, habitante de um planeta distante, que vem à Terra para estudar os humanos por 100 dias.

A poucos dias do lançamento do livro, que ocorrerá na Réplica da Estação, em Artur Nogueira, Rúbia concedeu esta entrevista ao Portal Nogueirense. Na conversa, ela comentou os principais desafios e as fortes emoções com que teve de lidar enquanto escrevia a obra, que já está em pré-venda.

Confira a entrevista na íntegra:

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De onde surgiu a ideia de escrever um livro? Então, desde criança sempre gostei muito de ler, de descobrir o mundo, descobrir as coisas. Eu sempre falava que um dia escreveria um livro. Na verdade, quando eu era criança, eu queria fazer Astronomia, não Jornalismo, pois eu sempre gostei muito de ciência. Mas eu acabei indo para o lado do Jornalismo. O tempo passou, e eu escrevia eventualmente, profissionalmente. Até que no ano passado eu comecei a escrever uma estória. Assim, eu até hoje gosto de astronomia. De vez em quando, inclusive, vou ao observatório em Joaquim Egídio (SP). E aí me vêm esses pensamentos: como seriam outros planetas, com outras pessoas e realidades? Então eu comecei a escrever a estória de alguém que vivia em outro planeta e vinha para a Terra.

Qual a sinopse do livro? O personagem principal de chama Calebe. Ele mora em um planeta da galáxia de Andrômeda, que muito parecida com a nossa, a Via Láctea. E ele vem para cá porque ele estuda a vida em outros lugares e tem esse espírito aventureiro. No planeta dele, as coisas são diferentes, tudo é perfeito, não existe morte ou qualquer problema. Ele fica interessado na vida na Terra e vai passar 100 dias por aqui. Durante esse período, ele trabalha em um documentário como fotógrafo. Esse documentário retrata como diversas culturas lidam com a dor.

Que objetivos você tinha em mente ao escrever a obra? Minha ideia ao escrever o livro era, além de compartilhar minhas paixões com as pessoas, trazer algum tipo de reflexão. Então ao longo do livro eu vou misturando algumas histórias, como a do tsunami da Indonésia, questões de terrorismo e refugiados. São questões diversas que aconteceram e vão se misturando à reflexão do livro e, a partir da óptica de alguém de fora, que é o Calebe, a estória se desenrola com as reflexões possíveis.

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Como foi o processo de redação do livro? Aí eu comecei a escrever, mas eu não tinha muito tempo. Daí eu resolvi pedir demissão do meu trabalho e fiquei 100% escritora durante quatro meses, aproximadamente. Só focada no livro. Eu cheguei a comprar um livro do Stephen King que fala sobre ser escritor, li e me dediquei totalmente. Nesse tempo, cheguei a receber outra proposta de trabalho, mas não aceitei. Se eu aceitasse, eu não iria fazer o que eu queria naquele momento, que era escrever o livro.

E como era sua rotina quando você estava 100% focada no livro? Para escrever, você tem que transbordar. Imagine que você é um tanque que já está cheio, e quando você está transbordando é que consegue escrever. Então eu lia bastante. Além de escrever, passava cerca de duas horas por dia lendo. Então eu sentava e escrevia, escrevia e escrevia bastante. Em certo ponto, a estória passa a se revelar para você. Não é como se eu estivesse criando a estória mas como se ela estivesse se revelando. Parece estranho, mas é mais ou menos isso. É como se os personagens já estivessem ali e ele tivessem me escolhido para contar a estória deles. E claro, é preciso muita determinação, muito foco. E também é preciso saber lidar com outras pessoas. Elas dizem: ‘Ah, então você não tá fazendo nada por agora?’. E eu estava ali, escrevendo mil palavras, três mil palavras por dia. Bom, esse foi um período muito importante para mim. Quando eu terminei de escrever, eu falei para meu esposo que, mesmo se eu não publicasse o livro, ele já teria feito algo grande para mim mesmo.

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Quando a estória estava finalizada, você enviou seu livro para ser avaliado pelas editoras e recebeu respostas positivas de 10 delas. Como foi isso? Foi uma grande surpresa. Ser escritor no Brasil é algo desafiador, pois não é um país de leitores. Os leitores são minoria. A maioria das pessoas não lê mais que dois livros por ano. Ao contrário de alguns países europeus, onde a média é de 10 livros. Tem alguns em que chega a quase 15. Então é um desafio. E como eu nunca publiquei nada, é mais difícil ainda. Então eu mandei as propostas para aproximadamente 20 editoras. Foi muito trabalhoso e dispendioso, pois eu precisei mandar o material impresso para algumas das editoras. E aí eu fui recebendo várias propostas. Foi muito bom, mas foi muito difícil também para decidir. Eu pesei vários fatores, orei – já que sou cristã – e pedi um direcionamento. Então eu optei pela UpBooks, que é uma editora pequena, mas que me recebeu muito bem. A pessoa que me atendeu ficou muito animada.

Você esperava que a publicação fosse dar certo? Eu não tinha expectativas tão altas com ele. Eu só penso que as pessoas passam a vida inteira cheias de sonhos. Daí, no final, elas ficam se lamentando, dizendo que poderiam ter viajado mais, ter feito mais amigos, ter feito isso ou aquilo. Mas as pessoas nunca tiram os sonhos do papel – ou, no meu caso, pôr no papel. E eu pensei: “quanto vou demorar até realizar meus sonhos?’. Então eu só queria realizar algo que sempre quis fazer, e decidi escrever um livro. Eu não pensei em publicar ou criar um best-seller, eu só queria riscar um item da minha listinha, para que eu não vá passando pela vida sem nunca colocar os sonhos em prática. E acabou que as pessoas gostaram do livro (risos). Por isso é muito importante que as pessoas sigam seus sonhos, pois nunca abemos aonde eles vão nos levar.

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Quais foram os maiores desafios na hora de escrever o livro? Eu já havia escrito coisas com no máximo 20 páginas. E, mesmo sendo jornalista, o livro exige uma profundidade diferente. Ele precisa de um nível de pesquisa e de comprometimento muito maior do que qualquer outra história que a gente escreva. É um grande desafio desenvolver tão profundamente a estória e os personagens. Apesar de tudo, isso é positivo.  E essa questão de acordar todos os dias e ter determinação para escrever por três ou quatro horas seguidas é difícil, às vezes. Eu desligava o celular e a internet para me focar. As pessoas me ligavam e diziam que, como eu não estava trabalhando, eu poderia ir com elas passear, ir no shopping. Eu falava: ‘Estou escrevendo um livro’, e elas me respondiam: “Ah, legal, mas vamos fazer alguma coisa?”. Foi bem desafiador, mas valeu a penas. Quando eu terminei de escrever, foi uma sensação maravilhosa. Lembro que, em alguns capítulos que lido com questões muito dolorosas, eu cheguei a chorar quando escrevia ou pesquisava para o livro. Então é um misto de emoções muito grande.

Seu livro tem um público-alvo? Eu sempre falo que todos os leitores são bem-vindos. Mas, de maneira geral, jovens adultos são o público mais específico. Mas é um livro aberto a todos que se interessarem. O livro já passou pela leitura crítica de pessoas com perfis bem diferentes, e tive uma resposta positiva delas. Então estou otimista.

Como você espera que o público reaja ao seu livro? Quando eu estava escrevendo, eu estava apenas dando vida às estórias que me chegavam. Mas meu objetivo é fazer com que as pessoas se emocionem, reflitam, olhem para o mundo e pensem de maneira diferente sobre as pessoas e sobre elas mesmas. E que elas, ao final, olhem para cima e se perguntem sobre o que há lá em cima, no universo, as histórias de lá que nós não conhecemos.

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