06/02/2016

Morador de Artur Nogueira relembra plantio da maior árvore da cidade

Plantada há 55 anos, árvore chama a atenção pela beleza e tamanho.

Por Isadora Stentzler

“Tem vezes que eu passo aqui e fico olhando. Ela é bonita, né?”, diz um senhor que, de bicicleta, desacelera ao ser engolido pela sombra gigantesca das copas. Ele se impressiona. Observa. Admira. E elogia a beleza da Figueira crescida à beira da avenida Belizário Neves, nas redondezas do bairro Jardim Carolina.

Mas nem sempre fora ela assim. Na verdade media lá um metro de altura. Era criança. Menina. Trigêmea com outros dois galhos. Nasceu em Araras/SP, final da década de 50. E de lá foi dada, despachada a um jovem que bem ficou ao receber aquele broto de Figueira, confundida com Seringueira ainda 55 anos depois.  Chegou em Artur Nogueira em 1959 pelas mãos de Alcides Amaro Rodrigues. Não era naqueles tempos formosa. Tampouco se sabia aonde chegaria. Mas foi assim plantada. Junto da estrada, na divisa de terras, para embelezar e dar vida, já que árvore, diz seu Rodrigues, é isso. “Árvore faz parte da vida humana. Sem árvore nós não temos um oxigênio limpo, saudável, entende? Aonde não existe árvore não existe vida. A árvore traz vida.” Daquele reles galho de Araras, Artur Nogueira recebeu uma suntuosa árvore, a rainha das copas, uma Figueira de Bengala cuja sombra traz calmaria às aves e paz aos passantes.

A espécime, segundo explica a agrônoma Clarice Kuriyama, vem da família fícus. É uma Figueira de Bengala e assim é chamada devido às raízes suspensas que lembram outros troncos ou mesmo ‘bengalas’, usadas como escórias pelos grandes galhos.

Na Índia e Bangladesh, terra natal, é considerada sagrada, e as raízes novas são protegidas com tubos de bambu pelos habitantes locais. Também lá é conhecida como ‘árvore banian’, nome que significa negociante, já que alguns indianos costumam montar pequenos negócios à sombra da gigante.

Em Artur Nogueira foram as jovens mãos de Rodrigues, junto das mãos do amigo Oswaldir Pietrobon, que colocaram no solo o ramo da Figueira. Foi regada. Cuidada. E completando ela em 2015, 55 anos, Rodrigues se arrepia e teme em imaginar a gigante sendo cortada. “Ninguém sabe o futuro como vai ficar isso. Porque é uma judiação cortar essa árvore. Porque não forma uma árvore do dia pro outro.”


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