01/04/2016

Avanço de H1N1 no estado preocupa Artur Nogueira

Capato solicitou ao governador antecipação de lote de vacinas.

Da redação

De acordo com o Ministério da Saúde, o número de suspeitas de H1N1 no estado é maior do que todas as outras regiões do país juntas. A doença, também conhecida por influenza A, já matou 46 pessoas no Brasil em 2016, 38 só no estado de São Paulo. Os dados fizeram com que Artur Nogueira entrasse em estado de atenção. De acordo com a Secretaria de Saúde do município, mesmo sem nenhuma suspeita na cidade, o número de casos na região e até uma morte suspeita de infecção pelo vírus em Holambra, fizeram com que o prefeito Celso Capato (PSD) enviasse, através de ofício, um pedido para que o governador Geraldo Alckmin adiante uma remessa de vacinas contra o vírus H1N1.

O secretário de Saúde de Artur Nogueira, Dr. Zeedivaldo Miranda, afirma que não há ocorrência de suspeitas de infectados pelo vírus em Artur Nogueira. “Não há nenhuma suspeita até o momento. Caso alguém tenha alguma suspeita, deve ir ao pronto-socorro imediatamente. Estamos reforçando a demanda de Tamiflu, que é o remédio indicado quando é constatada a doença”, afirma.

Segundo o Dr. Dalton Liedke, diretor do pronto-socorro do Hospital Bom Samaritano, o maior cuidado é saber distinguir o H1N1 de outras doenças. “Nós estamos tendo uma grande quantidade de casos de virose, mas de H1N1 ainda não tivemos nenhum. Como alguns sintomas são parecidos, é importante tomarmos um grande cuidado na hora do diagnóstico”, explica o médico.

Liedke analisa de forma positiva o pedido realizado pela prefeitura ao governador. “É importante como forma de prevenção. Temos acompanhado que a doença chegou mais cedo do que esperávamos na região, então com certeza a antecipação das vacinas ajudará a evitar a contaminação”, afirma. “Quando o paciente notar que tem febre e dor no corpo, é necessário que seja feita logo uma consulta, já que os sintomas dessas viroses são muito parecidos com os da H1N1 e até com os da própria dengue”, completou Liedke.

Para o prefeito Celso Capato, não há por que esperar até o dia 25 de abril para receber as vacinas, data que está programada a distribuição pelo estado. “A previsão é de que as prefeituras da região só recebam a vacina no dia 25 de Abril e segundo calendário do Estado o dia de vacinação será dia 30 de abril (…). Não dá para esperar”, escreveu o prefeito em seu perfil em uma rede social.

No documento enviado ao governador, Capato ressaltou as suspeitas nas cidades de Americana, Hortolândia, Morungaba, e Santa Bárbara D´Oeste, as confirmações de casos em Campinas e Sumaré e uma morte suspeita em decorrência da doença na cidade de Holambra, vizinha a Artur Nogueira. “Nossa população está em estado de pânico e preocupada com a atual situação da doença, que vem se espalhando mais rápido este ano. Tal solicitação é de extrema importância para que possamos prevenir e combater qualquer tipo de surto que a doença possa vir a ter”, reiterou o prefeito no ofício destinado ao governador Geraldo Alckmin.

Boa parte da população se mostra preocupada com o aumento do número de suspeitas. “Eu vejo com preocupação a situação aqui da região em relação a doença, ainda mais tendo criança em casa”, relata a auxiliar de escritório Sandra Mazeto, de 43 anos, moradora do Jardim Conservani.

O envio das vacinas está marcado para o dia 25 de abril, com a vacinação prevista para o dia 30 do mesmo mês. Segundo o Ministério da Saúde, terão prioridade na aplicação das vacinas crianças de seis meses a cinco anos, mulheres gestantes ou em período de amamentação, trabalhadores da área da saúde, indígenas, maiores de 60 anos, carcerários, funcionários do sistema prisional, portadores de doenças crônicas não transmissíveis, e portadores de outras condições clínicas especiais (doença respiratória crônica, doença cardíaca crônica, doença renal crônica, doença hepática crônica, doença neurológica crônica, diabetes, imunossupressão, obesos, transplantados e portadores de trissomias).

O cenário da doença em 2016 aponta São Paulo como o estado mais atingido pelo vírus. De acordo com o Ministério da Saúde, das 46 mortes registradas, 38 ocorreram no estado.

H1N1

A gripe H1N1 ou influenza A, é provocada pelo vírus H1N1 da influenza do tipo A. Ele é resultado da combinação de segmentos genéticos do vírus humano da gripe, do vírus da gripe aviária e do vírus da gripe suína.

O período de incubação varia de 3 a 5 dias. A transmissão pode ocorrer antes de aparecerem os sintomas. Ela se dá pelo contato direto com os animais ou com objetos contaminados e de pessoa para pessoa, por via aérea ou por meio de partículas de saliva e de secreções das vias respiratórias.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) não há risco desse vírus ser transmitido através da ingestão de carne de porco, porque ele será eliminado durante o cozimento em temperatura elevada (71º Celsius).

Como se trata de uma gripe, os sintomas são comuns e incluem febre, tosse, garganta inflamada, dores no corpo, dor de cabeça, calafrios e fadiga. Algumas pessoas relatam diarreia e vômitos associados ao tipo de gripe. Porém, caso o paciente apresente febre alta acima de 38º, 39º, de início repentino, dor muscular, de cabeça, de garganta e nas articulações, irritação nos olhos, tosse, coriza, cansaço e inapetência é preciso cuidados especiais e a procura de um médico.

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Prevenção

A recomendação do Ministério da Saúde é para se evitar locais com aglomeração de pessoas, reduzindo assim o risco de contrair a doença. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a principal forma de transmissão não é pelo ar, mas sim pelo contato com superfícies contaminadas. Por isso, o uso de máscaras pela população não é recomendado pelo Ministério da Saúde. Entretanto, quem está doente deve fazer uso de máscara, a fim de evitar o contágio a outras pessoas. Fazer frequente higienização das mãos com água e sabão ou álcool gel e evitar o uso de bebedouros públicos.

De acordo com a farmacêutica Francisca Ferreira, de 41 anos, o índice das vendas de álcool gel na farmácia em que trabalha têm aumentado nos últimos dias, diante dos indícios da doença em cidades da região de Artur Nogueira. “Depois da notícia da morte de um homem, ocorrida em Holambra, a procura tem sido maior nesses dias. Meu estoque já está esgotado”, afirmou.

Ao fazer uso de banheiros públicos, o ideal é secar as mãos e punhos com papel-toalha descartável; no caso de torneiras com contato manual para fechamento, sempre utilizar papel-toalha para fechá-la; usar lenço descartável para higiene nasal; cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir; evite tocar mucosas de olhos, nariz e boca; lavar as mãos após tossir ou espirrar; não dividir objetos de uso pessoal como toalhas de banho, talheres e copos; evitar tocar superfícies como maçanetas, interruptores de luz, chave, caneta, torneira, entre outros; descartar luvas ou outros equipamentos de proteção individual contaminados ou tocados por mãos contaminadas.


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