18/09/2015

Dia de Campo reúne cerca de 50 pessoas em propriedade rural de Artur Nogueira

Atividade aconteceu na manhã desta sexta-feira (18) no Bairro Campos Sales e reforçou importância do manejo adequado do solo.

O evento Dia de Campo reuniu cerca de 50 produtores rurais de Artur Nogueira e região na manhã desta sexta-feira (18), na propriedade rural Sítio Santa Helena, no Bairro Campos Sales, em Artur Nogueira. Os participantes acompanharam palestras, adquiriram orientações técnicas e dicas a respeito da conservação do solo e estratégias em custo benefício de produção. A atividade, promovida pela Secretaria Municipal de Agricultura em parceria com a CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e a Defesa Agropecuária, teve sua primeira edição em Artur Nogueira. O evento foi exclusivo para produtores rurais cadastrados no CAR (Cadastro Rural Ambiental) e durou das 9 horas ao meio-dia.

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O secretário de Agricultura do município, Renato Carlini, destaca o ineditismo do ato na cidade e acredita que as informações passadas aos produtores devem ser fundamentais para a colaboração do município no enfrentamento às estiagens. “Esse evento é pioneiro na região e está embasado em projetos da micro bacias um e dois. Juntos nós instruímos o agricultor para viabilizar a produção de água nas propriedades rurais e a conservação do solo”, explica.

A problemática enfrentada pelo setor devido à crise hídrica serviu de incentivo para a realização da atividade. Carlini explica que “ano passado foi um período atípico pois choveu apenas 1.200 milímetros e o normal na região é de 1.600 a 1.900 milímetros de janeiro a dezembro”. Transformando isto em metros, seria o mesmo que caísse 160 a 190 centímetros de água por metro quadrado. “Se esta água se infiltrar no solo com certeza ela irá aumentar as nascentes”, acredita Carlini. “Consequentemente o reflexo virá rapidamente para o próprio produtor e para as cidades vizinhas que estão abaixo das nossas nascentes. O secretário destaca também a importância dos processos de recuperação de matas ciliares com árvores nativas para proteger as nascentes.

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“Estamos num contra ponto do que o governo do estado está querendo, de plantar 20% de árvores nas propriedades produtivas. Não é isto que vai resolver o problema da água”, contesta o secretário. “O problema da água é seu o manejo correto e devemos resolver instruindo o produtor rural”, aposta Carlini, justificando a importância estratégica do comparecimento dos produtores na atividade como forma de promover a conscientização e a formação para o tratamento adequado do solo.

A ação reforça um conceito diferente do defendido pelo governo do estado a partir da Reserva Legal apresentada em 2010, após a consolidação do novo Código Florestal. Segundo o documento “no estado de São Paulo, a área que deve ser destinada à Reserva Legal é de, no mínimo, 20% do total da propriedade. Ou seja, se uma propriedade rural tem 100 hectares, a área exigida para Reserva Legal será de no mínimo 20 hectares. Para compor esses 20%, podem ser utilizadas as áreas não adequadas para agricultura, dentre outras. E ainda, caso não tenha toda a área dentro de sua propriedade, pode-se compensar em outra propriedade que tenha por exemplo, uma mancha de mata”.

Ainda de acordo com o documento A Reserva Legal pode ser uma oportunidade de diversificação da produção e da renda, “pois pode ser utilizada por meio de manejo e exploração sustentável”. Conforme o documento “é fundamental para a proteção dos recursos naturais, a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos, a conservação da biodiversidade e o abrigo e a proteção de fauna e flora nativas”.

Apesar das alternativas de renda que surgem a partir das possibilidades de exploração da Reserva Legal, Carlini contrapõe a medida e aposta noutra tática. “Nós vamos provar para o governo do estado que a gente não precisa plantar esses 20% de árvores em área que não tenha nascente, pois isso não vai resolver nosso problema. O produtor que tiver conservação do solo adequado está nos padrões que, teoricamente, precisamos para ter o aumento de água em nossos rios”.

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Na abertura discursaram o Engenheiro Agrônomo e diretor do escritório de desenvolvimento rural de Mogi Mirim, Roberto Ribeiro Machado, que falou sobre os recursos e projetos a serem executados, e o secretário de Agricultura de Artur Nogueira, Renato Carlini, com propostas de trabalho integrado no município. Em seguida, a engenheira agrônoma da prefeitura, Roseli Borges, expôs como tema o impacto ambiental de processos erosivos.

O representante do escritório de defesa agropecuária de Mogi Mirim, engenheiro agrônomo Guilherme Correa e o engenheiro agrônomo Rogério Massau apresentaram o tema de legislação sobre uso e conservação de solo. O representante do escritório de desenvolvimento rural da cidade de Pindamonhangaba, engenheiro agrônomo Edinei Marques, falou sobre a importância da água e da proteção de solo

Ao término da atividade, o engenheiro agrônomo Antônio Marcos Oliveira, do escritório de desenvolvimento agrônomo de Mogi Mirim, falou sobre custo benefício para o agricultor; e o produtor rural de Artur Nogueira, João Benedito Woord, apresentou um depoimento sobre a importância da adoção de práticas para a conservação do solo e as melhorias que ocorreram em sua propriedade.

“Esse trabalho realizado e apresentado só oferece benefícios para nós agricultores, ainda mais em tempos de estiagem”, relata João Benedito.

De acordo com Roseli Borges, é de extrema importância a integração de instituições rurais e produtores. “Estamos hoje aqui com diferentes secretarias da prefeitura, com órgão de extensão rural e fiscalização do estado. É necessário que essas organizações se conversem e participem de um planejamento integral junto com o agricultores.”

Roseli Borges acrescenta que esta foi a primeira edição do Dia de Campo, mas o objetivo, é que o evento  se repita nos próximos anos.

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