08/02/2015

Agricultura de Artur Nogueira teve perdas de 20 a 60% devido à crise hídrica

Chuvas dos últimos dias não devem resolver o problema prontamente, avalia Secretaria de Agricultura

A seca que atingiu a região Centro-Oeste e Sudeste do Brasil no ano passado causou impactos na agricultura local que só devem ser superados em cinco anos. A estimativa é da Secretaria de Agricultura de Artur Nogueira que trabalha na elaboração de um documento que aponte as perdas dos produtores nogueirenses devido à estiagem. Mas mesmo sem ter os dados contabilizados, o quadro é desanimador para os produtores.

Isso porque além da falta de água sob a terra, os lençóis freáticos da bacia dos rios do Piracicaba, Capivari e Jaguari, do Consórcio PCJ, responsáveis pelo abastecimento e irrigação de Artur Nogueira, também diminuíram.

Segundo dados do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) só em chuvas os mananciais que afluem na cidade receberam no último ano 641,6 milímetros de água. Porém, maus distribuídos. Nesta contagem, agosto foi o mês mais crítico registrando apenas três milímetros. Junho e julho também tiveram níveis baixos recebendo 10,9 e 15 milímetros de água, respectivamente.

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Esse quadro foi o suficiente para desestabilizar as sub-bacias, uma vez que a captação de água não parou. O resultado foi um lençol freático diminuído a um dos piores dos últimos 50 anos, segundo aponta a engenheira agrônoma Roseli Teresinha Paes Barbosa Borges. “Retomando o processo regular de chuvas a gente sabe que os impactos não serão prontamente recuperados”, explica. “Uma situação assim aconteceu a cerca de 50 anos atrás, por aí. Mas desde a década de 90 se previa algo.”

Para Roseli a solução desse quadro está no manejo do solo e nas alternativas ao uso da água. “É preciso aprender a produzir água e saber usá-la. Não creio que faltará alimentos, porque o produtor que aprender a lidar com estas duas questões continuará a produzir.”

A Secretaria de Agricultura de Artur Nogueira estima que na cidade hajam mais de 700 produtores rurais com plantios de laranja, milho, mandioca, cana-de-açúcar e hortaliças. Todos afetados com a crise. Em alguns casos faltou água inclusive para o consumo dos produtores. “Tivemos perdas significativas na cultura anual”, aponta Roseli. “Se a gente pegar laranja, a cultura perene, o período de florescimento e de pegamento dos frutos já passou, então vai comprometer a safra que vem agora. A cana-de-açúcar é a mesma coisa. O período de desenvolvimento, enchimento de gomos foi comprometido. Então a gente vai chegar a perdas de 20 a 60%.”

A estimativa varia de acordo com a cultura e época do plantio.

No caso do milho, por exemplo, o plantio coincidiu com o período de secas de outubro do ano passado. Então o grão que deveria ser colhido neste mês não atingiu a qualidade esperada pelos agricultores.

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Impactos

Nas plantações do produtor Renato Carlini o milho sofreu uma redução de mais de 50%. Uma variação de 40 a 280 sacas do grão por alqueire. “Hoje não está compensando mais você estar na agricultura. Ano passado tivemos esse problema com a seca, mas para ter uma ideia, em 10 anos eu não cresci em nada como produtor. Pelas minhas contas eu deixei de ganhar quase R$ 1 milhão. Então eu estagnei.”

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Além do milho outra cultura afetada foi a mandioca. Carlini plantou a raiz no final de 2013, segundo ele o tempo de maturação é de oito meses, mas só em fevereiro desse ano é que a cultura começou a ser colhida.

“A seca pegou a gente. E isso deu um desequilíbrio ecológico que trouxe lagartas que comeram as folhas de mandioca. Sem fazer a fotossíntese, as raízes não cresceram. E ao redor começou a crescer mato.” Os alqueires em que Carlini destina ao plantio da mandioca agora dividem espaço com outras plantas e confundem a vista na hora de diferenciar. Para colher, o agricultor precisa passar com uma roçadeira e tirar todas as plantas, e então colher apenas a mandioca.

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Depois de um ano no solo, Carlini avalia que as raízes estão em um tamanho bom, mas ainda assim não estão no formato ideal. “As pessoas que comem a mandioquinha frita não fazem ideia do que o produtor passa aqui na roça. A coisa está muito difícil”, lamenta.

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