03/12/2017

Arquiteto das Olimpíadas 2016 quer projetar nova rodoviária para Artur Nogueira

José Eduardo Magalhães mora no município nogueirense e comenta projetos desenvolvidos no evento e desafios da profissão no interior

Da redação

Aos 40 anos de idade, José Eduardo Magalhães trabalha com aquilo que sonha em fazer desde a 7ª série: Arquitetura e Urbanismo. A paixão pela profissão lhe abriu as portas para participar daquilo que ele considera ser o ápice de sua carreira até o momento: fazer projetos para as Olimpíadas Rio 2016, o maior evento esportivo do planeta. Durante um ano, ele esteve mergulhado no trabalho, tendo contato direto com turistas e atletas de todo o mundo.

Morador de Artur Nogueira desde 2011, Magalhães é natural de São Paulo (SP), onde viveu a maior parte de sua vida e construiu a base de sua carreira. Nessa conversa com o Portal Nogueirense, o arquiteto comenta os projetos desenvolvidos no evento do ano passado, os desafios da profissão numa cidade interiorana e o desejo que alimenta de projetar a nova rodoviária de Artur Nogueira.

Confira a entrevista na íntegra:

Por que você escolheu a arquitetura? Olha, o meu avô é engenheiro civil. Quando eu era pequeno, eu o via fazendo seus projetos na casa dele, via as plantas, as réguas que ele usava. Então ele desenhava. E imagina, eu era pequeno, vendo uma pessoa desenhando. Eu adorava. Foi aí que eu me interessei por desenho. E na sétima série eu já tinha decidido que queria ser arquiteto. Nem prestei para outra coisa. Eu gostava muito de casas. Daí eu saía pelas ruas do bairro para observar as casas. E eu amo fazer isso. Para mim não é nem um trabalho fazer isso.

Tem alguma área que você se identifica mais dentro da Arquitetura? Hoje, por causa das olimpíadas, eu estou mais focado em obras públicas, mas comecei como todos, com arquitetura de interiores – decoração, móveis planejados, essas coisas. Daí eu fiz alguns projetos de casas, depois algumas lojas. Quando eu me mudei para Artur Nogueira, fui designado para fazer o Shopping Center Limeira, esse que tem na Rodovia Anhaguera. Fiz ele ali por 2012 e 2013. Quando eu terminei ele, fui para o Shopping das Nações, também em Limeira. As duas obras foram levantas quase que ao mesmo tempo. Quando eu o terminei, comecei a fazer lojas, de várias marcas e franquias. Com o tempo, veio a crise, e a demanda de trabalho caiu bastante. Antes tinha shopping sendo construído um atrás do outro, em todo lugar, mas isso deu uma caída.

E como surgiu a oportunidade de trabalhar nas Olimpíadas Rio 2016? Então, nessa época, um amigo meu de São Paulo me ligou, assim, do nada. “Pô, tenho uma notícia boa para te dar”, ele disse. “O quê?”, eu perguntei. “Vamos trabalhar nas olimpíadas?”. Eu não acreditei que fosse um convite sério, afinal, é o maior evento do planeta. Mas ele explicou a situação para mim e vi que era sério. Conversei com minha esposa, e ela liberou. Tendo carta branca, eu fui para o Rio de Janeiro. Nós estávamos em seis na área em que eu atuava. Ficamos lá o ano inteiro, 2016. E foi muito corrido. As olimpíadas já estavam sendo construídas, mas só algumas coisas estavam prontas.

Que tipos de projetos vocês faziam lá? Nós ficamos responsáveis especialmente pelos projetos de obras temporárias. Vou dar um exemplo. O estádio do Engenhão tinha capacidade para 30 mil torcedores, mas era preciso uma arquibancada provisória para as olimpíadas. Então fomos nós que fizemos esse projeto da arquibancada. No Complexo de Deodoro, precisavam construir uma ponte para passar de uma área para outra. Daí projetamos ela. O projeto foi rápido, mas para construir não ia ser tão rápido. E já estava em cima da hora. Como a área em que estávamos era de uso militar, falamos com o pessoal do exército e conseguimos um material para montar uma ponte móvel. Foi assim que fizemos tudo no prazo. E tínhamos que pensar em muita coisa ao mesmo tempo, como fluxo das pessoas, organização, saídas e entradas, várias coisas. E fazíamos com a supervisão do mundo todo. Fizemos alguns projetos também no Maracanã, por exemplo. Também trabalhamos no Complexo da Barra da Tijuca.

E quando o evento começou, você fez algum outro serviço por lá? Quando os jogos começaram, nosso trabalho de arquitetura parou. Então, eu fui enviado para ser gerente adjunto da área de mountain bike. Eu era responsável por toda a área do esporte.

Por que você saiu de São Paulo e veio morar em Artur Nogueira? Eu moro em Artur Nogueira desde 2011. A família toda da minha esposa é daqui. Nós nos conhecemos em São Paulo e, assim que nos casamos, ela quis voltar para cá. Ela queria mais tranquilidade para criar nosso filho. E aqui tem muito dessa tranquilidade. Lá em São Paulo você sempre está atrasado. Você sai do escritório para ir para casa e vê todo mundo correndo e começa a correr também até se perguntar o que está acontecendo. Você não está com pressa, mas o ritmo das pessoas te faz ficar apressado. Eu via o pessoal correndo e começava a correr também achando que iria me atrasar. Eu resisti por um tempo a me mudar para cá, mas não teve jeito. E estou adorando morar aqui.

Como foi essa mudança tão grande de ambiente, como você se adaptou? Eu cheguei a ficar morando um ano em São Paulo com minha esposa e meu filho já aqui em Artur Nogueira. Daí eu vim para cá. Deixei uma empresa para abrir meu próprio escritório, trabalhando sozinho. Eu sou a minha empresa. Então eu vim em busca de qualidade de vida.

E como é o mercado da Arquitetura em Artur Nogueira, na sua opinião? Aqui é ruim. Aqui só se faz projeto para residência, pouco para indústria e comércio. A maioria é residência. E grande parte das casas construídas na cidade são irregulares. As pessoas acham que é muito caro contratar um engenheiro e um arquiteto, e chama só o pedreiro para levantar a casa. Acho que 80% das residências são irregulares, especialmente na periferia. Quando eu cheguei, havia alguns arquitetos com projetos espalhados pela cidade. Com a crise, isso acabou. Sobraram poucos. E como aqui é uma cidade pequena, ainda tem aquela cultura de famílias tradicionais da cidade. Daí tem a família conhecida por cuidar de um negócio, tem outra família forte em outro ramo do comércio… e formam-se panelinhas. Fica muito difícil entrar nesses círculos. Já pensei em voltar para São Paulo, mas a minha sorte foi ter conseguido participar das olimpíadas. Agora eu estou aguardando porque a prefeitura pretende fazer uma nova rodoviária, e quero ver se o prefeito consegue me passar o projeto. Vai ter também o aeródromo, e que vou ver se consigo pegar também.

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