11/06/2017

Diretor de Hemocentro elogia resultados das coletas de sangue em Artur Nogueira

JUNHO VERMELHO: Médico hematologista Fabrício Bíscaro comenta importância da doação e explica que uma única bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas

Da redação

O Junho Vermelho é uma campanha apoiada pelo Governo Estadual que visa conscientizar a população sobre a importância de se doar sangue. Durante este mês, todas as cidades do estado realizam ações para incentivar os cidadãos a se tornarem doadores. Como forma de apoiar a iniciativa e esclarece tópicos relevantes sobre o assunto, o Portal Nogueirense entrevistou o médico hematologista Fabrício Bíscaro.

Diretor da Divisão de Hemoterapia do Hemocentro de Campinas, ligado à Universidade de Campinas (Unicamp), Bíscaro é um dos organizadores das campanhas de doação de sangue, que acontecem a cada dois meses em Artur Nogueira e, também, acontece em vários municípios da região. O médico já trabalha há 11 anos do Hemocentro e se interessou pela área desde o terceiro ano da graduação.

Nesta entrevista, foram abordados diversos pontos relevantes do tema. Entre eles, o fato das doações serem fruto de procedimentos extremamente seguros, e que o sangue de um único doador pode salvar até quatro vidas. Além disso, Bíscaro elogiou o envolvimento da população nogueirense nas campanhas promovidas pelo Hemocentro.

Para ele, as 124 bolsas coletadas na última campanha realizada são um número excelente. Elas indicam que a população abraçou a causa e se envolveu com o projeto. “Essa foi uma coleta que nós consideramos uma coleta efetiva”, categorizou o médico.

Confira abaixo a entrevista na íntegra:

Dr. Fabrício Bíscaro - Hemocentro UNICAMP (1)-1497040583

O que é o sangue e por que ele é essencial para a vida humana? O sangue é responsável por uma série de funções no nosso corpo. A principal é levar o oxigênio dos pulmões para os tecidos. Isso é feito pelos glóbulos vermelhos, as hemácias. Mas há também o plasma do sangue, onde estão todos os fatores de coagulação, as plaquetas também e outros elementos. Sem o sangue nós não conseguimos sobreviver. Algumas doenças afetam a produção do sangue, e o paciente acaba tendo que repor esse sangue. Não existe nenhum outro substituto para o sangue que não seja ele mesmo. Então pessoas que têm doenças como e leucemia necessitam de transfusões esporádicas. Ou então que vai passar por uma cirurgia ou sofreu algum trauma e teve uma perda aguda de sangue pode precisar de uma transfusão de sangue.

Quantos litros de sangue tem uma pessoa normalmente? Uma pessoa adulta com cerca de 70kg tem em torno de quatro a cinco litros de sangue.


“Não existe nenhum outro substituto para o sangue que não seja ele mesmo”


Quais os principais fatores que levam uma pessoa a precisar a da transfusão de sangue? Geralmente os processos cirúrgicos complexos e as vítimas de acidentes ou traumas, que chegam ao Pronto-Socorro com uma perda grande de sangue, e também as pessoas que sofrem de doenças chamada onco-hematológicas, que são doenças como o câncer, a leucemia e os linfomas. Elas contam com uma necessidade transfusional alta. Existe um grupo específico de doenças hematológicas, que são hemoglobinopatias, como a anemia falciforme, que exigem transfusões regulares.

Como estão os estoques do Hemocentro de Campinas atualmente? Historicamente, são feitas seis campanhas de doação de sangue por mês em Campinas e região. Essa é uma média história que temos, é o que nós esperamos. Mas no mês passado, em maio, tivemos uma queda significativa em relação ao mesmo período do ano anterior. A gente teve cerca de mil bolsas a menos no mês de maio. Isso nos deixou muito preocupados, por conta dos estoques, que começaram a ficar perto de níveis críticos.

Dr. Fabrício Bíscaro - Hemocentro UNICAMP (2)-1497040588

Quais os motivos para essa queda? A gente teve a vacinação para febre amarela, que contraindica a doação de sangue por 30 dias. Também as temperaturas começaram a cair um pouco mais cedo do que em relação ao ano passado, e temo um inverno um pouco mais chuvoso. Isso historicamente, nós sabemos, implica numa diminuição nos resultados das coletas. E, ao mesmo tempo, a necessidade de transfusões não teve redução. Até teve um pouco de aumento, na verdade. E coletamos quase 1.200 bolsas a menos neste ano.

De que maneira essa queda afeta o serviço do Hemocentro? A gente faz essas coletas e distribui as bolsas para toda a região. Quando o estoque está muito baixo, são liberadas menos bolsas para os serviços que necessitam, inclusive as cidades da região. Não houve necessidade de suspender nenhuma cirurgia, mas os hospitais vêm retirar as bolsas com muito mais frequências, já que elas são fornecidas em menor quantidade. Se tivesse qualquer aumento inesperado de consumo, nós teríamos problemas.

E como surgiu o Junho Vermelho? Qual o objetivo da campanha? O Junho Vermelho é uma iniciativa que já existia em São Paulo e alguns outros municípios do Brasil. Mas ela só foi oficializada pelo governo do estado neste ano. O governador sancionou um Projeto de Lei que institui o Junho Vermelho em todo os estado. Ela veio em um bom momento. Nós estávamos com os números baixos de maio e começando um mês que tradicionalmente é mais fraco em doações. Então a gente está divulgando mais a campanha para que as pessoas entendam e se conscientizem da importância de doar sangue. Não só em junho, mas ao longo do ano.


“Coletamos quase 1.200 bolsas a menos neste ano”


Você acha que há o devido incentivo por parte dos governos municipais, estaduais e federal para as campanhas de doação de sangue? O governo faz a parte dele promovendo essas datas e mantendo os hemocentros funcionando. Lembrando que o Hemocentro da Unicamp é ligado à universidade, mas é um órgão estadual também. Então o posto de coleta existe, local para doação existe, atendimento ao doador existe. O que a gente espera agora é a resposta da população como um todo, que ela entenda essa importância da doação para ajudar o próximo, ajudar a salvar vidas. Então principalmente no inverno, quando as temperaturas caem bastante, é importante não esquecermos que tem gente necessitando de transfusão, e que podem morrer se não houver sangue durante seus tratamentos.

Historicamente há uma certa dificuldade de levar as pessoas a doar sangue. Você acha que as pessoas ainda têm algum preconceito quando se trata da doação de sangue? Eu acho que isso vem diminuindo, mas ainda existe um certo receio. As pessoas se perguntam se vai doer, se vai ter alguma complicação ou se pode pegar alguma doença. Hoje em dia a doação de sangue é extremamente segura, é um procedimento rápido e que fará você se sentir bem, acima de qualquer desconforto que possa ter. O que a gente precisa é da boa vontade e de uma horinha da pessoa.

Dr. Fabrício Bíscaro - Hemocentro UNICAMP (3)-1497040590

O que acontece com o sangue depois que ele é coletado? Após a coleta, nós trazemos o sangue para um lugar que chamamos de fracionamento. Lá ele é dividido nos vários produtos em que ele pode resultar. Vai ser produzido um concentrado de hemácias, uma unidade plasma, uma de plaquetas e o de crioprecipitado. Então em uma única doação, você pode estar ajudando a salvar até quatro vidas. E isso é importante que as pessoas saibam. O sangue, após a coleta, será usado de uma forma extremamente racional para maximizar ao máximo o benefício dele.

Artur Nogueira possui cerca de 50 mil habitantes, e a última coleta promovida pelo Hemocentro de Campinas na cidade conseguiu 124 bolsas. Esse é um número baixo para o tamanho do município? Não, é um número bom. Para uma população de 50 mil habitantes é um número excelente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que em torno de 3 a 5% da população seja doadora habitual. No Brasil, a média é em torno de 2%, um pouco abaixo do recomendado. Mas considerando que essa coleta foi uma só, feita bimestralmente, o resultado é sinal que a população respondeu bem aos apelos que a gente fez. Essa foi uma coleta que nós consideramos uma coleta efetiva.


Lembrando que a próxima campanha de doação de sangue em Artur Nogueira irá acontecer no dia 3 de agosto de 2017, na Comunidade São Benedito.

Como ser um doador?

Para doar é necessário ter entre 18 e 69 anos, estar bem alimentado, descansado, pesar ao menos 50 kg e não ter ingerido bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores à doação. Menores de idade, entre 16 e 17 anos, precisam estar na companhia dos pais ou responsáveis para realizar a doação. O processo de cadastro, triagem e coleta de sangue dos doadores dura aproximadamente uma hora e vinte minutos.

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O preenchimento do formulário de doador, exames de pressão, temperatura e anemia são realizados anteriormente à coleta, com possibilidade de reprovação em casos de inaptidão para a doação. Candidatos que forem diagnosticados com hepatite após os 11 anos de idade, gestantes ou mulheres em período de amamentação, usuários de drogas e pessoas que tenham doenças transmissíveis pelo sangue como Aids, Doença de Chagas, Sífilis ou que tenham relações sexuais com parceiros eventuais e desconhecidos sem o uso de preservativo, não poderão efetuar a doação.

Profissionais de saúde estarão no ponto de coleta para orientar a população sobre a importância da doação de sangue. A coleta ocorre na Comunidade São Benedito, localizada na Rua Emílio Dias Prado, s/n, a partir das 9 horas. É necessário a apresentação do RG ou de um documento com foto.

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