06/06/2015

ENTREVISTA: Pardinho

Comerciante nogueirense relembra história e explica por que nunca vai entrar na Política

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“O segredo do sucesso é a honestidade” (Pardinho)

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Alex Bússulo

Respeito, trabalho e honestidade. Essas três palavras resumem muito bem o entrevistado desta semana. Pardinho é aquele homem simples, conversador. Um verdadeiro colecionador de amigos. Comerciante dedicado que faz claramente aquilo que ama. Em sua agropecuária, no centro de Artur Nogueira, ele mantém vivo um dos poucos comércios que não perderam a essência mesmo com o passar das décadas. Lá ele vende ração para animais, produtos veterinários, ferramentas, implementos agrícolas, chapéus, botas, celas e tudo que um agricultor precisa. Mas, acima de tudo, o cliente encontra atrás do balcão o dono do negócio, que faz questão de receber e tratar todos como amigos. É a história deste homem que contamos a partir de agora.

João Pardo Meo Montoya tem 65 anos de idade. Nasceu pelas preciosas mãos da dona Laura Miranda, tradicional parteira de Artur Nogueira que ajudou a trazer ao mundo muitos nogueirenses. Nos primeiro anos de vida, Pardinho morou com os pais João Benevide Montoya e Clarice Del’Alamo em um casarão localizado às margens de onde hoje é a Represa do Cotrins. Tem três irmãs: Marizelda, Mary e Graciela, sendo o único filho homem da família.

A origem do apelido ‘Pardinho’ é um tanto curiosa. Vem do sobrenome ‘Pardo Meo’, que ele mesmo conta de onde os pais tiraram. “Minha mãe estava grávida de mim. Meu pai havia saído trabalhar e foi atingido por um bezerro. Ficou gravemente ferido e precisou ser atendido por um médico em Campinas, o Dr. Pardo Meo. Meu pai fez uma promessa de que se ele se recuperasse ele colocaria o mesmo sobrenome em mim. E assim aconteceu. Até acho que Pardo Meo deve se escrever tudo junto, mas o Raul Grosso (que na época era o tabelião do cartório) registrou separado. Quando pequeno eu era meio amarelinho. Aí juntaram a cor e o sobrenome e passaram a me chamar de Pardinho. Pegou”, conta.

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Pardinho começou a trabalhar cedo. Aos oito anos já ajudava o pai no negócio recém-aberto em Artur Nogueira. O pai abriu a Arrozeira Nogueirense, uma beneficiadora de arroz. “Os fregueses levavam o arroz com casca e nós limpávamos. No começo só beneficiávamos de amigos próximos, mas o negócio prosperou rápido. Clientes vinham de Santa Barbara, Limeira e de toda a região. Faziam filas. Com o passar do tempo também começamos a vender o arroz, além de outros cereais, como feijão e milho. Foi só depois que passamos a comercializar produtos que continuo vendendo até hoje na agropecuária”, relembra Pardinho.

Ele mantém o negócio criado pelo pai há mais de 60 anos. Com muito trabalho prosperou na vida. É um homem de sucesso que poderia parar de trabalhar. Mas isso está longe de acontecer. “Trabalho todos os dias. De segunda a sábado vou à agropecuária. No domingo vou cuidar do meu sítio. Parar não está em meus planos, pelo menos por enquanto. Acho que se parar agora eu fico doente”, afirma.

Pardinho preza pelo bom atendimento ao cliente. E faz isso de maneira natural, sincera. Aprendeu desde pequeno que o cliente é o melhor amigo da empresa. Sabe que sem ele não se tem produtos, muito menos vendas.

Fez curso técnico em Contabilidade, mas poderia receber o diploma de um verdadeiro Relações Públicas, pois sabe, como poucos, a arte de lidar com as pessoas. “Na verdade eu gosto mesmo é de conversar. Trato todos da mesma forma. Não tem rico, pobre… Todos são iguais. Meu maior prazer é tomar os cafezinhos com os clientes e amigos que me visitam todos os dias na agropecuária”.

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Nosso entrevistado tem uma definição de sucesso rara para os dias de hoje. “O segredo do sucesso é a honestidade. Se eu pudesse dar apenas um conselho este seria: seja uma pessoa honesta na vida. Tudo que vem fácil também vai fácil. Trabalhe com honra. Aprendi isso com o meu pai e levo para toda a minha vida. Infelizmente, hoje falta muita honestidade no mundo”.

Pardinho casou-se jovem, aos 22 anos. Cleonice Guidotti Montoya tinha 18. Foi a única namorada dele. Conheceram-se ainda crianças. “Morávamos na mesma rua. Brincávamos juntos. Começamos a namorar quando ela tinha 13 anos. E estamos juntos até hoje”.

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Pardinho e Nice tem quatro filhas: Heloisa, Gabriela, Mariana e a Bruna. “Nossas filhas são a nossa razão de viver. A Bruna é nossa filha do coração. Um dia ela veio brincar com a Mariana e não foi mais embora. Ela é filha de uma prima da Nice. Coincidiu com uma época em que os pais dela estavam se separando. Ela era pequenina, tinha oito anos de idade. É minha filha. Ninguém discute isso. Ganhamos ela. A Bruna continua até hoje comigo e me ajuda no trabalho. Amo todas as filhas de maneira igual. Fizemos o que estava em nosso alcance para todas elas”.

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Para ter um casamento feliz, Pardinho afirma que não é difícil. “Mas tem que se casar com a pessoa certa. Eu casei” (risos). “Na verdade não tem segredo. Tem que ter amor. Hoje em dia muitos se casam e deixam de se respeitar, acabam com o casamento por pequenas coisas”, afirma.

Questionado sobre qual foi o momento mais triste da vida, Pardinho responde rápido: “Foi no dia 29 de agosto de 2002. A data que perdi meu pai. Ele foi o meu exemplo. Era meu companheiro de todas as horas. Um homem trabalhador, honesto e que fez muito pela família e pela cidade que ele tanto amava. Ele ficou internado na UTI por 40 dias e morreu por enfisema pulmonar. Foi o dia mais triste da minha vida”.

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Como o próprio Pardinho disse o senhor João Benevide Montoya foi um homem muito importante para Artur Nogueira. Foi lavrador, comerciante e influente político nogueirense. Participou ativamente de toda a evolução político-administrativa do município. Foi o vereador mais votado nas eleições de 1969. Também foi presidente da Câmara Municipal e até candidato a prefeito. João foi político em uma época em que vereadores não recebiam salários. Trabalhava porque queria um município melhor para todos.

Pardinho não quis seguir o pai na Política. “Meu pai adorava Política. Mas eu nunca gostei. Não tenho capacidade para ser candidato”. Ele conta que já foi convidado para ser candidato por quase todos os partidos da cidade, mas sempre recusou. “Subir em um palanque e prometer coisas que eu sei que não posso fazer? Eu não tenho coragem para isso. Pode ser um pouco de medo também. Medo de prometer aquilo que eu não vou conseguir cumprir. A palavra de um homem é tudo. Eu penso assim. E se você não prometer você não ganha a eleição. Então, se eu entrar não vou ganhar a eleição, porque eu não vou prometer”, afirma.

Além da agropecuária, outra paixão de Pardinho está na roça. Ele também é agricultor e pecuarista. Cultiva milho, mandioca e cria algumas cabeças de boi. Mas diz que a vida no campo não está fácil. “Nós ainda estamos sentindo a crise. Quem plantou milho não fez nada, quem plantou mandioca também não teve lucro. Estou vendendo a caixa de mandioca por R$ 4. Trinta e poucos quilos de mandioca por R$ 4! Quem vive de agricultura está passando apertado. Está sendo uma época difícil e vai demorar um pouco para melhorar. Agora, vai vir a crise da cana, que também já não está mais como estava. Em quase todos os lugares que você olha tem cana plantada”.

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O conselho que ele dá é variar nas produções. “Não dependa de apenas um produto. Não fique apenas na cana ou na laranja. Varie. Plante um pouco de tudo. Antigamente era assim. Eu mexo com gado, planto um pouco de milho, um pouco de mandioca”.

Comerciante, agricultor, pecuarista e amigo de todos. Esse é o Pardinho, que além de tudo ainda afirma não ter mais medo de nada. “Tem muita gente que fala que tem medo de morrer. Eu não tenho medo da morte. Quando chegar a horinha da gente a gente vai e tenho certeza que eu vou bem também. Sempre procurei fazer o bem para as pessoas. Acho que vou em paz. É isso”, conclui o comerciante.

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