13/11/2016

“A Câmara não pode ser uma extensão da Prefeitura”, declara Rodrigo de Faveri

Filho de ex-prefeito, vereador eleito promete legislatura mais independente e menos assistencialista

Nascido e criado em Artur Nogueira, Luiz Rodrigo de Faveri é filho do ex-prefeito de Artur Nogueira, Luiz de Faveri, e neto do ex-vereador Júlio de Faveri. Assim, cresceu rodeado de assuntos políticos e, aos poucos, foi se interessando pelo universo do funcionalismo público. Em 2016, decidiu dar sua contribuição ao município nogueirense e lançou sua candidatura como vereador da cidade. Eleito com 571 votos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o futuro parlamentar conta ao Portal Nogueirense como foi construindo sua relação com a política. Formado em Administração, atualmente, Faveri é corretor e avaliador de imóveis. Aos 39 anos, é divorciado e pai de uma filha.

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Como você avalia o resultado das eleições em Artur Nogueira? O que aconteceu esse ano no cenário político nacional com certeza influenciou em diversas cidades e aqui no município nogueirense não foi diferente. Penso que a população pediu uma renovação e, por isso, o clamor de mudança refletiu e foi conquistado na cidade de Artur Nogueira. Sou a favor da transformação desde que ela seja consciente e embasada. Enfim, o resultado veio de uma demanda dos munícipes.

Você apoiou a reeleição do atual prefeito Celso Capato. Por que acredita que ele não venceu? Um dos fatores foi este que falei anteriormente: o povo pediu mudança. O Celso tem uma história política extensa, logo, as urnas indicaram um novo cenário. Foi a primeira vez que me candidatei, mas venho me interessando e desempenhando papéis junto a política desde 1996. Acumulei experiência ao longo desses anos e percebi que a campanha desempenhada pelo candidato da oposição, Ivan Vicensotti, estava mais forte.

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Por que você decidiu se candidatar para vereador? Eu sempre gostei de política. Meu avó, Júlio de Faveri, foi vereador aqui em Artur Nogueira, junto com o irmão dele, de 1971 a 1974. Ou seja, a política está no sangue há anos. Meu pai foi vice-prefeito e prefeito da cidade, com seus erros e acertos deu sua contribuição ao município. Durante esse período político de meu pai, dei uma afastada da área, pois peguei asco da profissão. Mas chegou um ponto que avaliei que não poderia ficar omisso. Assim, posteriormente, fui convidado a participar do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). E no ano 2016 – devido à crise política brasileira – foi o ano que decidi me candidatar, pois percebi que ir às ruas ou esbravejar no Facebook não era o suficiente. A inversão de valores, o que eu não concordava, tudo influenciou nessa decisão de me tornar vereador.

Você conquistou 571 votos, sendo o quarto vereador mais votado. Quem foram os seus eleitores? Por eu ter nascido e sido criado em Artur Nogueira, os meus eleitores se diversificaram muito. Não tenho um nicho, o pessoal do futebol ou do vôlei ou da igreja. Representantes diferentes votaram em mim. Sou um vereador que tomará posse e teve eleitores em todas as camadas sociais e bairros da cidade. Isso se deve ao meu conhecimento da cidade, de tudo o que passei da área rural a urbana, enfim, a variedade era algo esperado. Eu sabia que eu estaria entre os quatro primeiros, por intuição ou conhecimento, mas eu já aguardava isso.


“A Câmara deve ser mais independente”


Mesmo não tendo assumido ainda como vereador, você tem acompanhado de perto as sessões da Câmara Municipal nos últimos meses. Como você tem avaliado o desempenho da Câmara? Penso que se você vai participar de um cargo público, você deve entender daquilo, por isso tenho estudado sobre o assunto e acompanhado sessões na Câmara. Tenho que entender da política local. Estou estudando a lei orgânica do município, o regimento interno, lei de incentivo fiscal, entre outras. A minha intenção na política é boa. Sei que o inferno está cheio de boas intenções, mas a minha é boa. O que eu vejo hoje na Câmara é que todos são amigos de todos, mas eu acho que ela deve ser mais independente. É um poder legislativo e não pode ser uma extensão da Prefeitura. Se analisarmos a capacidade de todos que trabalham ali é indiscutível, porém muitas vezes deixam de cumprir seus papéis de vereador para exercer papel de assistente social. Ajuda muita gente, mas isso não é função do Legislativo, mas sim do Executivo. A promoção social é para remediar. O problema deve ser resolvido da raiz, no desenvolvimento da cidade. Fortalecer o cidadão para que ele se torne independente do Estado.

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Qual o maior problema de Artur Nogueira? Há diversos. Um deles é o desemprego. Vou trabalhar no sentido de suprir essa necessidade dos nogueirenses. Outras questões estão ligadas ao administrativo. E a melhor forma de solucionar é através de uma boa gestão. Nosso objetivo como vereadores é mediar essas demandas com o Executivo, criar soluções e ter iniciativa de buscar indústrias e comércios a fim de resolver o problema, como vou fazer.

Como quer ser lembrado no final do seu mandato? Como o vereador que cumpriu seus compromissos e deu orgulho para seus eleitores. Comemorarei essa minha vitória em 2020.


“É melhor ter um amigo na oposição do que um inimigo na situação”


Você foi eleito como oposição a Ivan Vicensotti. Como será o seu trabalho como fiscalizador do Poder Executivo? O Ivan é meu amigo de infância. Deixo claro que é melhor ter um amigo na oposição do que um inimigo na situação. Fiscalizarei da mesma forma que faria se o prefeito da minha coligação fosse eleito.

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Seu pai, Luiz de Faveri, foi prefeito de Artur Nogueira de 2001 a 2004. Em 2012, a justiça o condenou por improbidade administrativa, devido a supostas irregularidades que resultaram no aumento da dívida do município… Meu pai foi o primeiro prefeito a encarar a lei de responsabilidade fiscal. Muito arrojado e muito trabalhador, mas tinha pouco conhecimento na área da política e, até mesmo, de estudo. Ele saiu da Prefeitura em condição diferente de muitos prefeitos. Ele saiu de lá mais pobre do que entrou; isso eu posso assegurar. A questão da condenação eu sei que teve muitos processos que nem foram defendidos. Sabíamos da briga política com o prefeito que o sucedeu, mas o rumo da condenação poderia ter sido outro caso meu pai tivesse mais malícia e consciência política. Não tivemos dinheiro para pagar um advogado. Mas o tempo é senhor da verdade.


“Meu pai saiu da Prefeitura mais pobre do que quando entrou”


Além de fiscalizar, o vereador tem o papel de criar projetos que não gerem custos a Prefeitura. Você tem algum projeto que quer colocar em prática? Sim. Alguns projetos na área da saúde, segurança, parceria público-privada. Mas sempre vou bater na tecla de iniciativas de geração de emprego e renda. Acredito que quanto mais trabalharmos com isso, mais desinchada fica a Prefeitura. Quando a pessoa trabalha com as próprias pernas isso a torna independente.

O prefeito Celso Capato planeja doar áreas para quatro empresas no município. O projeto já foi encaminhado para a Câmara Municipal e já teve a rejeição dos vereadores Ermes e Zezé da Saúde. Você é corretor de imóveis e agora vereador eleito. Como avalia essa postura de doação de terrenos? Eu não posso opinar com relação a doação desses terrenos, pois fiquei sabendo ao chegar na Câmara. Eu vi que a oposição tinha razão ao dizer que não foi feita nenhuma averiguação sobre os possíveis empregos que irão ser gerados. Mas enfim, sou a favor da doação de terrenos dependendo da empresa, de qual o setor pertence e qual é a contrapartida dessa instituição. Se desenvolver o município e disponibilizar empregos é algo positivo. Entretanto se houver doação e não houver a contrapartida empresarial, eu sou contra.

Qual o melhor candidato a presidência da Câmara dos Vereadores na sua opinião? Estou lutando para ser o presidente. Existem alguns colegas e amigos que desejam ser também. A disputa está começando a ficar acirrada. Minha candidatura está à disposição, mas caso não seja presidente vou respeitar o eleito e buscar um bom desempenho no Legislativo. Eu defendo o meu nome, pois a minha motivação me fará ter um bom trabalho.


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