21/02/2017

Conheça quatro famílias italianas que fizeram história em Artur Nogueira

Dia Nacional do Imigrante Italiano é celebrado nesta terça-feira (21)

Da redação

Nesta terça-feira (21) é comemorado o Dia Nacional do Imigrante Italiano. Como em muitas cidades do sudeste e sul brasileiros, Artur Nogueira recebeu diversas famílias italianas a partir do final do século 19, quando milhões de moradores do país europeu decidiram se aventurar em terras tupiniquins para fugir da miséria. Assim, a chegada deles foi fundamental para que o povoado da Lagoa Seca se tornasse o município ‘Berço da Amizade’.

Geso Franco de Oliveira, um apaixonado pesquisador da história nogueirense, fez um levantamento da história de famílias italianas que se estabeleceram na cidade entre 1880 e 1920. Há várias, mas Geso destacou quatro delas, que são facilmente reconhecidas em nomes de ruas, bairros e comércios de Artur Nogueira. Confira abaixo:

Família Rossetti

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A família Rossetti é de origem italiana, oriunda da cidade de Mantova, comunidade de Roverbela. Ela chegou ao Brasil em setembro de 1896, desembarcando em Santos (SP) com centenas de outros imigrantes. Luiggi Rossetti e sua esposa, Teresa Martelli, juntamente com o filho e a nora do casal, Humberto Rossetti e Ana Maria Campostrini, foram trabalhar nos cafezais da fazenda Bicatu, em Leme (SP).

No ano seguinte, nasceu a primeira filha do casal Humberto e Ana Maria, Ansila Rossetti, que com dois anos de vida faleceu de febre. Em 25 de novembro de 1899, nasceu o segundo filho, Rodolfo Rossetti. A alegria, porém, não conseguiu diminuir a mágoa que sentiam. As notícias que receberam sobre o Brasil não correspondiam à realidade; assim, resolveram voltar para a Itália. O sonho de um grande futuro em terras brasileiras havia se desfeito.

No entanto, após um ano, chegaram à conclusão que o Brasil não lhes fora tão mal assim e que, realmente, aqui poderia estar o “grande futuro”. Em 1906, Humberto Rossetti soube por meio de jornais que Campos Salles pretendia colonizar uma grande área de terra, que seria vendida em lotes de cinco alqueires e com facilidades de pagamentos.

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Rossetti comprou em agosto de 1906 um lote e mudou-se com seus pais, esposa e filho à Seção Artur Nogueira do núcleo Campos Salles, no Bairro São Bento, cidade de Campinas (SP). Já em 1907, nasceu o segundo filho do casal Humberto e Ana. A ele foi dado o nome de Luís Rossetti. Os anos passaram, e a família sempre se dedicou à lavoura.

Rodolfo, o primogênito de Humberto e Ana, casou-se em 1920 com Virgínia Furim, com quem teve nove filhos: Humberto, Armando, Ansila, Elisa, Noêmia, Clóvis, Nelson, Julieta e Maria. Já Luís, irmão de Rodolfo, se casou com Palma Fontana e teve quatro filhos: Umbelina, Natalino, Josepino e Claudina.

Família Tagliari

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A família Tagliari, procedente de Verona, na Itália, chegou ao Brasil em 1887. Os primeiros representantes foram Luiggi Tagliari e sua esposa, Ana Bonfante – ambos com 40 anos de idade –, e os filhos Ernesto, Frederico, Itália, Virgínio e Dosolina.

Os Tagliari foram trabalhar nos cafezais da Fazenda Campo Alto, em Araras (SP). Dez anos depois, Ernesto se casou com Antônia Barco, na Igreja Matriz de Araras (SP). E, Frederico se casou com Maria Piva, imigrante italiana de Mantova.

A família vendeu as terras em Araras (SP) e, em 1906, adquiriu do Major Artur Nogueira 75 alqueires de terra no Bairro São Bento, dando à propriedade o nome de Sítio São Luis, em homenagem ao patriarca da família, que faleceu em Araras (SP) nove anos antes.

Com larga experiência em lavoura de café, construíram um casarão na propriedade que se tornou símbolo da família Tagliari. Frederico e Maria Piva tiveram 11 filhos: Virginia, José, Carolina, Luís Antônio, Cesar, Antônio, Norma, Olímpio, Alduino, Silvino e Antônia. Ernesto e Antônia tiveram 9 filhos: Ítalo, Leticia, Romilda, João, Amábilis, Olímpia, Ricardo, Severino e Amadeu.

Ernesto faleceu com 90 anos, em 1960, e Frederico faleceu em 1965, com 87.

Família Sia

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Os primeiros membros da família Sia chegaram ao Brasil em 1880, vindos da cidade italiana de Veneza. José e Maria Marson Sia se conheceram na viagem para o Brasil e casaram 10 anos depois, na cidade de Limeira (SP).

Antes de se estalarem em Artur Nogueira, os Sia passaram pelas cidades de Jaboticabal (SP), Cordeirópolis (SP) e Americana (SP), sempre como agricultores de algodão. Em 1922, José Sia comprou 180 alqueires de terra da família Rosa e tentou a sorte com o plantio de café. Em sua fazenda, construíram 15 casas para colonos, que chegaram ao número de 60 pessoas.

José e Maria Marson Sia tiveram 13 filhos: Aurélio, Guilherme, Antônio, Amália, Mario, Ângela, Rosa, Olívio, Maria, Ida, Jose Sai Filho, Miguel Sia e Miguelina. José Sia, faleceu em 1940.

Família Duzzi

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Deixando a cidade de Verona, na Itália, por volta de 1896, Luiz Duzzi, sua esposa, Anna Castaguini Duzzi, e os filhos embarcaram rumo ao Brasil. Sem destino certo, foram para a cidade de Cravinhos (SP), onde trabalharam como colonos nas fazendas de café.

Luiz e Anna tiveram vários filhos: José, Amábile, Carlos e Ricardo, que vieram juntos da Itália, e Maria, Amélia, Luiza Bieta e Américo, que nasceram no Brasil. Em 1914, em busca de melhores oportunidades, vieram morar na vila de Artur Nogueira, no bairro Fazendinha, inciando lavouras de café e mandioca e cultivando cereais.

Ricardo Duzzi se casou com Tereza Boer. Eles tiveram sete filhos: Amélia, Zulmira, Antônio, Delmo, Verônica, Ana Maria e Angélica.

Associação Ítalo-Brasileira

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Com o intuito de resgatar e preservar a história dos imigrantes italianos e seus descendentes em Artur Nogueira, a Associação Ítalo-Brasileira foi criada há um ano, em fevereiro de 2016. Entre as propostas da associação estão a formação de classes da língua italiana, intercâmbio escolar, contato de negócios com a Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, realização de festas italianas na cidade e resgate da gastronomia típica do país europeu.

Além disso, o grupo deve trabalhar para montar um museu da imigração italiana em Artur Nogueira e auxiliar interessados em tirar dupla cidadania a conquistarem o título. Uma das principais metas da associação é transformar Artur Nogueira em uma cidade geminada à cidade de Mantova, na Itália.

Segundo o grupo, a geminação de cidades é um conceito que tem como objetivo criar relações e mecanismos protocolares, essencialmente em nível econômico e cultural, através dos quais cidades ou vilas de áreas geográficas ou políticas distintas estabelecem laços de cooperação.

Um dos sonhos da associação é tornar o município em uma estância turística, assim como fez Holambra (SP) com sua tradição socioeconômica e cultural holandesa. Conheça a comunidade.

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