26/08/2016

A morte de um inocente que chocou Artur Nogueira

Airon Nascimento morreu aos 20 anos após ser atingido por um facão. Ele sonhava em ser um famoso DJ, mas não deu tempo.

Rui do Amaral

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Não deu tempo. Há vinte anos, mais precisamente no dia 18 de dezembro de 1995, nascia em Cosmópolis o único filho homem de Iolanda e José Alves do Nascimento. O casal já tinha uma filha e teria ainda outras duas, sendo o garoto o segundo de quatro irmãos. “Elevado”. Este é o significado de ‘Airon’, nome escolhido pelo casal para assim chamarem o menino. Airon Nascimento. É provável que, desde o início da semana, este também tenha sido o nome que mais saiu da boca dos moradores de Artur Nogueira.

Não deu tempo. Airon estudou na Escola José Apparecido Munhoz e, como todo brasileiro, sabia que nada vinha de graça. Trabalhava como eletricista e a crença em Deus o fazia ter ânimo para se levantar todas as manhãs. Saía cedo de sua casa, no Itamaraty, para se dirigir até a autoelétrica Moura, onde exercia suas funções de trabalhador.

Não deu tempo. Airon era sonhador e, nas ondas da música eletrônica, embalava os queridos amigos que conquistou durante sua vida. Nas festas, era o responsável por reger a alegria de quem dançava para esquecer dos problemas e dificuldades que qualquer um enfrenta todos os dias. Era ali, atrás da mesa de DJ, que o jovem se sentia em casa. Seu sonho não poderia ser outro: viver da música e para a música. Enquanto manipulava as ondas sonoras com a habilidade de quem sabia muito bem o que fazia, o sorriso nunca o desacompanhou.

Não deu tempo. Domingo, 21 de agosto, amanheceu frio, úmido, fechado. Dia de ficar em casa. A Seleção Brasileira de Vôlei levava ouro no Rio de Janeiro, local onde repousavam os olhos atentos de todo planeta, que acompanhavam o encerramento das Olimpíadas de 2016. Quis o destino que em Artur Nogueira o assunto fosse outro. Os céus já haviam chorado por boa parte da tarde, lavando a poeira seca das ruas e sarjetas que agonizavam de sede há semanas.

Não deu tempo. Às 17 horas, o Sol já se aprontava para beijar o horizonte e as primeiras estrelas começavam a acordar. Uma ligação fez com que Airon tomasse o rumo da rodoviária, no centro nervoso de Artur Nogueira. A ordem já havia deixado o local. Em seu lugar, o caos. Das muitas versões, uma certeza: Airon era inocente. Lugar errado, hora errada. A lâmina fria lhe arrancou a chama da vida e o sentenciou ao destino que não merecia.

Não deu tempo. Quatro dias se passaram e o sangue que pulsava em suas veias finalmente descansou. Sua vida fora um relâmpago. Melhor, um raio. Enquanto relâmpagos se perdem na imensidão, um raio deixa sua marca. Airon deixou sua marca. Seus órgãos serão doados e farão outras vidas pulsarem pelo mundo afora. Jamais sairá da memória da pequena cidade de Artur Nogueira e daqueles que o amaram e continuarão amando.

Ninguém duvidava de que realizaria todos os sonhos de garoto e tão logo reuniria inúmeras histórias para contar. Infelizmente, não deu tempo. Que Airon viva na memória de cada nogueirense, acompanhado do sorriso que sempre fez questão de carregar.

Foto: Helen Guedes

Foto: Helen Guedes

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